O menino do pombo e o pombo ou O abismo das paixões

Na vila onde nascera era costume entre as meninas e mulheres solteiras escrever as características do homem desejado num pedaço bem pequeno de pano, amarrá-lo no pé direito de um pombo e então soltar a ave num dos bosques da região. Se aquele pombo sobrevivesse aos próximos três dias, o desejo seria atendido e o amor de sua vida apareceria no dia da morte da ave. Caso contrário (se a ave morresse antes de três dias ou fosse imortal), era melhor entrar para um convento. O grande problema detectado pelas gerações mais novas era que um pombo podia viver por até vinte anos e a maioria das mulheres não queria esperar todo aquele tempo para se casar. Foi então que o prefeito teve uma ideia brilhante: decidiu que o dia de soltar o pombo aconteceria sempre na segunda quinta-feira do mês de julho, ao invés de cada pessoa soltar o pombo no dia que preferisse. E ainda mais, no domingo subsequente seriam liberados falcões ferozes e enormes e famintos e devoradores de pombos, com o intuito de ajudar suas eleitoras encalhadas a arrumar maridos de forma mais rápida e eficiente.

Oportunistas escreveram livros sobre como escolher o pombo correto e as palavras a serem escritas no pano: “Nada de escrever palavras grandes e rebuscadas, seja lá quem for que lê os pedidos e os atende prefere palavras curtas e claras, como: rico, fiel, mantenedor. Evite expressões, como bom pai, grande amante, taludo, pois essas podem gerar confusões, e reclamações posteriores nunca são aceitas”. O tipo de pano utilizado era importante, “nada de juta ou algodão, escreva num pedaço de cetim ou seda pura, que podem ser encontradas no armazém do Seu Agamenon”. Os pet-shops das cidades vizinhas se especializaram em vender o que prometiam ser pombos de subespécies exóticas, alguns gordos e pouco velozes, boas presas para os falcões; outros que exalavam um cheiro forte que atraía predadores a quilômetros de distância.

Às vésperas do Primeiro Dia Oficial da Soltura do Pombo o menino sentia-se confuso: sua mãe soltou seu pombo aos 13 anos e conheceu seu pai aos 18. Sua avó soltara o pombo aos nove e aos 12 já estava casada com seu avô. Não haviam registros de que homens já haviam participado do ritual e ele acreditava que seu pedido seria aceito como o de qualquer outra pessoa pois vivia em tempos em que se dizia que amor era tudo igual. E ideia de ter seu pombo estraçalhado por um falcão três dias após sua soltura o deixava desesperado.

Esperava que o pombo alçasse voo bem alto, viajasse por outros vilarejos, experimentasse todos os tipos de sementes disponíveis nessas terras e em outras, antes de se deitar a noite num ninho quentinho e morrer de velho. O pombo que ele escolhera tinha nascido no quintal de sua casa, ele o resgatara alguns meses antes, ainda filhote, quase sem penas caído do telhado. Cuidou do bicho e acreditava que a mãe do despenado havia sido capturada para ser vendida no mercado negro.

Decidiu soltar sua ave em outro local. O motorista do ônibus para a Capital estranhou aquele menino sair sozinho da vila justo naquele dia, de celebrações e festejos. Mas dirigiu pelas ruas sinuosas rumo a cidade grande, com seu único passageiro a bordo carregando uma caixa de sapatos cuja tampa não queria ficar no lugar.

Desceu do ônibus no meio do caminho, no ultimo ponto antes do veículo abandonar os limites geográficos de seu vilarejo. Ele frequentava aquela região com seu avô quando o velho ainda fazia comercio de queijos com moradores da zona rural, mas agora ele estava muito velho e cansado e os queijos daquele lugar nao eram bons como antigamente. Distraído com essas memórias, andou até a beira de um grande desfiladeiro, chamado de Abismo das Paixões.

Seu avô nunca o deixara chegar tão perto do enorme vão que se estendia por quilômetros, até quase se perder de vista. Lá no fundo se viam algumas árvores tortuosas, distantes, desinteressadas no que acontecia fora do buraco onde viviam. Seu avô dizia que a vista era extasiante, apaixonante, e que era perigosa pois muita gente havia se apaixonado pela vista e se perdido nas profundidades do abismo em tempos de desespero.

Pegou seu amigo de penas com muito cuidado e deixou a caixa de lado. Hesitou antes de abrir as mãos e deixá-lo livre, O mundo lá fora era tão hostil, seria melhor mantê-lo seguro em casa, no galinheiro com cerca de tela de metal feita por seu pai. O pombo já estava aprendendo a se comportar como as galinhas e elas já não o bicavam de forma feroz como outrora. Mas algo dentro dele dizia que era a hora de deixar seu companheiro ir. Liberou um dedo de cada vez, relaxando a pressão que fazia sobre o corpo da ave. A mesma não voou logo de cara, num primeiro momento parecia estar com medo da ventania que se abatia sobre eles ali na beirada daquele precipício. Olhou ao redor, olhou para o menino, ergueu a cabeça, estufou o peito e se lançou no vazio.

Sete anos se passaram, ele viu seus amigos e amigas crescerem, se apaixonarem e se casarem; se divorciarem e não saberem lidar com a solidão. As pessoas perderam interesse no ritual com os pombos no dia em que a Apple lançou um pombo eletrônico que tinha painel de LCD sensível ao toque e se conectava a qualquer rede wi-fi sem muita dificuldade. Todos preferiam ficar com o pombo e utilizá-lo para acessar uma das trezes indispensáveis redes sociais disponiveis naquela época.

Num dia besta como outro qualquer, ele voltava do seu trabalho como balconista na mercearia da rua principal quando viu seu pombo descansando sobre a caixa de correio de uma casa na qual ele nunca tinha reparado até então. O não mais menino, o agora jovem rapaz, se aproximou do animal acreditando que também seria reconhecido, mas quando estava a dois passos de tocá-lo, a ave bateu asas e voou para longe. Ele ficou ali, decepcionado com tamanha indiferença, esperava pelo menos uma arrulhadinha de alegria (sim, os pombos arrulham; eles não miam, nem cacarejam).

Quando passou por aquele sentimento e voltou a si, encontrou um rapaz parado ao seu lado, olhando para o céu na mesma direção que ele, em direção ao nada. Os dois se entreolharam e riram da situação. Um deles ofereceu um café para o outro, não se sabe se o café foi aceito ou não, mas o que dizem é que os dois viveram a mais engrandecedora história de amor daquelas bandas do continente. Até que um dia chegou a notícia de que um pombo ardiloso havia mergulhado para a morte numa panela fervilhante de frango ao molho pardo no restaurante da dona Quinzinha. Não se sabe se o amor resistiu àquele molho.

FIM

 

O poder, o cabelo, o medo e outras coisas do saco.

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Porque se fôssemos mesmo só um saco, um pacote de coisas ruins misturadas com coisas boas, tudo seria mais fácil.  O bom e o ruim estariam aqui dentro e eu saberia o que eles representam, rotulados e carimbados. Só que o pacote na verdade é cheio de coisas suas, se ruins ou boas é a sua experiencia com cada uma delas é que dirá. Naquela exata ocasião quem você é, onde está, que sapato está usando, como está emocionalmente, para onde está indo e com quem, tudo isso é que definirá se a coisa dentro de você é ruim ou boa ou as duas coisas.  Tudo isso pode fazer com que algo que ontem foi bom hoje seja o preludio do apocalipse.

O choro. Nesses últimos dias tirei essa coisa do pacote por três vezes. 1. Ao sentir que eu e o sistema havíamos falhado com um paciente. Fui pra dentro do meu carro e chorei por uns 10 minutos antes de sair pra almoçar. 2. Ao sentir que eu e o sistema havíamos sido eficientes com outro paciente. Chorei em casa, olhando para o teto e pensando que quando eu menos espero o universo conspira para que algo bom aconteça. Estudar ajuda o universo a conspirar a meu favor nesse caso. 3. Ao sentir que eu havia falhado comigo mesmo nesses últimos dias e que com isso havia magoado quem amava. Chorei um pouco a cada dia, choro que vinha de um suspiro ou de uma recordação. Chorar para mim já significou algo muito bom, chorava ao ver filmes que me tocavam, ao ouvir palavras que me emocionavam, ao me sentir triste com o mundo. Depois parei de chorar para não parecer fraco. E agora que voltei a chorar fiquei sem saber se era algo bom ou ruim num primeiro momento. Decidi que era bom porque pode ser um sinal de que ainda sou parte humano.

O medo. Baratas, aranhas e seres rastejantes a parte, eu quase nunca tive medo de nada nesse universo onde nos jogaram. Tenho que excluir lobisomens e altura também. A ultima já encaro numa boa, lobisomens já sei que não existem e o resto não deixei virar fobia. Aprendi a ter medo de minha finitude. Me disseram que isso era sinal de fraqueza. Então passei a ter medo mesmo só de decepcionar as pessoas, porque eu achava que não tinha esse poder e preferia não o ter de qualquer forma. Mas não é uma opção.

A força. Por muito tempo encarei o fato de alguém ser forte um risco de que essa pessoa se tornasse um tirano. Já vi tanta gente forte usando essa vantagem para oprimir e fazer sofrer. Maridos que batiam nas esposas, crianças maiores que humilhavam as menores. Eu preferia ser fraquinho e franzino e ter a voz fraca, não que eu me sujeitasse a ser oprimido, mas não queria de jeito nenhum ser opressor. Só que a força da gente está também é nas palavras e nos gestos, e eu cresci demais, e oprimir o próximo é mais fácil do que se pensa. Tudo que eu queria era que os meus atos incautos não repercutissem nas pessoas muitas vezes inocentes ao meu redor.

A culpa. Mãe é o melhor bicho que evolui das bactérias de bilhões de anos atrás do sopão primordial direto pra dentro de nossas casas. E são as melhores em plantar culpa em nossas mentes atormentadas. Sempre me senti culpado, tempo todo, um gasto enorme de energia. Por ser preguiçoso ou por ter tirado nota melhor que meu coleguinha ou por ser mais alto, ou mais feio, ou mais imperfeito, ou afeminado. Minha mãe achava que se eu me sentisse culpado eu cresceria mais robusto, mas a culpa tem horas que é tão pesada que não me deixar respirar direito. Acho que a culpa nunca é boa, mas pode ser necessária. Estou cheio dela.

O poder. Não o poder do tipo força descomunal ou habilidade de controlar a mente das pessoas, disso já falei. O poder no sentido de ser capaz de. Poder ser, poder ter, poder chegar, poder sentir, poder enxergar, poder comprar, poder sorrir, poder apagar. O meu poder esbarra nas minhas duvidas. Poder é bom e sempre será. Mas o poder devia andar sempre de mãozinhas dadas com o dever. Queria entender mais dos meus deveres para que os poderes não me soassem por vezes tão inúteis.

O cabelo. Quando eu era bobo, eu achava que um dia magicamente meus cabelos se tornariam volumosos, sedosos e viçosos e negros como algo muito preto. Eu teria um lindo topete e seria feliz para sempre. Só que quando eles, os cabelos, começaram a cair eu vi que não daria tempo pra que a transformação se desse e eu então fiquei deprimido e angustiado. Cabelo é bom porque protege a cabeça do sol, fora isso para que ele serve se não para nos dividir ainda mais? Para mim, se eu tivesse que decidir hoje, cabelo seria, sim, uma coisa ruim.

A vergonha. Como um tímido de humor duvidoso e personalidade borderline era de se esperar que a vergonha para mim fosse sempre algo ruim. Pronto, ruim. Mas é ela que mais me tira da minha zona de conforto, que me desestabiliza, que me faz refletir sobre minhas trapalhadas. Não humilhação que disso ninguém precisa, mas a vergonha me tira do sério. Já tive vergonha das minhas roupas, da voz, da sexualidade, da minha origem. Hoje só tenho vergonha de não aprender com meus erros. Vergonha de ainda acreditar demais no ser humano e acabar me machucando e machucando os outros por causa da minha ingenuidade/despreparo. Sim, vergonha é bom.

O erro. Quem muito se desculpa é quem muito erra. Mas também é quem se percebe como potencial agente causador de danos e de certa forma tem o cuidado de tentar no mínimo empatia com o sentimento do outro. Eu sempre me desculpei por tudo, mental ou verbalmente, desculpas por ser diferente, por ser burro, por ser inteligente, por ter atrasado, por não ter percebido, por ter te subestimado. Um dia me disseram para parar que estava chato. E estava. É bom mudar pelo menos com quem se erra já que os mesmos erros nos perseguem. Erro é ruim, e inevitável por vezes. Pedir desculpas é sempre bom.

E por aí vai. Você tira a coisa do seu pacote, olha bem pra ela e vê se naquela ocasião ela será boa ou não. Hoje eu tirei um bom punhado de saudades do meu pacote encardido. Olhei para ele, cintilava, pulsava e fazia doer. Na duvida se me faria bem ou mal, se era saudade boa ou ruim, a meti de volta no fundo do saco, debaixo da preguiça de acordar cedo  e da compulsão por chocolate. E a saudade está lá. Meia ruim por causa do momento, meia boa por sua natureza. Tem hora que não interessa se é bom ou não, o que é importa é se é hora de tirar de onde está ou não. Se vale a pena encarar, ou não.

“You can’t stop my happiness, cause I like the way I am”

I had the most delightful time today. So many patients to listen to, so many complaints, so many disabilities, so many hours listening, listening and listening, so many prescriptions, exams, wounds, stinky throats and infected ears. But between one patient and another I met a friend who I haven’t seen for more than a decade, she is working for a pharmaceutical industry and went to visit me to try to convince me to prescribe their drugs without even knowing I was the doctor she would brainwash next. I had great lunch with great friends and planned our friday night out. I learned something from my youngest patient, he’s only six days old, and taught something to my oldest one, 103 years old.

Life is always full of surprises, I woke up feeling a little odd, afraid of going out of bed in the morning and I can’t deny that for a few minutes I considered calling my boss sick. Thanks the goddess I stood up, if not I would have lost a damn great day. Just took a long shower and now I am waiting for my friend to call me so we’ll go out to eat something before our dancing night to start. I am not a big fan of night clubs but I am pretty excited about tonight ‘coz it’s the first time I go out with these friends to this kind of place, wonder what will happen. Hope no one end up dancing on tabletops.

Today I heard from a friend that she had quit her dream of being a pharmacist to work for this lab because of the money, I felt sorry for her, I know how hard it was at college and university so she finally became graduated. Now she goes from one doctor’s office to another talking about drugs that she doesn’t even believe that works, instead of doing researches, living inside a lab as she used to do. Well, life’s a bitch. Hope she can deal with it. Not everyone can live their dreams. Hope one day I can live at least part of mines. God, I can’t be very analytic now, I’ll end up sad under my banquets…

Hope everyone have a great Friday evening! 🙂 TGIF, TGIF, TGIF!

I have this song on my mind all day long… Love it, the original from Hairspray and also the Glee version

You Can’t Stop The Beat

Hairspray

You can’t stop an avalanche as it races down the hill
You can try to stop the seasons, girl, but you know you never will
And you can try to stop my dancing feet, but I just cannot stand still!

‘Cause the world keeps spinnin’ round and round
And my heart’s keepin’ time to the speed of the sound
I was lost ‘til I heard the drums, then I found my way
‘Cause you can’t stop the beat

Ever since this whole world began
A woman found out if she shook it, she could shake up a man
And so I’m gonna shake and shimmy it the best that I can today
‘Cause you can’t stop the motion of the ocean or the sun in the sky
You can wonder, if you wanna, but I never ask why
And you can try to hold me down, but I’m gonna spit in your eye and say
That You Can’t Stop the Beat!

Tracy: Whaddya have to say, Penny?
Penny: I am now a checkerboard Chick!

You can’t stop the river as it rushes to the sea
You can try to stop the hands of time, but you know it just can’t be!
And if they try to stop us, Seaweed, I’ll call NAACP

Cause the world keeps spinnin round and round
And my heart’s keepin time to the speed of sound
I was lost ‘til I heard the drums, then I found my way
Cause you cant stop the beat!

Ever since we first saw the light
A man and woman like to shake it on a Saturday night
So I’m gonna shake and shimmy it with all of my might today
Cause you cant stop the motion of the ocean, or the rain from above
you can try to stop the paradise were dreamin of
But you cannot stop the rhythm of two hearts in love to stay
Cause you cant stop the beat!

Tracy’s Mom: Tracy, I have little something I’d like to add if you don’t mind

You can’t stop my happiness, cause I like the way I am
And you just can’t stop my knife and fork when I see a Christmas Ham!
So if you don’t like the way I look, well, I just dont give a da**!

Cause the world keeps spinnin round and round
and my hearts keepin time to the speed of sound
I was lost ‘til I heard the drums, then I found my way
Cause you cant stop the beat

Ever since this whole world began
A woman found out if she shook it she could shake up a man
So I’m gonna shake and shimmy it the best that I can today!
Cause you can’t stop the motion of the ocean or the sun in the sky
You can wonder, if you wanna, but I never ask why
And you can try to hold me down, but I’ll spit in your eye and say
That you can’t stop the beat!

Tracys Mom: Wilbur, be a dear. Fetch some oxygen…now!!

Seaweeds Mom: Step aside, Miss. Buttercup! It’s time to wrack this mutha up!

Oh, Oh, Oh
You can’t stop today [No!]
As it comes speeding ‘round the track [oooh, child yes!]
Yesterday is history [be gone!]
And it’s never comin back! [Look ahead, cause…]
Tomorrow is a brand new day, and it don’t know white from black [Yeah!]

‘Cause the world keeps spinnin’ round and round
And my heart’s keepin time to the speed of sound
I was lost til I heard the drums, then I found my way
‘Cause you cant stop the beat!

Ever since we first saw the light,
A man and woman like to shake it on a Saturday night
So I’m gonna shake and shimmy it with all of my might today!
Cause you cant stop the motion of the ocean, or the rain from above
They can try to stop the paradise we’re dreamin of
But you cannot stop the rhythm of two hearts in love to stay
You can’t stop the beat!

Aah, aah, aah,
Ahh, ahh, ahh
Ahh, ahh, ahh ahh
Come on you Vantussles go and shake your fanny muscles!!
We can’t!
Yes you can!
No we can’t!
Yes you can!
Yes we can!
You cant stop the beat!

Ever since we first saw the sign
It seems Vantussle girls are always tryin to be someone
But now we’re gonna shake and shimmy it and have some fun today!
Cause you can’t stop the Motion of the ocean or the rain from above
You can try to stop the paradise were dreamin of
But you cannot stop the rhythm of two hearts in love to stay!
Cause you cant stop the beat!
You cant stop the beat
You cant stop the beat
You cant stop the beat!!

Unsent letters – Another one bites the dust

Unsent

Dear W, the first time I felt in love in adulthood it was with you.

Few weeks ago I heard you’re dating an old friend of mine.

I felt happy for you both. Hope he manages your tumultuous agenda.

When we were together my priority was neuroanatomy.

Yours were a promotion that never came.

I was just a kid then. Maybe I’m still one. But you’re not getting any younger.

The age/money gap sealed our destiny.

 

Dear E, I never really loved you.

I hated the way you showed me to your friends as a trophy.

Think I just loved the feeling of having someone to call my own. 

I’ll never understand how I managed to spend so much time with you.

I learned from you that money won’t make me a better person.

‘Coz you were so rich and yet so shallow.

Thank you for introducing me to Twix and Moulin Rouge.

 

Dear D, you were my forbidden fruit.

The five thousand miles between us didn’t look like a problem back then.

I’d quit my world for you. I’d try to stop the earth for you. 

You were only emotionally available when I was far away.

I never felt so lonely as I did when we were finally on the same room.

No hard feelings. Now I know I am not just fine, I am great.

Hope all your dreams have come true by now.

I miss your cat, he licked me like no one else ever did.

 

Dear J, you rocked my world.

At the end we learned that somethings within us can never be unleashed.

But before that I felt safe and complete when you held me in your arms.

Loved the way you were always there for me.

We grew, we saw the world and then followed different ways.

We lost a son, we cried, we were uncomfortable.

Hope someday you will forgive me for being such a badass. I’ve already forgiven you. 

You will always live in a special place in my heart.

 

Dear E, we didn’t have much time.

You showed me that life goes on even if we don’t want it too.

You’re one of the kindest human beings I’ll ever known.

And also the most complicated one.

Unfortunately I was lost and you tried to rule my life for me.

You knew I was untamed.

I appreciate the tenderness and the support you once gave me.

Your artistic spirit inspired me but, truth be told, we were never lovers.

I am not sure if  I could have loved you in a different situation.

Dear A, when we where together the world seemed small

We were hot, but even the sun one day will get colder and then explode.

You really cared about my pleasure, but not my dreams

I couldn’t understand where you were going and I didn’t want to follow you

I do hope we meet in future, I want it so bad to see you sparkling.

You deserve no more than greatness.

If you could see me now you’d be proud.

Dear R, you pushed me to my limits!

And I salute you for you perseverance in face of my stubbornness.

Usually I don’t test my limits ‘coz I don’t want to remember I’m not almighty.

I am truly thankful for all the laughs we shared,

for all the irony only we, together, could spread in the world. 

You’re the one I’ll miss the much because I have loved you for what you were. 

We learned passion can undo the best of us and lead to tragedy…

Try always to care about others as you think you do. 

I’ve never painted myself into something better than I was

and you never seemed to fell my brightest colors. 

 

Inspired by the goddess’ Alanis Morissette Unsent song, from the unique Supposed Former Infatuation Junkie Album.

Here it comes again.

Sempre quis ter um diário, desde muito pequeno, quando aprendi a escrever. Achava fascinante ver que alguns amigos, a maioria mais velhos, tinham disciplina e assunto suficientes para religiosamente se assentarem a preencher páginas e páginas a respeito daquilo que os havia ocorrido ao longo do dia, seus medos, descobertas e expectativas. Adorava quando eles me pediam pra ler suas anotações, eu viva então com eles suas experiências e me sentia extasiado.

Minha mãe me disse que menino da minha idade não usava agenda e me comprou a mais simples que tinha na papelaria da Dona Elza, nem agenda era, era um caderno disfarçado. Eu tinha oito anos na época e confesso que não durou muito minha empreitada. Primeiro porque vi que o que acontecia comigo era sempre a mesma coisa, dia após dia, era sempre café da manhã, escola, almoço, brincar na rua à tarde, banho, dever de casa, dormir e, no dia seguinte, tudo se repetia. Nada de interessante, nada que me empolgasse ou pudesse empolgar os meus amigos. Aos oito anos de idade eu ainda não sabia enxergar minha fortuna. E, segundo, eu odiava aquele caderno azul com os dizeres Agenda Escolar na capa, era um insulto, afinal a agenda era pra ser minha, nada que ver com escola.

Na segunda tentativa eu já era adolescente, iniciei o registro do meu dia-a-dia na tarde em que ganhei meu primeiro computador, em fevereiro de 1996, usando um editor de textos com corretor ortográfico e contador de palavras. Achei o máximo, estipulei para mim mesmo um número mínimo de palavras e parágrafos que deveriam ser escritos por dia. Dessa vez fui mais longe, escrevi por quase dois meses, quando um software malicioso, vulgo vírus, me fez perder tudo. Dessa vez eu fiquei triste, tinha anotações interessantes e eu já sabia aproveitar da minha felicidade clandestina nessa fase da vida. Fiquei desanimado e acabei não reiniciando o projeto, uma pena, pois aquela foi uma das fazes mais ricas da minha curta existência.

Essa é minha terceira e derradeira tentativa. E porque acho que dessa vez irei adiante? Não sei, mas sinto que dessa vez é a necessidade. Eu mantenho aquele desejo infantil de registro, para mim e para aqueles que gostam de mim. Entendo finalmente que não sou bom em me expressar e essa urgência dentro de mim por escrever é mesmo uma forma de tentar compensar o universo que escondo aqui dentro de mim. Sinto me agoniado, sufocado com tanta coisa dentro de mim e eu não conseguir compartilhar, sinto que me passo por alguém tão sem ter o que dizer, mas não é verdade.

Quero registrar minhas impressões dos detalhes, porque no frigir dos ovos a vida é mesmo um círculo, ou melhor ainda, uma espiral, e da rotina eu não conseguirei me livrar, mesmo que eu ganhe os cem milhões na loteria daqui a duas semanas. Percebo que o adoecer da minha rotina, o excesso de trabalho, o pouco tempo com os amigos e as desilusões pelas quais passo estão me fazendo perder o interesse nesse mundo. E não quero que isso aconteça. Escrever nesse momento, mais que registro, será resgate de mim mesmo. Aprendi que não devo criar um diário da forma como planejei das outras vezes, depois de conhecer Borges num seminário na FAFICH vi que é impossível mesmo fazer o registro de tudo o que se vive, não quero chegar ao ponto de só ter para registrar o ato de registrar.

Pois bem. Já participei como convidado de um blog, me diverti demais na época escrevendo e lendo textos cômicos, em sua maioria paródias da vida real usando como fundo enredos de filmes, desenhos animados e delírios de jovens adultos com espírito de crianças. Mas me considero novato nessa área e não sei se blog é o melhor formato para ser usado para o que eu quero. Pensei num livro, mas não tenho gabarito pra isso. Orkut, Facebook, Twitter e afins me irritam ultimamente. Muito aberto e impessoal. Acho que no blog posso criar meu cantinho. Acho.

São benvindos aqui todos os meus amigos, os curiosos, as pessoas que fizeram parte do meu passado e as que podem fazer parte do meu futuro. Quero treinar bastante minha capacidade de síntese, não é meu forte, quando começo a escrever parece que abro uma torneirinha aqui dentro que não se fecha com facilidade. Já tenho tanto material salvo pronto pra ser publicado, mas não sei se o utilizarei, quero me adaptar a esse novo formato.

Grande abraço e prometo posts em muito breve e com frequência.