Tarde

E foi assim. Ele fechou o livro que tentava terminar de ler a mais de um ano e correu até a porta, pensou ter ouvido alguém chamando no portão, mas tratava-se apenas de seu irmão vendo televisão num volume mais alto que o habitual. Com o coração já batendo mais forte e a decepção estampada no rosto, voltou-se para a leitura que insistia em ser tediosa.

A pessoa por quem ele esperava não costumava aparecer assim de surpresa, muito menos quando ele desejava. Mas ela aparecia. E a sensação que ele tinha era de que o amor de sua vida vinha para os seus braços acorrentado, amordaçado, obrigado por uma força invisível a comparecer.

E ele suspirou, não se sabe se de contentamento ou desalento, mas suspirava naquele exato momento. Mais uma vez pôs o livro de lado, pegou uma toalha e foi tomar um banho. Chorou debaixo do chuveiro, soluçava e não sabia o porquê. Lágrimas na chuva. Desligou a água, se recompôs. Escolheu uma roupa bem bonita, passou cremes no rosto, no corpo, nos cabelos. Se perfumou, colocou seu melhor relógio, pulseira de couro de avestruz e vidro de safira. Se olhou no espelho, se achou bonito e não conseguiu sorrir para si mesmo. Pensou em sair, ou em tirar o relógio e usar uma pulseira de metal, ou em comer algo bem gostoso, pensou em ir até o parque andar de patins, quis ver um filme bem bom no cinema do shopping.

Seus cães sorriam para ele, pensou em aproveitar seu tempo livre e passear com os dois, mas eles estavam sujos e na verdade precisavam de um banho, mas como já estava todo arrumado para sair não queria se sujar com os cachorros. Se ele estivesse aqui, me obrigaria a dar banho neles, pensou alto. Acariciou suas cabeças e foi para a cozinha, seguido de perto por seus fiéis escudeiros e por seu sentimento de inadequação.

Quis telefonar ou mandar mensagens e fotos engraçadas para o seu amor. Mas, achando que isso não fazia sentido nem diferença no dia do homem de sua vida, resolveu então não interagir. Quis amar menos ou não amar nada. Sentiu vertigem, tomou um comprimido para dor de cabeça, apesar de não ter crises de enxaqueca a mais de 20 anos, sabia que agora viria uma das fortes. Preferia o vazio a dor, ou ao amor, pelo menos naquele segundo. Preferia café a achocolatado, mas o café estava frio e misturou seu leite semi-desnatado com um pouco de Toddy.

Voltou para o quarto e de cima da cama o livro o encarava. Faria qualquer coisa para evitar sua realidade, que não era tão ruim, mas que não merecia ser encarada por ele naquele momento. A verdade é que não tinha desejo de fazer nada e fazer nada é sempre inadmissível segundo os estudiosos de Veja. Pensou numa pizza de camarão com molho de tomates, seu namorado adorava essa pizza e ele adorava vê-lo comendo e sorrindo como se a alegria pudesse ser devorada, fatia por fatia, em oito pedaços.

Pegou mais uma vez o telefone, nenhuma mensagem nova, nem um sinal de que seu amado o havia escolhido naquele momento. Pela ultima vez naquele dia pegou o livro e, enquanto tirava as calças, se equilibrava para ler as seguintes palavras: Se tinha de permanecer sozinho, faria da solidão sua armadura. Armadura, ele pensou: sempre usei uma ou duas, das pesadas, me faziam sentir segurança e me escondiam de mim mesmo.

Adormeceu com o livro nas mãos, sonhou que era um príncipe na Inglaterra antiga e que tinha se apaixonado por um lorde de terras estrangeiras, os dois se amavam, mas não falavam a mesma língua e não sabiam se presentear porque para o lorde o importante era o que era de bronze e o príncipe só usava prata. Um dia a rainha mandou cortar sua cabeça com medo de que ele reivindicasse o trono e ele resolveu fugir para o bosque, onde foi feliz por um tempo, até morrer da doença do suor .

FIM

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Quando alguém tenta te magoar mas você está morto por dentro a anos.

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Preciso Aprender a Ser Só

Ah, se eu te pudesse fazer entender
Sem teu amor eu não posso viver
Que sem nós dois o que resta sou eu
Eu assim tão só
E eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu calor
A ver que foi só um sonho e passou

Ah, o amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses teus olhos que foram tão meus
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor

Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor
Ah o amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses teus olhos que foram tão meus
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor

Nada excepcional

Eu te disse que aquele era o verdadeiro eu

que eu não era nada demais.

Repeti quarenta e duas vezes..

Veio a tempestade em seu ápice – meu destino nunca estivera mais solto ao sabor do vento

E não aconteceu nada fora do normal, nada estranho

Quase que não aconteceu nada para ser mais exato.

O mesmo cenário de sempre,

A mesma velha chuva.

Mas cessaram os raios, trovões e explosões

Eu me vi voando pela janela

Leve como uma locomotiva.

Você me viu desaparecer?

Então de súbito, quase que de repente,

como todas as coisa que julgo que serão boas e belas, algo fora do comum,

estranho e maior e mais brilhante que as gotas de chuva que caiam em meu rosto,

veio do nada,

por entre as folhas que o vento agitava.

E eu te pedi:

Venha se assentar na soleira da minha porta,

me leia a história das histórias.

Diga que você ainda acredita

que o final de tudo, do século, da vida, dos ciclos, do choro,

que o fim trará mudanças para você,

e para mim.

Você me ensinou que a tempestade eram apenas lágrimas desnecessárias

E que o gosto azedo que eu sentia era por causa dos meus joelhos inflexíveis

Você prometeu que se eu cantasse os estrondos dos trovões iriam embora

Que os monstros estavam saindo dos meus ouvidos porque eu tinha parado de andar de bicicleta

E que por entre os meus lábios escorriam pesadelos simplesmente porque eu não os engolia com mel e hortelã

Nada excepcional, nada mudou

Eu só fiquei um pouco mais velho, e foi tudo

Talvez um pouco mais distante daquele que um dia eu fui.

Pois eu não sou um milagre

Nem para mim nem para os outros

Desculpe se eu não fui o seu mais raro amor, feito de latão e fuxicos

E eu não sou um mártir

Talvez um soldado descalço, exilado numa estrada de lama

Arrastando algumas nuvens comigo

Delas chovem mil histórias subvividas

Pingam ilusões de minha vida abortada

– sabotada –

pelo vilão dos vilões, aquele de quem não se foge nem se escapa,

na pele de quem habito.

Nada aconteceu. Nada estranho

Só o velho cenário de sempre.

O mesmo cenário de sempre.

Fábio Oliveira de Souza,  25/11/2015

Por mais que você a ignore, ela não vai embora.

Calm down, crazy heart!

Não tenho muitos amigos nem sou popular. Tenho os amigos que preciso, e preciso muito, e não preciso de nada mais que isso. Hoje fiquei feliz como pinto no lixo quando um ator global de quem sou fã curtiu uma foto minha no Instagram. Em seguida comi um chocolate e esqueci do ocorrido. Fama não me apetece… Não que eu tenha gozado dela um dia, mas não me faz falta. Tenho tudo que preciso, menos um amor. Mas isso é outra história.
Ouvi Pato Fu hoje e fiquei meio deprê. Muita informação e muitos links pessoais por trás das musicas dessa banda. Ouço desde o ensino médio e isso já tem mais de uma década. Muitas histórias de amizade, saudade bateu forte de gente que não vejo há anos. Fiquei grilado com minha dificuldade em fazer e manter amigos mais íntimos, mas acho que tenho mesmo é que cuidar dos que já tenho, e se vierem novos tratar de rever minha conduta para com eles.
Tenho a madrugada como companheira e tenho que descansar para dar conta do tranco amanhã. Quero ver meus amigos. Que Morfeu cuide bem de mim hoje e que eu sonhe com quem eu amo 🙂
Bons sonhos!

imageE se quiser saber se volto, diga que sim! Mas só depois que a saudade se afastar de mim… Pato Fu