O menino do pombo e o pombo ou O abismo das paixões

Na vila onde nascera era costume entre as meninas e mulheres solteiras escrever as características do homem desejado num pedaço bem pequeno de pano, amarrá-lo no pé direito de um pombo e então soltar a ave num dos bosques da região. Se aquele pombo sobrevivesse aos próximos três dias, o desejo seria atendido e o amor de sua vida apareceria no dia da morte da ave. Caso contrário (se a ave morresse antes de três dias ou fosse imortal), era melhor entrar para um convento. O grande problema detectado pelas gerações mais novas era que um pombo podia viver por até vinte anos e a maioria das mulheres não queria esperar todo aquele tempo para se casar. Foi então que o prefeito teve uma ideia brilhante: decidiu que o dia de soltar o pombo aconteceria sempre na segunda quinta-feira do mês de julho, ao invés de cada pessoa soltar o pombo no dia que preferisse. E ainda mais, no domingo subsequente seriam liberados falcões ferozes e enormes e famintos e devoradores de pombos, com o intuito de ajudar suas eleitoras encalhadas a arrumar maridos de forma mais rápida e eficiente.

Oportunistas escreveram livros sobre como escolher o pombo correto e as palavras a serem escritas no pano: “Nada de escrever palavras grandes e rebuscadas, seja lá quem for que lê os pedidos e os atende prefere palavras curtas e claras, como: rico, fiel, mantenedor. Evite expressões, como bom pai, grande amante, taludo, pois essas podem gerar confusões, e reclamações posteriores nunca são aceitas”. O tipo de pano utilizado era importante, “nada de juta ou algodão, escreva num pedaço de cetim ou seda pura, que podem ser encontradas no armazém do Seu Agamenon”. Os pet-shops das cidades vizinhas se especializaram em vender o que prometiam ser pombos de subespécies exóticas, alguns gordos e pouco velozes, boas presas para os falcões; outros que exalavam um cheiro forte que atraía predadores a quilômetros de distância.

Às vésperas do Primeiro Dia Oficial da Soltura do Pombo o menino sentia-se confuso: sua mãe soltou seu pombo aos 13 anos e conheceu seu pai aos 18. Sua avó soltara o pombo aos nove e aos 12 já estava casada com seu avô. Não haviam registros de que homens já haviam participado do ritual e ele acreditava que seu pedido seria aceito como o de qualquer outra pessoa pois vivia em tempos em que se dizia que amor era tudo igual. E ideia de ter seu pombo estraçalhado por um falcão três dias após sua soltura o deixava desesperado.

Esperava que o pombo alçasse voo bem alto, viajasse por outros vilarejos, experimentasse todos os tipos de sementes disponíveis nessas terras e em outras, antes de se deitar a noite num ninho quentinho e morrer de velho. O pombo que ele escolhera tinha nascido no quintal de sua casa, ele o resgatara alguns meses antes, ainda filhote, quase sem penas caído do telhado. Cuidou do bicho e acreditava que a mãe do despenado havia sido capturada para ser vendida no mercado negro.

Decidiu soltar sua ave em outro local. O motorista do ônibus para a Capital estranhou aquele menino sair sozinho da vila justo naquele dia, de celebrações e festejos. Mas dirigiu pelas ruas sinuosas rumo a cidade grande, com seu único passageiro a bordo carregando uma caixa de sapatos cuja tampa não queria ficar no lugar.

Desceu do ônibus no meio do caminho, no ultimo ponto antes do veículo abandonar os limites geográficos de seu vilarejo. Ele frequentava aquela região com seu avô quando o velho ainda fazia comercio de queijos com moradores da zona rural, mas agora ele estava muito velho e cansado e os queijos daquele lugar nao eram bons como antigamente. Distraído com essas memórias, andou até a beira de um grande desfiladeiro, chamado de Abismo das Paixões.

Seu avô nunca o deixara chegar tão perto do enorme vão que se estendia por quilômetros, até quase se perder de vista. Lá no fundo se viam algumas árvores tortuosas, distantes, desinteressadas no que acontecia fora do buraco onde viviam. Seu avô dizia que a vista era extasiante, apaixonante, e que era perigosa pois muita gente havia se apaixonado pela vista e se perdido nas profundidades do abismo em tempos de desespero.

Pegou seu amigo de penas com muito cuidado e deixou a caixa de lado. Hesitou antes de abrir as mãos e deixá-lo livre, O mundo lá fora era tão hostil, seria melhor mantê-lo seguro em casa, no galinheiro com cerca de tela de metal feita por seu pai. O pombo já estava aprendendo a se comportar como as galinhas e elas já não o bicavam de forma feroz como outrora. Mas algo dentro dele dizia que era a hora de deixar seu companheiro ir. Liberou um dedo de cada vez, relaxando a pressão que fazia sobre o corpo da ave. A mesma não voou logo de cara, num primeiro momento parecia estar com medo da ventania que se abatia sobre eles ali na beirada daquele precipício. Olhou ao redor, olhou para o menino, ergueu a cabeça, estufou o peito e se lançou no vazio.

Sete anos se passaram, ele viu seus amigos e amigas crescerem, se apaixonarem e se casarem; se divorciarem e não saberem lidar com a solidão. As pessoas perderam interesse no ritual com os pombos no dia em que a Apple lançou um pombo eletrônico que tinha painel de LCD sensível ao toque e se conectava a qualquer rede wi-fi sem muita dificuldade. Todos preferiam ficar com o pombo e utilizá-lo para acessar uma das trezes indispensáveis redes sociais disponiveis naquela época.

Num dia besta como outro qualquer, ele voltava do seu trabalho como balconista na mercearia da rua principal quando viu seu pombo descansando sobre a caixa de correio de uma casa na qual ele nunca tinha reparado até então. O não mais menino, o agora jovem rapaz, se aproximou do animal acreditando que também seria reconhecido, mas quando estava a dois passos de tocá-lo, a ave bateu asas e voou para longe. Ele ficou ali, decepcionado com tamanha indiferença, esperava pelo menos uma arrulhadinha de alegria (sim, os pombos arrulham; eles não miam, nem cacarejam).

Quando passou por aquele sentimento e voltou a si, encontrou um rapaz parado ao seu lado, olhando para o céu na mesma direção que ele, em direção ao nada. Os dois se entreolharam e riram da situação. Um deles ofereceu um café para o outro, não se sabe se o café foi aceito ou não, mas o que dizem é que os dois viveram a mais engrandecedora história de amor daquelas bandas do continente. Até que um dia chegou a notícia de que um pombo ardiloso havia mergulhado para a morte numa panela fervilhante de frango ao molho pardo no restaurante da dona Quinzinha. Não se sabe se o amor resistiu àquele molho.

FIM

 

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O poder, o cabelo, o medo e outras coisas do saco.

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Porque se fôssemos mesmo só um saco, um pacote de coisas ruins misturadas com coisas boas, tudo seria mais fácil.  O bom e o ruim estariam aqui dentro e eu saberia o que eles representam, rotulados e carimbados. Só que o pacote na verdade é cheio de coisas suas, se ruins ou boas é a sua experiencia com cada uma delas é que dirá. Naquela exata ocasião quem você é, onde está, que sapato está usando, como está emocionalmente, para onde está indo e com quem, tudo isso é que definirá se a coisa dentro de você é ruim ou boa ou as duas coisas.  Tudo isso pode fazer com que algo que ontem foi bom hoje seja o preludio do apocalipse.

O choro. Nesses últimos dias tirei essa coisa do pacote por três vezes. 1. Ao sentir que eu e o sistema havíamos falhado com um paciente. Fui pra dentro do meu carro e chorei por uns 10 minutos antes de sair pra almoçar. 2. Ao sentir que eu e o sistema havíamos sido eficientes com outro paciente. Chorei em casa, olhando para o teto e pensando que quando eu menos espero o universo conspira para que algo bom aconteça. Estudar ajuda o universo a conspirar a meu favor nesse caso. 3. Ao sentir que eu havia falhado comigo mesmo nesses últimos dias e que com isso havia magoado quem amava. Chorei um pouco a cada dia, choro que vinha de um suspiro ou de uma recordação. Chorar para mim já significou algo muito bom, chorava ao ver filmes que me tocavam, ao ouvir palavras que me emocionavam, ao me sentir triste com o mundo. Depois parei de chorar para não parecer fraco. E agora que voltei a chorar fiquei sem saber se era algo bom ou ruim num primeiro momento. Decidi que era bom porque pode ser um sinal de que ainda sou parte humano.

O medo. Baratas, aranhas e seres rastejantes a parte, eu quase nunca tive medo de nada nesse universo onde nos jogaram. Tenho que excluir lobisomens e altura também. A ultima já encaro numa boa, lobisomens já sei que não existem e o resto não deixei virar fobia. Aprendi a ter medo de minha finitude. Me disseram que isso era sinal de fraqueza. Então passei a ter medo mesmo só de decepcionar as pessoas, porque eu achava que não tinha esse poder e preferia não o ter de qualquer forma. Mas não é uma opção.

A força. Por muito tempo encarei o fato de alguém ser forte um risco de que essa pessoa se tornasse um tirano. Já vi tanta gente forte usando essa vantagem para oprimir e fazer sofrer. Maridos que batiam nas esposas, crianças maiores que humilhavam as menores. Eu preferia ser fraquinho e franzino e ter a voz fraca, não que eu me sujeitasse a ser oprimido, mas não queria de jeito nenhum ser opressor. Só que a força da gente está também é nas palavras e nos gestos, e eu cresci demais, e oprimir o próximo é mais fácil do que se pensa. Tudo que eu queria era que os meus atos incautos não repercutissem nas pessoas muitas vezes inocentes ao meu redor.

A culpa. Mãe é o melhor bicho que evolui das bactérias de bilhões de anos atrás do sopão primordial direto pra dentro de nossas casas. E são as melhores em plantar culpa em nossas mentes atormentadas. Sempre me senti culpado, tempo todo, um gasto enorme de energia. Por ser preguiçoso ou por ter tirado nota melhor que meu coleguinha ou por ser mais alto, ou mais feio, ou mais imperfeito, ou afeminado. Minha mãe achava que se eu me sentisse culpado eu cresceria mais robusto, mas a culpa tem horas que é tão pesada que não me deixar respirar direito. Acho que a culpa nunca é boa, mas pode ser necessária. Estou cheio dela.

O poder. Não o poder do tipo força descomunal ou habilidade de controlar a mente das pessoas, disso já falei. O poder no sentido de ser capaz de. Poder ser, poder ter, poder chegar, poder sentir, poder enxergar, poder comprar, poder sorrir, poder apagar. O meu poder esbarra nas minhas duvidas. Poder é bom e sempre será. Mas o poder devia andar sempre de mãozinhas dadas com o dever. Queria entender mais dos meus deveres para que os poderes não me soassem por vezes tão inúteis.

O cabelo. Quando eu era bobo, eu achava que um dia magicamente meus cabelos se tornariam volumosos, sedosos e viçosos e negros como algo muito preto. Eu teria um lindo topete e seria feliz para sempre. Só que quando eles, os cabelos, começaram a cair eu vi que não daria tempo pra que a transformação se desse e eu então fiquei deprimido e angustiado. Cabelo é bom porque protege a cabeça do sol, fora isso para que ele serve se não para nos dividir ainda mais? Para mim, se eu tivesse que decidir hoje, cabelo seria, sim, uma coisa ruim.

A vergonha. Como um tímido de humor duvidoso e personalidade borderline era de se esperar que a vergonha para mim fosse sempre algo ruim. Pronto, ruim. Mas é ela que mais me tira da minha zona de conforto, que me desestabiliza, que me faz refletir sobre minhas trapalhadas. Não humilhação que disso ninguém precisa, mas a vergonha me tira do sério. Já tive vergonha das minhas roupas, da voz, da sexualidade, da minha origem. Hoje só tenho vergonha de não aprender com meus erros. Vergonha de ainda acreditar demais no ser humano e acabar me machucando e machucando os outros por causa da minha ingenuidade/despreparo. Sim, vergonha é bom.

O erro. Quem muito se desculpa é quem muito erra. Mas também é quem se percebe como potencial agente causador de danos e de certa forma tem o cuidado de tentar no mínimo empatia com o sentimento do outro. Eu sempre me desculpei por tudo, mental ou verbalmente, desculpas por ser diferente, por ser burro, por ser inteligente, por ter atrasado, por não ter percebido, por ter te subestimado. Um dia me disseram para parar que estava chato. E estava. É bom mudar pelo menos com quem se erra já que os mesmos erros nos perseguem. Erro é ruim, e inevitável por vezes. Pedir desculpas é sempre bom.

E por aí vai. Você tira a coisa do seu pacote, olha bem pra ela e vê se naquela ocasião ela será boa ou não. Hoje eu tirei um bom punhado de saudades do meu pacote encardido. Olhei para ele, cintilava, pulsava e fazia doer. Na duvida se me faria bem ou mal, se era saudade boa ou ruim, a meti de volta no fundo do saco, debaixo da preguiça de acordar cedo  e da compulsão por chocolate. E a saudade está lá. Meia ruim por causa do momento, meia boa por sua natureza. Tem hora que não interessa se é bom ou não, o que é importa é se é hora de tirar de onde está ou não. Se vale a pena encarar, ou não.

O nunca e eu

Quando adolescente eu costumava acreditar que algumas palavras eu nunca diria, que alguns livros eu nunca leria e que por algumas trilhas eu nunca, nunca passaria. Quantos “nuncas” para um serzinho só. Pessoas ao meu redor não só acreditavam em minhas convicções como me apoiavam e se tornavam meus seguidores. Até os meus dezoito anos eu talvez tenha sido alguém certinho e que não levaria meus fiéis seguidores até a beira de um precipício. Mas o tempo, esse ingrato, veio e levou meus “nuncas” como se fossem folhas secas em uma dessas lindas árvores de regiões temperadas, as despindo sem dar notícia, simplesmente porque é chegada a hora. Hoje em dia quem me segue em minhas convicções pode não despencar de um desfiladeiro, mas vai viver com a mente muito inquieta.

Há pouco mais de uma semana eu estava me despedindo de um lugar onde experimentei sensações que eu nunca imaginei que um dia a vida me proporcionaria. Mergulhei ao lado de dois seres extremamente exóticos aos meus olhos ainda verdes: um tubarão de quase três metros de comprimento e uma neozelandesa de um metro e meio, essa última de dentes amedrontadores e de gênio mais feroz que o Cão. Eu, que morro de medo do mar, solto naquela imensidão azul-esverdeada, cheia de vida com a morte espreitando, com aquele monte de tubos e mangueiras e marcadores me oferecendo oxigênio, soltando borbolhas e controlando minha sobrevivência.

Foi a última aula prática de mergulho em mar aberto e talvez a primeira e única vez em minha vida que consegui não pensar em nada, nada, nada. Não cheguei a me sentir a mãe do mundo e felizmente não havia nenhum rato morto para ser pisado e me tirar daquele momento de epifania. Ao invés disso havia meu sentimento de realização, parecia que eu poderia morrer ali e que tudo estaria bem. Mas eu não queria morrer, claro, pois estava tudo muito bom, gostoso e eu estava quentinho dentro daquela roupa de mergulho alugada. Machuquei-me todo durante esse último mergulho: eu bati o pé numa pedra debaixo d´água, ralei uma das mãos num paredão de corais mortos e ao sair do mar uma onda me jogou nas pedras, onde joelho foi ralado e meu humor fraturado. Por dentro eu me sentia uma criança, mas eu tinha que me levantar, e sair da água, e procurar outros “nuncas” para serem desafiados.

Nesse momento, agora, enquanto escrevo, eu gostaria de estar lá, mas eu tenho que estar aqui. Eu que nunca pensaria em deixar o Brasil. Tive que voltar a ser doutor. Eu gostaria mesmo é de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, mas sei que nisso há uma contradição, e eis um problema porque meu corpo está caminhando para os quarenta e a minha cabeça continua ali por volta dos… dez. Eu quero ser jovem mas eu tenho que ser velho, eu quero uma nova chance apesar de não ter perdido as melhores  que me apareceram. Voltei das férias extremamente desconfortável e inquieto, acho que é falta das drogas lícitas que atuavam no meu telencéfalo desenvolvido, ou o excesso das ilícitas que eu nunca experimentaria até que um dia aconteceu a Austrália.

Eu que nunca deixaria de acreditar em deus, nunca comeria azeitona conscientemente, nunca usaria Botox, nunca trairia a pessoa amada, nunca conheceria Londres, nunca votaria em branco, nunca seria ganancioso, nunca causaria mal aos outros, nunca esqueceria o dia do casamento de uma das minhas melhores amigas, nunca roubaria o sorriso de um desconhecido, nunca faria fofoca, nunca pularia de bungee jump, nunca aprenderia outras línguas. Até que eu comecei a viver. Experimentar o mundo ao meu redor consciente do poder que eu tenho em afetar os outros e tentando causar o menor impacto negativo no universo e nas pessoas. Acho que é por aí. Uma hora eu conseguirei me livrar de todos os nunca sem me tornar um degenerado, drogado marginalizado pela sociedade. Não acho que seja mais prazerosa a sensação de fazer algo que eu pensava que jamais faria, mas é interessante refletir sobre o ocorrido, pois aquilo com que sonho e consigo realizar é previsível, até o prazer decorrente disso de certa forma é menos gratificante. Saindo do nunca e se tornando realidade, ah, isso sim, é prazer in natura.

Lá na Austrália as pessoas dirigem do lado errado das vias, os volantes dos carros estão todos do lado errado, alguns caminhoneiros têm unicórnios de pelúcia enfeitando o para-brisa de seus veículos de trabalho, as pessoas praticam muito esporte e o Big Mac é o mais caro do mundo (talvez por isso eles sejam tão bonitos e elegantes). E os homens são mais bonitos que uma torta de morango com chantilly em dia de domingo. Como são sexys… e na maior parte do tempo parecem não tomar nota disso, beleza um pouco mais ingênua do que a que encontramos do lado de cá do Pacífico. E corteses, mais que os brasileiros ou os franceses, juntos. Não vi koalas ou kangaroos correndo soltos pelas ruas e não vi uma criança sequer jogando boomerang nos parques de Sydney. As pessoas que trabalham nas obras são irlandesas e quem não é branco geralmente é chamado de negro e ninguém se importa com isso. Ah, e eles perguntam qual sua descendência por curiosidade, pra achar algum parentesco, não para saber se você é da família rica ou um mero Silva. A água é mais cara que refrigerante e existem mendigos que pedem para você rotear a internet do seu iPhone para eles possam acessar redes sociais em seus smartphones imundos. Tanta coisa que tem lá na Austrália, só indo lá ver.

Archibald specified that it must be designed by a French artist, both because of his great love of French culture and to commemorate the association of Australia and France in World War I. He wished Sydney to aspire to Parisian civic design and ornamentation.

Archibald specified that it must be designed by a French artist, both because of his great love of French culture and to commemorate the association of Australia and France in World War I. He wished Sydney to aspire to Parisian civic design and ornamentation.

Bondi Beach

Bondi Beach + Life Proof Shield for iPhone 5!

Mom, I’m finally here! St Mary’s Cathedral

Bondi Beach

Bondi Beach. Sunny day 🙂

Oz is not just about koalas and Kangaroos. Unicorns are the new black among the truckers.

Concluída em 1932, demorou 8 anos a ser construída. O comprimento total do tabuleiro principal são 1 149m. O arco que suporta o tabuleiro, tem um comprimento de 503m e um peso de 39 000 toneladas. O ponto mais alto do arco está 134m acima do nível do mar.

Concluída em 1932, demorou 8 anos a ser construída. O comprimento total do tabuleiro principal são 1 149m. O arco que suporta o tabuleiro, tem um comprimento de 503m e um peso de 39 000 toneladas. O ponto mais alto do arco está 134m acima do nível do mar.

Adoro essas fotos panorâmicas do iphone 5.

Maravilha, e viva a função panorâmica do iPhone

Australia: a great idea!

Australia: a great idea!

Sydney Opera House

Sydney Opera House

Sydney Opera House

Sydney Opera House

Correndo pela cidade

My friend Jamie took me to a Australian Football match. Fantastic!

My friend Jamie took me to a Australian Football match. Fantastic!

"Nothing like a glass of pinot and rolling around in the dirt"

“Nothing like a glass of pinot and rolling around in the dirt”

A cliff top coastal walk, the Bondi to Coogee walk extends for six km in Sydney’s eastern suburbs. The walk features stunning views, beaches, parks, cliffs, bays and rock pools.

A cliff top coastal walk, the Bondi to Coogee walk extends for six km in Sydney’s eastern suburbs. The walk features stunning views, beaches, parks, cliffs, bays and rock pools.

Koala Park was created in the 1920's and officially opened in October of 1930 by the founder Noel Burnet. He became alarmed at the high numbers of koalas shot for the large export fur trade. He feared that if such harsh treatment was allowed to continue, this lovable and unique animal would disappear from the face of the earth forever. From that time on he spent his whole life fighting to protect, research and create a safe environment in which they could live and breed naturally.

Koala Park was created in the 1920’s and officially opened in October of 1930 by the founder Noel Burnet. He became alarmed at the high numbers of koalas shot for the large export fur trade. He feared that if such harsh treatment was allowed to continue, this lovable and unique animal would disappear from the face of the earth forever.

Kangaroo

My old budy, Jack Sparrow

Koala

Damn cute.

Não posso pedir ao inverno que poupe uma roseira

Não espero “que todos os dias sejam de sol, nem que todas as sextas-feiras sejam de festa” mas acredito que não é exagero esperar ser amado, querido, necessário, não digo indispensável pois algumas das pessoas que eu mais amo já me ensinaram que ninguém é insubstituível, nem no mundo profissional nem no amoroso, então, necessário, isso eu posso ser? Ou melhor, eu consigo ser necessário para alguém? Não estou pedindo pela lua, c’mon!

Necessidade surge a partir de uma falta, carência ou até mesmo de um desejo. Verdade? Um desejo pode ser uma necessidade? Não sei, vou tentar seguir essa linha de raciocínio. Do que eu necessito no momento é despertar um sentimento em alguém, um desejo, uma necessidade cujo objeto de desejo/realização seja eu. Ficou claro? Preciso que alguém precise de mim, é isso. Quanta arrogância e prepotência, ou carência? Sei que as grandes empresas e corporações fazem isso o tempo todo, o marketing cria em nós vários desejos/necessidades e acabamos comprando mais roupas do que podemos usar e trocando de carro com mais frequência do que o planeta suporta. Mas estou falando de sentimentos, e não acho que posso contratar alguém para desenvolver uma campanha para mim. Ou posso?

Ë para isso que servem os terapeutas, cabeleireiros, cosmetologistas, as academias e os dermatologistas? Para dar uma valorizada no produto e quem sabe torna-lo mais interessante num mercado que a cada dia está mais exigente? Talvez. Essas ferramentas se bem utilizadas aumentam e muito as chances de qualquer ser humano chamar a atenção dos outros, com o intuito que for conveniente. Mas isso não é trapacear?

Tenho tantos amigos que entram na academia porque estão num “projeto Verão”, “projeto carnaval 2013”, “projeto Ibiza outubro de 2012”. Bacana, cada qual com suas prioridades, mas se meu objetivo vai além de uma farra ou de curtir uma estação, eu devo dar tanta importância a essa supervalorização da aparência? Isso é sustentável? Porque eu por exemplo sou mutante, ao mesmo tempo que estou enorme de grande, eu perco peso e paro de malhar. Num mês estou em fase de mania, feliz e realizado e nos dois meses seguintes me sinto deprimido e cansado querendo colo. Minha pele então, tem dias em que parece um Chokito, em outros está um pêssego. Alguém me bancaria, alguém necessita de um ser humano assim, com seus ciclos fisiológicos e músculos que se sustentam num rotina árdua de academia?

Antes que eu soe louco, eu adoro me cuidar, não sobreviveria sem consertar minha monocelha e estou adorando cuidar dos meus cabelos rebeldes uma vez por mês. Uso cremes hidratantes, protetor solar, pratico atividade física e ingiro complexos polivitamínicos. Mas a princípio isso é uma necessidade minha, de me sentir bem comigo, me cuidar, de me olhar e me achar legal. Nunca tinha pensado nisso tudo como forma de atrair o outro, porque para mim parecia muito claro que o outro deveria gostar de mim pelo que eu sou, como o meu ex parecia gostar, mas e quando o que eu sou não basta? Se eu, Fábio, não sou o que outro precisa, necessita ou procura, até onde é louvável que eu me permita mudar para me moldar dentro do que a demanda está exigindo? Mundo cruel esse, ou sou eu que penso demais e fico vendo chifre em cabeça de lhama?

Meu Deus. Se minha gerente começar a ler meu blog ela me demite. Mas os pacientes estão faltando, não tenho controle sobre isso, e eu acabo me jogando de cabeça em minha reflexões histriônicas. Hoje forma quatro faltosos, ou seja, pelo menos duas horas ociosas.

E digamos que eu tenha sorte e haja uma necessidade da qual de repente eu seja uma das respostas. Existe ainda a concorrência, sim, nunca leal quando se trata de coisas do coração. Pois coração é mesmo terra de ninguém, nem sempre o mais preparado é o escolhido, injusto como vestibular ou como qualquer outro processo seletivo. Me lembrei de uma cena de Grey’s Anatomy quando Meredith implora para que Derek a escolha, linda cena, eu não tenho memória muito fotográfica para essas coisas, mas essa cena e o diálogo ficaram marcados no meu hipocampo. O episódio se chama Bring the pain, nome bem sugestivo, han? O que Meredith Grey diz para seu amado é o seguinte:

“Okay, here it is. Your choice, it’s simple, her or me. And I’m sure she’s really great. But Derek, I love you. In a really, big really big pretend to like your taste in music, let you eat the last piece of cheesecake, hold a radio over my head outside your bedroom window, unfortunate way that makes me hate you… love you. So pick me. Choose me. Love me. I’ll be at Joe’s tonight so if you do decide to sign the papers, meet me there.”

Ah, se a vida real fosse tão simples e romântica como a ficção. Se implorar fosse bonito como Hollywood faz parecer. Eu não necessito de um McDreamy, talvez de um McSteamy (just kidding!), na verdade quem me chama atenção agora é um McLawyer, e se por ventura ele me escolhesse eu seria muito feliz, ou pelo menos tentaria. E olha que eu não sou nem estou carente, que é bem diferente, acreditem, pois eu já estive carente. Acho que era isso, texto ficou muito grande e eu comecei a ficar deprimido, sinal de que está na hora de parar e comer uns biscoitos de cacau com mel.

Ouvi ontem que eu deveria era estar em posição de escolher ao invés de ficar esperando ser escolhido. Eu Não estou esperando ser escolhido, isso é apenas uma parte do processo, mesmo que eu faça uma escolha eu espero ser escolhido. I need someone to pick me, choose me, love me.

Segue um poema bunitinho do Drummond que li pela primeira vez aos 10 anos com minha amada Professora de português Tereza, quem eu encontrei há algumas semanas no Palácio das Artes. Ela trouxe muita poesia pro meu mundo, assim como outras Terezas e Cristinas e Clarices.

Quadrilha

Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história

 

 

Sobre a morte e outras coisas que andam a cavalo

Três das quatro figuras masculinas mais importantes de minha infância eram alcoólatras, dois tios e meu avô, por sorte meu pai não se incluiu entre elas. Eu e meus primos éramos os únicos que se divertiam com essa alta incidência de dependentes de álcool na família, pois bêbados eles costumavam nos encher de balas, doces, chocolates e as melhores histórias de monstros e gigantes de terras distantes eram contadas por vozes que exalavam um hálito etílico que aparentemente deixava tudo mais interessante.

Meu avô foi sem sombra de dúvida uma das fpessoas mais marcantes na minha infância e um dos meus maiores definidores de caráter, pro bem e pro mau. Poucos sabem mas uma das minhas tatuagens é uma homenagem a ele. Ele morava quase em frente a minha casa, trabalhava muito quando estava sóbrio e nessas condições eu raramente o via. Era um homem muito alto, infinitamente alto pra mim naquela época, com o tempo foi  se enrugando e encolhendo, mas os cabelos pretos e brilhantes o acompanharam até o fim. Era vaidoso e usava cremes para pentear.

Não sei o que se passava na cabeça de nossas mães que não tinham medo de nos deixar soltos por aí, me recordo de que eu e um dos meus primos mais próximos ficávamos ao lado de meu avô o tempo todo quando ele estava bêbado, como dois cachorrinhos que cercam uma criança devorando uma linguiça, rezando para que pedaços lhes sejam atirados ou eventualmente escorreguem por entre os dentes. No caso não queríamos cachaça, mas as guloseimas. E entre a bebedeira e sairmos para a padaria, nós ouvíamos as histórias, que a cada dia ficavam mais longas e ricas em detalhes. Minhas prediletas eram sobre a morte.

Ela era na verdade uma assombração que tinha recebido uma foice de presente de Deus. Andava num cavalo muito magro, com pelos negros como ônix (não sabia e na verdade ainda não sei o que é ônix, vou jogar no Google), brilhantes como raios de sol entre as gotas de orvalho. Arrastava pelas estradas por onde passava caixões de madeira que usava para carregar suas vítimas que não tinham família para velar o defunto. Segundo ele, ela era muito bonita e tinha o rosto triste e sofrido.

Meu avô dizia tê-la encontrado em duas oportunidades durante toda a sua vida no campo, uma delas quando ainda era criança e outra na vida adulta. Não me recordo como foram essas experiências ou o que se sucedeu, mas acredito que pelo menos quando adulto meu avô deve ter esbarrado com a ceifadeira após uma de suas festas regadas a cachaça. Ele disse que fugiu dela contando histórias sobre gigantes e que a morte ficava encantada com o mundo dos humanos. Ainda segundo ele, ela até queria muito que meu avô mostrasse para ela o mundo, o que ele havia lhe prometido. Gostaria que ele tivesse encantado essa dama mais uma vez e não tivesse nos deixado há alguns anos, gostaria de tê-lo aproveitado mais.

Ouvindo meu avô descrever o lugar onde ele nasceu, cresceu, se casou e teve com minha avó todos os meus tios e tias me fazia viajar para um lugar idílico. Nada se parecia com a terra árida que minha mãe e minha avó descreviam, nada se parecia com os relatos de minhas tias de um lugar isolado do resto do mundo e esquecido por Deus. Eu preferia a terra de meu avô, fértil e cheia de seres mágicos, onde para ser feliz bastava inventar uma história e acreditar nela.

Quando perdi minha inocência e me tornei cético deixei de gostar da companhia de meu avô, e foi aí que o afastei. Tive vergonha dele por muito tempo, mal o cumprimentava e paciência era o que eu menos tinha para ouvir suas histórias bobas. Meu avô não sabia ler, adorava jogar baralho com os netos nos finais de semana, quebrou a casa da minha avó inteira por diversas vezes, bateu em minhas tias, brigou e ameaçou matar meus tios, trabalhou como um louco e criou 11 filhos. Era um lutador, deve ter sofrido muito em sua infância, crescido com todas as adversidades que o início do século XX tinha para oferecer para um menino do campo.  Mas ele me deixou marcas tão boas e fortes. Se não fosse por ele eu e minha imensa família não estaríamos aqui.

Não posso voltar no tempo, não o tenho mais para me contar como ele enganava duendes e outros seres que o importunavam no caminho pra roça, mas seja lá onde estiver acho que ele deve estar encantando alguém com suas palavras. Se um dia eu puder me redimir com alguém, será com ele.