No final das contas, tudo vai ficar bem

Estou falido, mas estou feliz; sou pobre, mas sou gentil.

Sou frágil, mas sou saudável, sim!

Estou dopado, mas tenho os pés no chão.

Sou louco, mas estou fascinado. Estou perdido, mas tenho esperança, meu caro.

E no final das contas tudo vai ficar muito, muito bem.

Porque eu tenho uma mão no bolso e a com a outra dou um high five.

 

Eu me sinto bêbado, mas estou alerta. Sou jovem e sou mal pago.

Estou cansado, mas estou trabalhando, merda.

Eu me importo, mas estou inquieto. Estou aqui mas já parti a tempos, baby.

 

E no frigir dos ovos tudo vai ficar muito bem. E eu tenho uma mão no meu bolso e com a outra estou acendendo um cigarro.

No final das contas eu não entendi foi nada dessa vida. E estou com uma mão no meu bolso e com a outra fazendo o sinal da paz.

 

Sou livre, mas sou focado. Sou inocente, mas muito sábio. Sou duro, mas amigável, meu bem.

Estou triste, mas sorrio. Sou valente mas também um merda. Estou doente, mas eu sou lindo, baby.

 

E resumindo tudo isso, a verdade é que ninguém ainda entendeu nada de nada. E eu tenho uma mão no meu bolso e com a outra eu toco piano.

No final das contas, meus amigos, tudo vai ficar muito, muito bem. E continuo com uma mão no bolso e com a outra estou chamando meu táxi.

 

Palavras de Alanis Morissette, livre tradução de Hand in my pocket para o português.

O menino do pombo e o pombo ou O abismo das paixões

Na vila onde nascera era costume entre as meninas e mulheres solteiras escrever as características do homem desejado num pedaço bem pequeno de pano, amarrá-lo no pé direito de um pombo e então soltar a ave num dos bosques da região. Se aquele pombo sobrevivesse aos próximos três dias, o desejo seria atendido e o amor de sua vida apareceria no dia da morte da ave. Caso contrário (se a ave morresse antes de três dias ou fosse imortal), era melhor entrar para um convento. O grande problema detectado pelas gerações mais novas era que um pombo podia viver por até vinte anos e a maioria das mulheres não queria esperar todo aquele tempo para se casar. Foi então que o prefeito teve uma ideia brilhante: decidiu que o dia de soltar o pombo aconteceria sempre na segunda quinta-feira do mês de julho, ao invés de cada pessoa soltar o pombo no dia que preferisse. E ainda mais, no domingo subsequente seriam liberados falcões ferozes e enormes e famintos e devoradores de pombos, com o intuito de ajudar suas eleitoras encalhadas a arrumar maridos de forma mais rápida e eficiente.

Oportunistas escreveram livros sobre como escolher o pombo correto e as palavras a serem escritas no pano: “Nada de escrever palavras grandes e rebuscadas, seja lá quem for que lê os pedidos e os atende prefere palavras curtas e claras, como: rico, fiel, mantenedor. Evite expressões, como bom pai, grande amante, taludo, pois essas podem gerar confusões, e reclamações posteriores nunca são aceitas”. O tipo de pano utilizado era importante, “nada de juta ou algodão, escreva num pedaço de cetim ou seda pura, que podem ser encontradas no armazém do Seu Agamenon”. Os pet-shops das cidades vizinhas se especializaram em vender o que prometiam ser pombos de subespécies exóticas, alguns gordos e pouco velozes, boas presas para os falcões; outros que exalavam um cheiro forte que atraía predadores a quilômetros de distância.

Às vésperas do Primeiro Dia Oficial da Soltura do Pombo o menino sentia-se confuso: sua mãe soltou seu pombo aos 13 anos e conheceu seu pai aos 18. Sua avó soltara o pombo aos nove e aos 12 já estava casada com seu avô. Não haviam registros de que homens já haviam participado do ritual e ele acreditava que seu pedido seria aceito como o de qualquer outra pessoa pois vivia em tempos em que se dizia que amor era tudo igual. E ideia de ter seu pombo estraçalhado por um falcão três dias após sua soltura o deixava desesperado.

Esperava que o pombo alçasse voo bem alto, viajasse por outros vilarejos, experimentasse todos os tipos de sementes disponíveis nessas terras e em outras, antes de se deitar a noite num ninho quentinho e morrer de velho. O pombo que ele escolhera tinha nascido no quintal de sua casa, ele o resgatara alguns meses antes, ainda filhote, quase sem penas caído do telhado. Cuidou do bicho e acreditava que a mãe do despenado havia sido capturada para ser vendida no mercado negro.

Decidiu soltar sua ave em outro local. O motorista do ônibus para a Capital estranhou aquele menino sair sozinho da vila justo naquele dia, de celebrações e festejos. Mas dirigiu pelas ruas sinuosas rumo a cidade grande, com seu único passageiro a bordo carregando uma caixa de sapatos cuja tampa não queria ficar no lugar.

Desceu do ônibus no meio do caminho, no ultimo ponto antes do veículo abandonar os limites geográficos de seu vilarejo. Ele frequentava aquela região com seu avô quando o velho ainda fazia comercio de queijos com moradores da zona rural, mas agora ele estava muito velho e cansado e os queijos daquele lugar nao eram bons como antigamente. Distraído com essas memórias, andou até a beira de um grande desfiladeiro, chamado de Abismo das Paixões.

Seu avô nunca o deixara chegar tão perto do enorme vão que se estendia por quilômetros, até quase se perder de vista. Lá no fundo se viam algumas árvores tortuosas, distantes, desinteressadas no que acontecia fora do buraco onde viviam. Seu avô dizia que a vista era extasiante, apaixonante, e que era perigosa pois muita gente havia se apaixonado pela vista e se perdido nas profundidades do abismo em tempos de desespero.

Pegou seu amigo de penas com muito cuidado e deixou a caixa de lado. Hesitou antes de abrir as mãos e deixá-lo livre, O mundo lá fora era tão hostil, seria melhor mantê-lo seguro em casa, no galinheiro com cerca de tela de metal feita por seu pai. O pombo já estava aprendendo a se comportar como as galinhas e elas já não o bicavam de forma feroz como outrora. Mas algo dentro dele dizia que era a hora de deixar seu companheiro ir. Liberou um dedo de cada vez, relaxando a pressão que fazia sobre o corpo da ave. A mesma não voou logo de cara, num primeiro momento parecia estar com medo da ventania que se abatia sobre eles ali na beirada daquele precipício. Olhou ao redor, olhou para o menino, ergueu a cabeça, estufou o peito e se lançou no vazio.

Sete anos se passaram, ele viu seus amigos e amigas crescerem, se apaixonarem e se casarem; se divorciarem e não saberem lidar com a solidão. As pessoas perderam interesse no ritual com os pombos no dia em que a Apple lançou um pombo eletrônico que tinha painel de LCD sensível ao toque e se conectava a qualquer rede wi-fi sem muita dificuldade. Todos preferiam ficar com o pombo e utilizá-lo para acessar uma das trezes indispensáveis redes sociais disponiveis naquela época.

Num dia besta como outro qualquer, ele voltava do seu trabalho como balconista na mercearia da rua principal quando viu seu pombo descansando sobre a caixa de correio de uma casa na qual ele nunca tinha reparado até então. O não mais menino, o agora jovem rapaz, se aproximou do animal acreditando que também seria reconhecido, mas quando estava a dois passos de tocá-lo, a ave bateu asas e voou para longe. Ele ficou ali, decepcionado com tamanha indiferença, esperava pelo menos uma arrulhadinha de alegria (sim, os pombos arrulham; eles não miam, nem cacarejam).

Quando passou por aquele sentimento e voltou a si, encontrou um rapaz parado ao seu lado, olhando para o céu na mesma direção que ele, em direção ao nada. Os dois se entreolharam e riram da situação. Um deles ofereceu um café para o outro, não se sabe se o café foi aceito ou não, mas o que dizem é que os dois viveram a mais engrandecedora história de amor daquelas bandas do continente. Até que um dia chegou a notícia de que um pombo ardiloso havia mergulhado para a morte numa panela fervilhante de frango ao molho pardo no restaurante da dona Quinzinha. Não se sabe se o amor resistiu àquele molho.

FIM

 

Toque do sol

Ele acreditava que quando era criança o céu era mais próximo do chão e, que quando ficava na ponta dos pés, era capaz até mesmo de tocar uma cumulonimbus e com suas pequenas mãos dissipar tempestades que insistiam em cair no dia de seu aniversário. O seu presente de aniversário predileto eram seis ou sete raios de sol que o tocavam entre as oito e nove da manhã. Agora, por causa do aquecimento global e do cinismo das pessoas, o céu havia se distanciado e evitar tempestades já não era tarefa tão simples.

Então, no dia de seu trigésimo quarto aniversário, tomou fôlego e vestiu sua capa de chuva, verde, a ganhara há mais de uma década de um professor estranho, que ao vê-lo correndo na chuva para assistir a sua aula sobre a Regra de L’Hôpital, se enterneceu. Pegou um livro empoeirado qualquer e deixou sua casa, sem saber para onde ia.

Chovia. Ele resolveu que um local onde não se molhasse tanto e onde servissem café com broa de fubá seria ideal para poder usar o livro, que era o único instrumento que ele tinha para transformar aquele aniversário num dia especial. A casa de sua avó era muito longe naquela época e os sentimentos requentados por demais para que o café dela permanecesse saboroso.

Sorria. A moça do balcão parecia mais contente do que um moça de balcão deveria estar num dia chuvoso e úmido como aquele. Não havia mais broa de fubá, elas se vendiam com uma rapidez inimaginável em dias nublados, foi o que a moça respondeu oferecendo-lhe biscoitos de polvilho escaldado. Mas biscoitos de polvilho escaldado não têm gosto de sol, foi o que ele pensou.

Sofria. O livro não era o melhor que ele tinha em casa e a cada parágrafo que lia mais próximo seu rosto ficava da mesa. Por volta da página 13 ele havia adormecido.

Why did you touch me?

Why did you touch me?

Acordou com cutucões em seu ombro, o barulho dos outros clientes da cafeteria se misturava com o que a chuva provocava lá fora. Se espreguiçou, esqueceu o livro sobre a mesa e saiu pra rua.

Como a chuva insistia em não passar e ele já não tinha o que fazer no mundo exterior, resolveu voltar para casa e esperar pelos telefonemas que talvez não receberia naquele dia. Passo a passo ele se arrastou até o seu prédio e foi abordado pelo porteiro. O girassol “foi deixado por um entregador, sem cartão, há uns cinco minutos, ele só disse que era para o senhor”.

O sol que ele não encontrou nem no céu nem num livro enfadonho estava ali, com suas raízes sedentas por água cravadas num pouco de terra num vaso de barro enfeitado com uma fita azul. Naquele dia ele cuidou da planta como se ela fosse a última do planeta. Dias depois ela secou e morreu num canto escuro.

We’re temporary arrangements

This morning, my iPod played this song for me when I was stretching before gym. My iPod has been playing this for me quite frequently and I think it’s weird considering it’s on ‘shuffle’ and I have about two thousand songs on it. For some reason, it likes this song. For some reason, I like this song. I have a special affinity for songs that reference Jesus and the Bible written by people who don’t profess to be Christians. It’s always interesting to see these figures from a secular point of view. When I got to know the lyrics few years ago I felt like a whole new world were right there in front of me, Alanis’ canadian accent makes it harder for me to undertand the real meaning of what shes’s singing, so reading the lyrics was cosmic.

This song pulls me back in high school when I first saw the movie Dead Poets Society and I had to write an essay on it. First time I saw the movie I hated it, thought the teacher was crazy, than I got the check list my literature teacher gave me and saw the movie looking for the details. Gosh! I felt deeply depressed when the movie ended and it was a milestone on my depression story. Time was passing by and there was nothing I could do to avoid it. I was merely a child, 14, 15 years old, but a nerd, a nerd so affraid of it’s mortality. I wrote the longest and deepest essay ever and got a B-, a friend of mine from a private school literaly copied the same essay to her teacher and got a A+! Who said that the universe is fair?

Last days I’m waisting a lot of time thinking about my life as if I should have a master plan by now. I got to know a lot of people after my break up and eacho of them made me wonder how my life would be if I care more about family, money and the future instead of bursting my energy as if each day was the last. Think I am not being clear. I am not meant to be.

Ok, I have a hematoly book to read. Just a caffee break.

Hope everyone have a great week! And let’s burn the chocolate calories this week, by all means!

No Pressure Over Capuccino
by Alanis Morissette

And you’re like a 90’s Jesus
And you revel in your psychosis
How dare you
And you sample concepts like hors d’euvres
And you eat their questions for dessert
Is it just me or is it hot in here?

And you’re like a 90’s kennedy
And you’re really a million years old
You can’t fool me
They’ll throw opinions like rocks in riots
And they’ll stumble around like hypocrites
Is it just me or is it dark in here?

Well you may never be or have a husband you may never have or hold a child
You will learn to lose everything; we are temporary arrangements.

And you’re like a 90’s Noah
And they laughed at you as you packed all of your things
And they wonder why you’re frustrated
And they wonder why you’re so angry
And is it just me or are you fed up?

And may God bless you in your travels in your conquests and queries.