Erro, logo existo

Dedico esse texto a todos os que um dia achavam que eu fosse ou almejava ser um padawan e não sabiam que na verdade eu sou mesmo é um ewok com distúrbio de crescimento e careca e orgulhoso da raça.

Oops

Aperte esse botão quantas vezes julgar necessário, vá, erre, isso não te diminui!

O mundo conspira mesmo é contra aqueles oprimidos, ou que passam fome em algum canto esquecido do globo, os que sofrem outros abomináveis tipos de violência, como mutilação física ou moral, estupro, preconceito racial, intolerância religiosa e por aí vai. Contra mim ou contra qualquer um de vocês, perdidos e afogados em nossos voluptuosos erros, o mundo só tem mesmo um tipo de postura: paciência.

Paciência, sim, pois se não fosse isso estaríamos extintos, esmagados contra um processo evolutivo que seleciona os melhores e mais bem preparados para sobreviver e se reproduzir, e o que vejo é que esses seres perfeitos é que estão extintos ou em vias de. Se estivéssemos extintos o mundo não seria um lugar melhor, não seria um lugar nem mais bonito. Já foi-se o tempo em que acreditou-se que “errar é humano, mas insistir no erro é burrice”, o que hoje vigora é o pensamento de que se esse é o jeito que você dá conta de encarar o mundo, encare-o assim, errando virginalmente ou pela décima sexta vez. Só não se permite uma coisa: acomodação. Tem um até que eu prefiro, mas eu estaria admitindo a minha condição de super-herói, que diz “errar é humano, admitir é super-humano”. Erre à vontade, acerte sempre que puder, mas nunca se esqueça de aprender com um ou com o outro, nem que o aprender seja um processo pequeno dentro de sua alma perturbada, que no próximo quinquênio te levará a escolher outra marca de arroz, porque a que você usa te causou um dia minitumores no intestino. Mas aprenda, para você, e se lhe convier que esse aprendizado seja partilhado, de preferência com impacto positivo naqueles ao seu redor. Ou não.

Vítimas são aqueles de quem foi tirada a oportunidade de errar, uma ou duas ou infinitas vezes, não poder errar de religião, de opinião politica, de postura frente a dilemas éticos, não puderam errar a cor do vestido, ou a palavra dita em momento de cólera. Vítimas da conspiração de um mundo que não é justo, nem com o rico nem com o pobre, que não está nem aí se você se encaixa ou não. Mundo que segue em frente passando por cima de quem não embarca em seu movimento, de primeira classe ou dependurado na porta. Não, não sou uma vítima desse mundo cruel, não pertenço a ele, pois onde estou posso carregar comigo meu saco de erros para cima e para baixo, e daqui vejo meus juízes e carrascos, mas deles não preciso ter medo, numa volta qualquer eles se distraem com outras pessoas incautas por ai e me deixam em paz. A maioria de nós não é vitima do mundo, não, somos somente atazanados por aqueles que se acham acima do bem e do mal.

E, então, sem se sentir alvo de uma conspiração nem vítima de um sistema em construção, fica mais fácil errar, errar e errar de novo sem ter que nutrir aquele desejo de pular do prédio mais alto do continente. Erre, coma um ensopado de nabos frescos com Martini seco, limpe a boca com um guardanapo de algodão rustico e volta para errar mais. Lembre-se de que acertar é opcional, e é maravilhoso, mas não é sempre é onde se deve chegar, seja na primeira ou ultima vez. Os acertos são superestimados. Você não sabe qual será sua última chance de errar. Não seja vítima do sistema, R!

 

 

PS: um jogador de baseball disse uma vez que um erro só é um erro se você não aprende com ele,e que o aprender é um processo interno.