O pedregulho feliz

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Aquele pequeno colossal pedregulho vinha sendo arrastado num estreia de borracha preta aquecida pelo sol por vários quilômetros ao lado de centenas de milhares de companheiros que, como ele, tinham poucos pensamentos. Entre eles, o de que todos nesse mundo têm um caminho a trilhar e o que se deve é ater-se a isso.

Ficava extremamente desgosto quando um de seus parceiros de viagem caía da esteira acidentalmente de propósito. Desejava que eles todos seguissem o caminho que havia-lhes sido traçado tão meticulosamente por uma força maior.

Ter sido resgatado de um enorme buraco por uma máquina grotesca e violenta e ser levado a um lugar completamente novo e brilhante lhe parecia bom demais para ser verdade. Pois, além de toda a sorte que ele tinha por não ser poeira, pois poeira não pensa, não come nem trepa; estava-lhe sendo dada oportunidade de evoluir nessa vida onde pedra era feita somente para se tropeçar.

Entre solavancos e arrancadas bruscas ele chegou ao fim da esteira e a realidade que lhe foi apresentada era insólita: estavam sendo arrastados a um triturador de minério e já era tarde demais para acidentalmente sair de sua trilha. Poeira se fez.

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