Nada excepcional

Eu te disse que aquele era o verdadeiro eu

que eu não era nada demais.

Repeti quarenta e duas vezes..

Veio a tempestade em seu ápice – meu destino nunca estivera mais solto ao sabor do vento

E não aconteceu nada fora do normal, nada estranho

Quase que não aconteceu nada para ser mais exato.

O mesmo cenário de sempre,

A mesma velha chuva.

Mas cessaram os raios, trovões e explosões

Eu me vi voando pela janela

Leve como uma locomotiva.

Você me viu desaparecer?

Então de súbito, quase que de repente,

como todas as coisa que julgo que serão boas e belas, algo fora do comum,

estranho e maior e mais brilhante que as gotas de chuva que caiam em meu rosto,

veio do nada,

por entre as folhas que o vento agitava.

E eu te pedi:

Venha se assentar na soleira da minha porta,

me leia a história das histórias.

Diga que você ainda acredita

que o final de tudo, do século, da vida, dos ciclos, do choro,

que o fim trará mudanças para você,

e para mim.

Você me ensinou que a tempestade eram apenas lágrimas desnecessárias

E que o gosto azedo que eu sentia era por causa dos meus joelhos inflexíveis

Você prometeu que se eu cantasse os estrondos dos trovões iriam embora

Que os monstros estavam saindo dos meus ouvidos porque eu tinha parado de andar de bicicleta

E que por entre os meus lábios escorriam pesadelos simplesmente porque eu não os engolia com mel e hortelã

Nada excepcional, nada mudou

Eu só fiquei um pouco mais velho, e foi tudo

Talvez um pouco mais distante daquele que um dia eu fui.

Pois eu não sou um milagre

Nem para mim nem para os outros

Desculpe se eu não fui o seu mais raro amor, feito de latão e fuxicos

E eu não sou um mártir

Talvez um soldado descalço, exilado numa estrada de lama

Arrastando algumas nuvens comigo

Delas chovem mil histórias subvividas

Pingam ilusões de minha vida abortada

– sabotada –

pelo vilão dos vilões, aquele de quem não se foge nem se escapa,

na pele de quem habito.

Nada aconteceu. Nada estranho

Só o velho cenário de sempre.

O mesmo cenário de sempre.

Fábio Oliveira de Souza,  25/11/2015

Por mais que você a ignore, ela não vai embora.

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