Sobre desentendimentos, mágoas, selfies e outras coisas pelas quais eu deveria me desculpar.

Estraguei tudo,
cometi um erro.
Ninguém é melhor nisso do que eu.
Desculpe-me.
Não tenho vergonha de dizer que
eu gostaria de poder te ter novamente, talvez um dia.
Ou não.

#Madonna

Uma das maneira mais fáceis de se atingir a felicidade, claro que momentaneamente, é estar, nem que momentaneamente, leve. Estar leve exige um alto grau de maturidade ou no mínimo uma capacidade colossal de praticar o desapego. Desapego é o novo preto, que por hora parece que não cai bem em todo mundo. Então que tal tentar a tal da maturidade?
Certa feita li um texto de um autor que eu nem gosto muito que dizia que podemos descobrir o grau de maturidade de uma pessoa de acordo com o tempo durante o qual ela consegue carregar um mal-estar em relação a alguém. Assim, uma pessoa dita madura perceberia facilmente algo que maculasse seu coração. É como se ela fosse um iPhone com carcaça de metal, qualquer queda por menor que seja arruína o aparelho e o estrago é sempre perceptível. Já o imaturo se pareceria com os Nokia de antigamente, de plástico e que quando caíam se desmontavam, sem que o impacto causasse estrago, bastava remontar o aparelho e continuar a viver como se nada tivesse acontecido. Resiliência? Não, por mais que o estrago não seja aparente ele está lá. Uma hora o celular vai começar a chiar, bateria parar de funcionar, e seu Nokia vai te deixar na mão.
Quando prestamos atenção na forma como interagimos com o mundo e como impactamos a vida das pessoas fica fácil perceber que alguma coisa não está bem nos relacionamentos com quem amamos. Se fosse sempre assim, ao notar que criamos um mal-estar, prontificaríamo-nos a nos desculpar com alguém que magoamos ou questionaríamos quem nos magoou. Parece tão simples, né?
O que me parece é que os que só se importam consigo mesmos nem sequer são capazes de imaginar que feriram o outro. Já quem valoriza os próprios sentimentos tanto quanto os das outras pessoas age de forma diferente: pede desculpas, o que não deixa de ser uma maneira de dizer “eu te amo, faço merda, talvez um dia faça de novo porque sou humano, mas eu te amo”. Procurar alguém para falar de algo que ele fez e que te magoou é uma forma de dizer “você é importante para mim, por mais que tenha feito merda, eu te amo”.
Isso acontece raramente porque muitas pessoas preferem deixar pra lá quando estão chateadas com alguém, e eu não me excluo desse grupo de escrotos. Ou então o orgulho é tanto que é intolerável para a pessoa se rebaixar ao nível do outro para se desculpar.
A vida nada mais é que um amontoado de mal-entendidos com um pouco de pretzels de canela no final, por mais que se tente não dá para evitá-los. O importante é não deixar que eles tomem relevância que não lhes é devida, para que permaneçamos leves. Na maioria das vezes, quem nos magoa não o faz intencionalmente, mas simplesmente por descuido. Conversar sobre isso é a melhor maneira, conversar o quanto antes, antes que a metaplasia vire uma neoplasia, com metástases a distância.
Queria muito ter a sabedoria de manter meus relacionamentos livres de incômodos e conservar a cabeça livre de pendências. Que quando eu tivesse que fazer algo, eu fosse lá e fizesse, partisse para o tudo ou nada, entendesse que, enquanto não o fizesse, estaria com a cabeça ocupada com o problema. Ah como eu queria isso, e tantas outras coisas.

I'm sorry.

I’m sorry.

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