O menino homem

E havia esse homem

com jeito de menino,

coração de leão.

Furioso. Como os gigantes que habitam as montanhas.

Terno. Do tipo que chora em casamentos.

Um dia ele se virou para o tempo e disse:

– Hei de ser o seu mestre!

Ele não sabia.

E o tempo nem se quer ouviu.

E eles continuaram a duelar.

Duelo de um homem só.

Outros moinhos de vento,

pois os tempos são os mesmos.

Ele que agora é outro.

 

Foi quando de repente,

como tudo o que se acontece de importante,

O homem virou menino.

A ordem natural das coisas incompreensíveis se reestabeleceu

E ele…

que era o grande senhor de si,

foi desmontado em pequenas peças

que não se encaixavam entre si

e ainda assim formavam um todo.

Que era lindo.

E auspicioso.

 

Dizem que hoje esse homem vive lá no sul.

Ao sul de tudo. Mas ao oeste do tempo.

Ao lado de alguém que lhe quer bem

e que lhe ajuda a manter seus pedacinhos juntos

e apartados um dos outros.

Porque a parte sem o todo ainda é um todo.

E o todo sem uma parte

continua não sendo nada

 

Hong Kong, 21 de novembro de 2013

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s