Por que?

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“Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.”

Sobre a morte e o morrer – Rubem Alves

Minha vida

Esse texto de Rubem Alves veio parar em minha tela de computador enquanto eu pesquisava pelo sentido da vida pois a resposta que o pensador profundo me deu, 42, não me satisfez. Ficar sabendo que hoje uma médica parente de amigo meu resolveu escapar da existência por um motivo, para quem olha de fora, banal, me fez questionar o sentido da vida e o que ela pode significar para cada um de nós em diferentes momentos de nossa jornada nessa bola de rocha que gira em torno do sol.
Quando eu era criança e frequentava o catecismo eu acreditava que a vida servia pra gente trabalhar e servir, amar e servir mais um pouco a deus. Miserável eu seria se fosse apenas isso. Com o tempo percebi que a vida é o que eu faço dela mas que mesmo não sendo ela voltada a deus eu deveria achar uma linha guia, porque liberdade demais para fazer da minha vida o que eu bem quiser não é algo cujo peso eu consigo carregar. Essa linha guia alguns chamam de moral, outras de ética, outros de bom senso, outros de plano divino e eu chamo de improviso. Significado dela ainda não sei, mas sei que ela pode ser boa, leve, se eu me permitir.
Filosofia nunca foi meu forte, a primeira vez em que falhei na escola foi quando tive aulas de filosofia no ensino médio. Como eu detestava o professor, o achava um cínico, gordo e fedorento, acho que as verdades que ele jogava na minha cara eram pesadas demais pro meu poder de processamento na época, eu tinha apenas 15 anos e o rosto coberto de espinhas. Nunca fui muito bom em ouvir verdades duras e que colocavam em cheque meus conceitos cristalizados, hoje em dia lido melhor com tudo isso e tenho lido muito Platão, Aristóteles, Kant, Heidegger e Nietzsche. Confesso que entendo mais quando estudo nefrites e nefroses, mas me divirto a beça quando entendo algo desses pensadores e consigo modificar minha forma de enxergar alguns dos meus enormes problemas existenciais.
Eu já tive muito medo da morte, da minha e das pessoas ao meu redor. Hoje eu a receio, tento fingir que ela não existe, mas sei que ele anda a espreita e não a encaro mais como uma inimiga, mas como algo inevitável e que me serve de alerta para me lembrar de minha finitude e da urgência que devo ter em tentar achar, se não um sentido, um algo que fazer com minha vida. No alto do meu egoísmo eu temo mais pela morte dos meus amados, prefiro partir antes e não ter que lidar com sofrimento, que me atrasa, apesar de me fazer crescer. Eu tenho que ser um homem, mas eu preciso ser um garoto.
Tenho andado muito triste, nunca passou pela minha cabeça retirar minha vida, calma aos que ainda estão lendo isso. Acabei de ler que existe uma vertente da filosofia que vê o suicídio inclusive como um ato nobre, de direito inerente ao ser humano, o ápice do livre arbítrio, a decisão maior de um indivíduo em pôr fim a sua existência miserável, ou não. Eu que achava que apenas o ser humano era capaz de se matar descobri que existem algumas espécies de animais, principalmente inseto, que se explodem frente a um predador para proteger outros membros de sua espécie, ou que se fecham para fora da colônia e se condenam a morte para fechar a entrada de um formigueiro ou cupinzeiro, por exemplo. Seriam esses os kamikazes da natureza, nós temos isso em nossa sociedade, mas não li nada sobre animais que se sentem muito deprimidos ou ansiosos e decidem se matar.
Às vezes fico pensando que mais que achar sentido para a vida é importante achar um sentido para a morte, principalmente nos momentos de crise. Não somente a morte como fim do ser, do corpo; mas a morte, o fim de processos em nossa vida, a ausência que acontece inexoravelmente ou aquela que provocamos. Pensando assim eu não vejo sentido nenhum no suicídio, como diria um dos autores que li, não sei mais qual, são muitas ideias e pensamentos, se a vida é absurda, mais absurdo seria acabar com ela.
Se a vida está ruim é porque você deixou-se chegar nesse ponto, de uma forma ou de outra. Eu tento mentalizar isso e atuar para modificar o que me incomoda. Não acho que deus, terapeuta ou o bule cósmico me ajudarão muito, nem mesmo terapia, medicamentos ou os sorrisos dos meus filhos Vida Berenice ou Goiaba Richard. Nada disse se eu não colocar significado, peso, sentimento. Preciso sentir mais e pensar menos. Não quero virar uma casca de cigarra vazia.

Leia mais em :https://en.wikipedia.org/wiki/Meaning_of_life

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