De todos os loucos do mundo, queira… eu!?

1) A cara do existencialista. 2) Penso, logo existo? 3) definicao?

“O homem surge no mundo e, de início, não é nada; só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer de si mesmo. Ora, isso implica também o fato de que o homem só se faz num constante projeto, num incessante lançar-se no futuro. Somente assim o homem irá se definir como ser existente e consciente de si mesmo. Lançado no mundo sem perspectivas pré-determinadas, o homem determina sua vida ao longo do tempo e descobre-se como liberdade, ou seja, como escolha de seu próprio ser no mundo. Eis a origem da angústia, do desamparo e do desespero”. Sartre

Se nossa essência vem de nossas escolhas, isso quer dizer que quando somos “jogados” no mundo por deus ou pelo bule celestial que orbita entre a Terra e Marte, não temos essência, somos uns não-seres, ou seja, pura ausência de ser. Alguns acreditam que o batismo religioso oferece a criança alguma essência, eu discordo porque a mesma não tem consciência nenhuma do que está acontecendo. Enfim. Aos poucos vamos tomando consciência de nossa existência e do grande desejo de ser, mas esquecemos de que “ser” é acabado, realizado. Caso o homem fosse isso ele seria uma coisa, ou seja ser Em-si. E diferente das coisas que já estão prontas, dadas e acabadas como acontece com uma pedra, um mesa e tantos outros “trens e negócios”, nós somos projetos em constante revisão e atualização. No momento em que somos “jogados” no mundo começamos a nos construir e estaremos eternamente ocupados com esse processo. Que merda, não?

Angústia e desamparo são meus sobrenomes e como eu luto para renega-los! Hoje em dia meus conceitos cristalizados já se foram quase todos, mas eu continuo batendo na mesma tecla em diversos de meus erros e por vezes me esqueço de que minha incompletude é inerente, sofro por não me tornar completo e realizado, em vão. Parece que estou entendo isso e talvez a partir de agora eu sofra menos e não fique esperando eu estar pronto para me relacionar afetivamente com alguém, isso nunca vai acontecer (eu ser completo), eu devo mesmo é me permitir ser livre e desfrutar das oportunidades que aparecem sem me preocupar com o desfecho, pois seja ele o que eu espero ou não, a vida continuará, continuarei incompleto e faminto por mais da vida.

Hoje eu acho que finalmente voltei a minha rotina abandonada com muito grado há cerca de 45 dias. Correndo na lagoa ouvi pela primeira vez essa música da multitalentosa Clarice Falcão, De todos os loucos do mundo, e confesso que pelo antes da corrida ter lido textos sobre existencialismo e visto um filme francês cujo título em português é “O amor dura três anos” eu fiquei todo trabalhado na filosofia. Gosto de ter essas brainstorms, me tiram da minha zona de conforto e me fazem pesquisar e estudar sobre o ser humano e sua inquietude.

A música de Clarice é linda como ela, fala da felicidade de alguém que finalmente achou um doido pra chamar de seu.  Como ela eu também estou cansado de ser louco sozinho, quero um louco que espere eu terminar meu diálogo com o ar para ter sua vez de falar. Ou como cantou Tulipa Ruiz, alguém que saque minha esquizofrenia mas mesmo assim chame pra dançar. Hoje eu estou inspirado, acho que nem vou dormir. Tenho que dormir, amanha tenho meus milhões de pacientes para atender, a realidade batendo na minha aorta.

Vou ali existir, volto logo. Excelente semana pra nós.

Para quem não conhece as canções, o filme ou Sartre:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Paul_Sartre

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