O nunca e eu

Quando adolescente eu costumava acreditar que algumas palavras eu nunca diria, que alguns livros eu nunca leria e que por algumas trilhas eu nunca, nunca passaria. Quantos “nuncas” para um serzinho só. Pessoas ao meu redor não só acreditavam em minhas convicções como me apoiavam e se tornavam meus seguidores. Até os meus dezoito anos eu talvez tenha sido alguém certinho e que não levaria meus fiéis seguidores até a beira de um precipício. Mas o tempo, esse ingrato, veio e levou meus “nuncas” como se fossem folhas secas em uma dessas lindas árvores de regiões temperadas, as despindo sem dar notícia, simplesmente porque é chegada a hora. Hoje em dia quem me segue em minhas convicções pode não despencar de um desfiladeiro, mas vai viver com a mente muito inquieta.

Há pouco mais de uma semana eu estava me despedindo de um lugar onde experimentei sensações que eu nunca imaginei que um dia a vida me proporcionaria. Mergulhei ao lado de dois seres extremamente exóticos aos meus olhos ainda verdes: um tubarão de quase três metros de comprimento e uma neozelandesa de um metro e meio, essa última de dentes amedrontadores e de gênio mais feroz que o Cão. Eu, que morro de medo do mar, solto naquela imensidão azul-esverdeada, cheia de vida com a morte espreitando, com aquele monte de tubos e mangueiras e marcadores me oferecendo oxigênio, soltando borbolhas e controlando minha sobrevivência.

Foi a última aula prática de mergulho em mar aberto e talvez a primeira e única vez em minha vida que consegui não pensar em nada, nada, nada. Não cheguei a me sentir a mãe do mundo e felizmente não havia nenhum rato morto para ser pisado e me tirar daquele momento de epifania. Ao invés disso havia meu sentimento de realização, parecia que eu poderia morrer ali e que tudo estaria bem. Mas eu não queria morrer, claro, pois estava tudo muito bom, gostoso e eu estava quentinho dentro daquela roupa de mergulho alugada. Machuquei-me todo durante esse último mergulho: eu bati o pé numa pedra debaixo d´água, ralei uma das mãos num paredão de corais mortos e ao sair do mar uma onda me jogou nas pedras, onde joelho foi ralado e meu humor fraturado. Por dentro eu me sentia uma criança, mas eu tinha que me levantar, e sair da água, e procurar outros “nuncas” para serem desafiados.

Nesse momento, agora, enquanto escrevo, eu gostaria de estar lá, mas eu tenho que estar aqui. Eu que nunca pensaria em deixar o Brasil. Tive que voltar a ser doutor. Eu gostaria mesmo é de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, mas sei que nisso há uma contradição, e eis um problema porque meu corpo está caminhando para os quarenta e a minha cabeça continua ali por volta dos… dez. Eu quero ser jovem mas eu tenho que ser velho, eu quero uma nova chance apesar de não ter perdido as melhores  que me apareceram. Voltei das férias extremamente desconfortável e inquieto, acho que é falta das drogas lícitas que atuavam no meu telencéfalo desenvolvido, ou o excesso das ilícitas que eu nunca experimentaria até que um dia aconteceu a Austrália.

Eu que nunca deixaria de acreditar em deus, nunca comeria azeitona conscientemente, nunca usaria Botox, nunca trairia a pessoa amada, nunca conheceria Londres, nunca votaria em branco, nunca seria ganancioso, nunca causaria mal aos outros, nunca esqueceria o dia do casamento de uma das minhas melhores amigas, nunca roubaria o sorriso de um desconhecido, nunca faria fofoca, nunca pularia de bungee jump, nunca aprenderia outras línguas. Até que eu comecei a viver. Experimentar o mundo ao meu redor consciente do poder que eu tenho em afetar os outros e tentando causar o menor impacto negativo no universo e nas pessoas. Acho que é por aí. Uma hora eu conseguirei me livrar de todos os nunca sem me tornar um degenerado, drogado marginalizado pela sociedade. Não acho que seja mais prazerosa a sensação de fazer algo que eu pensava que jamais faria, mas é interessante refletir sobre o ocorrido, pois aquilo com que sonho e consigo realizar é previsível, até o prazer decorrente disso de certa forma é menos gratificante. Saindo do nunca e se tornando realidade, ah, isso sim, é prazer in natura.

Lá na Austrália as pessoas dirigem do lado errado das vias, os volantes dos carros estão todos do lado errado, alguns caminhoneiros têm unicórnios de pelúcia enfeitando o para-brisa de seus veículos de trabalho, as pessoas praticam muito esporte e o Big Mac é o mais caro do mundo (talvez por isso eles sejam tão bonitos e elegantes). E os homens são mais bonitos que uma torta de morango com chantilly em dia de domingo. Como são sexys… e na maior parte do tempo parecem não tomar nota disso, beleza um pouco mais ingênua do que a que encontramos do lado de cá do Pacífico. E corteses, mais que os brasileiros ou os franceses, juntos. Não vi koalas ou kangaroos correndo soltos pelas ruas e não vi uma criança sequer jogando boomerang nos parques de Sydney. As pessoas que trabalham nas obras são irlandesas e quem não é branco geralmente é chamado de negro e ninguém se importa com isso. Ah, e eles perguntam qual sua descendência por curiosidade, pra achar algum parentesco, não para saber se você é da família rica ou um mero Silva. A água é mais cara que refrigerante e existem mendigos que pedem para você rotear a internet do seu iPhone para eles possam acessar redes sociais em seus smartphones imundos. Tanta coisa que tem lá na Austrália, só indo lá ver.

Archibald specified that it must be designed by a French artist, both because of his great love of French culture and to commemorate the association of Australia and France in World War I. He wished Sydney to aspire to Parisian civic design and ornamentation.

Archibald specified that it must be designed by a French artist, both because of his great love of French culture and to commemorate the association of Australia and France in World War I. He wished Sydney to aspire to Parisian civic design and ornamentation.

Bondi Beach

Bondi Beach + Life Proof Shield for iPhone 5!

Mom, I’m finally here! St Mary’s Cathedral

Bondi Beach

Bondi Beach. Sunny day 🙂

Oz is not just about koalas and Kangaroos. Unicorns are the new black among the truckers.

Concluída em 1932, demorou 8 anos a ser construída. O comprimento total do tabuleiro principal são 1 149m. O arco que suporta o tabuleiro, tem um comprimento de 503m e um peso de 39 000 toneladas. O ponto mais alto do arco está 134m acima do nível do mar.

Concluída em 1932, demorou 8 anos a ser construída. O comprimento total do tabuleiro principal são 1 149m. O arco que suporta o tabuleiro, tem um comprimento de 503m e um peso de 39 000 toneladas. O ponto mais alto do arco está 134m acima do nível do mar.

Adoro essas fotos panorâmicas do iphone 5.

Maravilha, e viva a função panorâmica do iPhone

Australia: a great idea!

Australia: a great idea!

Sydney Opera House

Sydney Opera House

Sydney Opera House

Sydney Opera House

Correndo pela cidade

My friend Jamie took me to a Australian Football match. Fantastic!

My friend Jamie took me to a Australian Football match. Fantastic!

"Nothing like a glass of pinot and rolling around in the dirt"

“Nothing like a glass of pinot and rolling around in the dirt”

A cliff top coastal walk, the Bondi to Coogee walk extends for six km in Sydney’s eastern suburbs. The walk features stunning views, beaches, parks, cliffs, bays and rock pools.

A cliff top coastal walk, the Bondi to Coogee walk extends for six km in Sydney’s eastern suburbs. The walk features stunning views, beaches, parks, cliffs, bays and rock pools.

Koala Park was created in the 1920's and officially opened in October of 1930 by the founder Noel Burnet. He became alarmed at the high numbers of koalas shot for the large export fur trade. He feared that if such harsh treatment was allowed to continue, this lovable and unique animal would disappear from the face of the earth forever. From that time on he spent his whole life fighting to protect, research and create a safe environment in which they could live and breed naturally.

Koala Park was created in the 1920’s and officially opened in October of 1930 by the founder Noel Burnet. He became alarmed at the high numbers of koalas shot for the large export fur trade. He feared that if such harsh treatment was allowed to continue, this lovable and unique animal would disappear from the face of the earth forever.

Kangaroo

My old budy, Jack Sparrow

Koala

Damn cute.

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