Nota

De orelha a orelha.

You're never fully dressed without a smile

You’re never fully dressed without a smile!

Parece que quando escreveram minha história há cerca de três milênios atrás decidiu-se que se algo de bom fosse me ocorrer, isso se daria sempre nos primeiros dias de março, isso se o pedido fosse recebido e protocolado no órgão da secretaria devida em tempo hábil. Seja na vida pessoal, amorosa ou na profissional, março tem vindo com suas águas fechando o verão e abrindo um rio de possibilidades em minha vida besta, e só hoje eu parei para pensar nisso e então resolvi escrever.

E tem sido assim desde março de 1996. O primeiro evento que me atingiu distraído nessa época do ano e me fez mudar drasticamente o rumo de minha vida se deu nesse ano. Eu estava ajudando minha mãe a guardar as compras na geladeira num final de tarde ordinário quando chegou um telegrama endereçado a meus pais. Nele se lia algo do tipo “Viemos parabenizar e informar que seu filho foi aprovado no processo seletivo do Colégio Técnico da UFMG e vocês têm que correr para matricula-lo pois as aulas já começaram e ele está levando falta e blá blá blá”. As aulas já haviam começado para todos que estavam continuando seus estudos após o término do ensino fundamental, na minha época o chamávamos de primeiro grau. Meus pais haviam decidido que eu não continuaria nesse caminho e que o primeiro grau era o suficiente para me permitir arrumar emprego de caixa em uma padaria no nosso bairro ou no bairro vizinho. Por mais que eu gostasse de estudar e acreditasse que eu era bom naquilo, eu não protestei pois distraidamente eu acreditava que realmente eu não saberia o que fazer com mais alguns anos de estudo.

Na verdade houve um março feliz antes disso, era 1989, eu tinha oito anos de idade e minha mãe deixara eu escolher o nome do meu irmão que estava para nascer e ainda por cima eu seria o seu padrinho de consagração. Algumas semanas depois meu irmão nasceu e eu estava em casa assistindo ao desenho animado Os impossíveis quando meu pai chegou de carro, acho que uma Belina verde, com André e minha mãe, vindos da maternidade. Eu estava muito feliz, era meu terceiro irmão, mas meu primeiro afilhado, primeira vez que tinham me deixado tomar uma decisão importante, escolher o nome, a alcunha que a pessoa carregaria pelo resto de sua vinda. Eu me senti o pai do mundo.

Já em 2004 foi o coração que foi alvo de um desses eventos de desventura em série que me acometem. Talvez aquela função do celular tenha mesmo sido o avô desses aplicativos que promovem encontro de pessoas que hoje temos nos smartphones. Se chamava Blah e através dele conheci meu primeiro namorado de verdade, ele morava na minha cidade e era um ser humano com quarenta e seis cromossomos em todas as suas células diploides. Foi amor a primeira vista, nos encontramos num shopping em Belo Horizonte após uma breve conversa pelo celular. Ele vestia um moletom preto e a maneira como ele mastigava a lasanha com a boca entreaberta me fez suspirar. Ficamos juntos por quase oito anos e alguns quilos de lasanha depois nós acabamos nos separando.

Em 2012 Izabelle já andava e também falava muita coisa quando, em março, dançamos pela primeira vez Single Ladies. Ela dançou, eu fiquei atrás balançando as mãos e fazendo ôh ôh ôh. Foi épico, e fica aqui registrado.

Março de 2013. Havia prometido a um amigo que removeria de meu telefone todos os aplicativos que utilizava desesperadamente em minha busca por alguém pra chamar de meu. Conheci algumas pessoas bem interessantes nesses 13 meses de uso, algumas eu, inadvertidamente, magoei, outras me magoaram, com algumas eu me abri e deixei que entrassem em minha vida, a outras não ofereci essa oportunidade e fui taxado de chato e arrogante e egocêntrico e tudo de ruim. Fato é que era mesmo hora de partir para outra tática nessa minha busca pelo meu homem, ou então jogar a toalha e curtir minha solteirice, desviar minha libido pros estudos e amigos e família. Mas eis que em março as coisas acontecem e eu achava que escaparia de mais uma armadilha do destino.

Meus amigos já não me levam mais a sério quando eu digo que estou (estava?) bem sozinho, mas é verdade. Eu prefiro estar com alguém, namorar é bom, principalmente quando se é um desastre nas habilidades sociais, o que é meu caso. Desde que meu relacionamento se rompeu em 2012 eu tentei em vão voltar a me enamorar, acho que me apaixonei uma vez nesse meio tempo, aprendi a ser mais tolerante com as diferenças, com as dificuldades e inabilidades, minhas e dos caras que conheci. Trabalhei minha autoestima e tentei viver de uma forma mais leve. Março chegou. Será que estou pronto para uma nova aventura? Será que eu vou sofrer de novo? Fazer alguém sofrer? Otimismo, Fábio, otimismo.

Espero que em março de 2013 eu esteja com essa pessoa que está me fazendo sorrir de orelha a orelha. Ainda não sei muito dele, só exploramos a camada mais superficial de nossos seres, mas é assim que tudo começa e não acho que vamos parar por aí, não por agora. Tempo, tempo, mano velho, faça com que esse sentimento seja recíproco e que essa paixão gostosa amadureça, seja recíproca e produtiva. Amém.

A semana se fez. E que semana. Trabalhei como um burro, estudei feito um cachorro, corri para baixo e para cima resolvendo problemas de estudos, computador estragado, telefone na assistência técnica. Vi alguns dos meus amigos mais amados, ri muito, expandi meu círculo social. Mas o mais importante: me apaixonei!

 Feed your love

PS: Vi uns filmes bonitos essa semana, e ouvi tanta música boa. Música é o alimento pro amor, então deixe tocar! E não sou eu que estou dizendo…

Onde há desejo

haverá uma chama

Onde há chama

alguém poderá sair queimado

Mas só porque isso queima

Não quer dizer que mata

Você deve se levantar e tentar

Levante-se e tente.

Where there is desire/ There is gonna be a flame

Where there is a flame/ Someone’s bound to get burned

But just because it burns/ Doesn’t mean you’re gonna die

Impossibles

You gotta get up and try try try

Gotta get up and try try try

– Pink, Try

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4 comentários sobre “De orelha a orelha.

  1. Que bom, você voltou a escrever! É isso aí, meu amigo, otimismo é tudo e as melhores coisas da vida podem acontecer de uma forma surpreendentemente facil… Acredite e siga em frente! Bjo!

    • Jousie, é tão difícil, minha amiga. Parece que to com choro agarrado na garganta, não sei se de alegria ou angústia, acho que tô ficando doido!

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