Não posso pedir ao inverno que poupe uma roseira

Não espero “que todos os dias sejam de sol, nem que todas as sextas-feiras sejam de festa” mas acredito que não é exagero esperar ser amado, querido, necessário, não digo indispensável pois algumas das pessoas que eu mais amo já me ensinaram que ninguém é insubstituível, nem no mundo profissional nem no amoroso, então, necessário, isso eu posso ser? Ou melhor, eu consigo ser necessário para alguém? Não estou pedindo pela lua, c’mon!

Necessidade surge a partir de uma falta, carência ou até mesmo de um desejo. Verdade? Um desejo pode ser uma necessidade? Não sei, vou tentar seguir essa linha de raciocínio. Do que eu necessito no momento é despertar um sentimento em alguém, um desejo, uma necessidade cujo objeto de desejo/realização seja eu. Ficou claro? Preciso que alguém precise de mim, é isso. Quanta arrogância e prepotência, ou carência? Sei que as grandes empresas e corporações fazem isso o tempo todo, o marketing cria em nós vários desejos/necessidades e acabamos comprando mais roupas do que podemos usar e trocando de carro com mais frequência do que o planeta suporta. Mas estou falando de sentimentos, e não acho que posso contratar alguém para desenvolver uma campanha para mim. Ou posso?

Ë para isso que servem os terapeutas, cabeleireiros, cosmetologistas, as academias e os dermatologistas? Para dar uma valorizada no produto e quem sabe torna-lo mais interessante num mercado que a cada dia está mais exigente? Talvez. Essas ferramentas se bem utilizadas aumentam e muito as chances de qualquer ser humano chamar a atenção dos outros, com o intuito que for conveniente. Mas isso não é trapacear?

Tenho tantos amigos que entram na academia porque estão num “projeto Verão”, “projeto carnaval 2013”, “projeto Ibiza outubro de 2012”. Bacana, cada qual com suas prioridades, mas se meu objetivo vai além de uma farra ou de curtir uma estação, eu devo dar tanta importância a essa supervalorização da aparência? Isso é sustentável? Porque eu por exemplo sou mutante, ao mesmo tempo que estou enorme de grande, eu perco peso e paro de malhar. Num mês estou em fase de mania, feliz e realizado e nos dois meses seguintes me sinto deprimido e cansado querendo colo. Minha pele então, tem dias em que parece um Chokito, em outros está um pêssego. Alguém me bancaria, alguém necessita de um ser humano assim, com seus ciclos fisiológicos e músculos que se sustentam num rotina árdua de academia?

Antes que eu soe louco, eu adoro me cuidar, não sobreviveria sem consertar minha monocelha e estou adorando cuidar dos meus cabelos rebeldes uma vez por mês. Uso cremes hidratantes, protetor solar, pratico atividade física e ingiro complexos polivitamínicos. Mas a princípio isso é uma necessidade minha, de me sentir bem comigo, me cuidar, de me olhar e me achar legal. Nunca tinha pensado nisso tudo como forma de atrair o outro, porque para mim parecia muito claro que o outro deveria gostar de mim pelo que eu sou, como o meu ex parecia gostar, mas e quando o que eu sou não basta? Se eu, Fábio, não sou o que outro precisa, necessita ou procura, até onde é louvável que eu me permita mudar para me moldar dentro do que a demanda está exigindo? Mundo cruel esse, ou sou eu que penso demais e fico vendo chifre em cabeça de lhama?

Meu Deus. Se minha gerente começar a ler meu blog ela me demite. Mas os pacientes estão faltando, não tenho controle sobre isso, e eu acabo me jogando de cabeça em minha reflexões histriônicas. Hoje forma quatro faltosos, ou seja, pelo menos duas horas ociosas.

E digamos que eu tenha sorte e haja uma necessidade da qual de repente eu seja uma das respostas. Existe ainda a concorrência, sim, nunca leal quando se trata de coisas do coração. Pois coração é mesmo terra de ninguém, nem sempre o mais preparado é o escolhido, injusto como vestibular ou como qualquer outro processo seletivo. Me lembrei de uma cena de Grey’s Anatomy quando Meredith implora para que Derek a escolha, linda cena, eu não tenho memória muito fotográfica para essas coisas, mas essa cena e o diálogo ficaram marcados no meu hipocampo. O episódio se chama Bring the pain, nome bem sugestivo, han? O que Meredith Grey diz para seu amado é o seguinte:

“Okay, here it is. Your choice, it’s simple, her or me. And I’m sure she’s really great. But Derek, I love you. In a really, big really big pretend to like your taste in music, let you eat the last piece of cheesecake, hold a radio over my head outside your bedroom window, unfortunate way that makes me hate you… love you. So pick me. Choose me. Love me. I’ll be at Joe’s tonight so if you do decide to sign the papers, meet me there.”

Ah, se a vida real fosse tão simples e romântica como a ficção. Se implorar fosse bonito como Hollywood faz parecer. Eu não necessito de um McDreamy, talvez de um McSteamy (just kidding!), na verdade quem me chama atenção agora é um McLawyer, e se por ventura ele me escolhesse eu seria muito feliz, ou pelo menos tentaria. E olha que eu não sou nem estou carente, que é bem diferente, acreditem, pois eu já estive carente. Acho que era isso, texto ficou muito grande e eu comecei a ficar deprimido, sinal de que está na hora de parar e comer uns biscoitos de cacau com mel.

Ouvi ontem que eu deveria era estar em posição de escolher ao invés de ficar esperando ser escolhido. Eu Não estou esperando ser escolhido, isso é apenas uma parte do processo, mesmo que eu faça uma escolha eu espero ser escolhido. I need someone to pick me, choose me, love me.

Segue um poema bunitinho do Drummond que li pela primeira vez aos 10 anos com minha amada Professora de português Tereza, quem eu encontrei há algumas semanas no Palácio das Artes. Ela trouxe muita poesia pro meu mundo, assim como outras Terezas e Cristinas e Clarices.

Quadrilha

Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história

 

 

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3 comentários sobre “Não posso pedir ao inverno que poupe uma roseira

  1. Ken Adams disse:

    Don’t be so hard on yourself Mr. Parker. You have already know what is like to be chosen, picked and loved. Some things just happen. And this kind of things must happen naturally. Don’t waste your time wondering if you’re good enough for McSteammy, McLawyer ou McVet. Remember you are McFabio. Just as good, as bad, as human as any of those. Maybe, it’s your turn to make a move. Maybe it’s your turn to pick, love or chose, or none of that.

    • Beloved Mr. Adams,
      Do you mean once I had the chance of being chosen it won’t happen again? Gosh, I can’t believe I wasted my lonly chance. Just teasing you. I may be overreacting and my posts may sound a scream of despair, but deep down I’ll find I’m okay, I learned how to cope with myself and that’s the key. Now, just let time work on me 🙂 Thank you for your nice words.

      PS: Are you Ken Adam from James Bond or just an alusion to “The one with the videotape”? Regina Phalange says hi!

  2. Ben Adams disse:

    I said that you know what is like to be picked, chosen and loved. I don´t think you a desperate or something. It´s seems like you´re not patience with yourself. Just this. Keep calm and eat your cookie, Mr. Little. Something amazing this way comes.

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