And I pitty every boy who isn’t me today

Ao longo dessas três décadas de vida eu já fui muita coisa, menos o cara bonito. Digo, bonito do tipo que quando chega em um lugar todos param e olham, ou que recebe cantadas na rua, bilhetinhos no bar ou pra quem se pede o telefone no ônibus voltando da faculdade. E isso nunca me apeteceu, pelo contrário, tímido do jeito que eu era, seria muito provável que me causasse crises de ansiedade quase mortíferas. É claro que eu sempre soube que a beleza me abriria portas que nem a inteligência nem o dinheiro abririam tão facilmente, mas até certo ponto da minha trajetória não liguei pra isso, achava que daquelas portas eu nunca precisaria.

O filhote de ogro que eu era quando terminei o ensino técnico e ingressou alguns meses depois na faculdade engatou um namoro que durou anos e nesse meio tempo as mudanças que ocorreram em minha aparência foram muito tênues, quem estava comigo gostava de mim do jeito que eu era, e eu também não via problema nenhum em ser magro, alto, espinhento e meio corcunda. Era gostosa a forma como nós dois nos curtíamos e nos desejávamos mesmo fora do padrão Abercrombie & Fitch de beleza que já reinava por alguns anos. Para mim ele era o cara mais lindo do mundo e acho que ele pensava algo parecido a meu respeito naquela época.

Quando criança e adolescente eu imaginava que chegaria um dia quando eu teria o cabelo bom, liso, esvoaçante; que eu teria os braços e pernas fortes como os caras da TV, e até pensava que um dia minha pele seria bonita como a dos galãs de novela. Na minha cabecinha aquilo tudo, aquela beleza toda, aquela suavidade, eram algo inerente ao ser humano, que um dia chegaria para todos nós, sem esforço, quando eu menos esperasse, bang!, eu seria lindo. Talvez por isso nunca tenha sido algo atrás do qual eu tenha corrido. Engraçado que eu pensava o mesmo com relação a minha participação em uma olimpíada, eu jurava pra mim que mesmo sem saber praticar nenhum esporte um dia eu estaria nas olimpíadas, assim como todas as outras pessoas do planeta estariam, naturalmente, como parte do ciclo nascer/crescer/reproduzir/participar de uma olimpíada/morrer.

Mas, com o passar do tempo, ao invés de ficar sedoso, meu cabelo começou a cair. Ao invés de fortes, meus braços começaram a ficar flácidos e amarelados. E minha pele já não tinha mais acne, mas as linhas de expressão começaram a tomar conta. Foi aí que comecei realmente a me preocupar com minha aparência e em como eu estaria fisicamente em alguns anos. After all, I am not getting any younger.

Mexi no cabelo, fiz tratamento de pele, comecei a fazer RPG e pilates para concertar minha postura; corrida, musculação e dieta mais equilibrada.

Eu mudei bastante por fora, mas o principal é que por dentro continuei o mesmo. Acho que hoje estou mais apresentável por assim dizer, mas me sinto como aquele filhote de ogro de outrora, acredito que existem sempre milhares de pessoas muito mais interessantes do que eu, mas que em algum momento, por algum motivo, alguém vai reparar em mim e tudo poderá acontecer. E não é mecanismo de defesa que eu criei, de verdade, mas acho que a beleza realmente está nos olhos de quem nos vê, e só me verá de verdade quem eu permitir, independente do tamanho do meu bíceps ou de quantos dos livros de Dostoevsky eu já tenha lido.

Se eu tenho algum tipo de beleza externa e um dia ela me abrir portas eu estarei disposto a fechá-las caso por elas não passe minha bagagem de vida, minha história e meu caráter. O que importa é que eu me sinto bem comigo, ainda não faço as pessoas me olharem quando chego em um ambiente, e nunca farei, e eu saberei lidar com isso, numa boa. Como todo ser humano tenho minhas crises de identidade vez ou outra, e sempre terei algo em minha pessoa a aprimorar, fisicamente, emocionalmente ou intelectualmente.

E a vida é assim. Aos setenta anos espero estar mais sábio, mais calmo e mais bonito : – ) Se eu viver, saberei.

E o título não é apenas mais uma demonstração de arrogância. É só uma paráfrase de uma música, é como eu estou me sentindo. Adoro essa cena e a canção de Glee. Queen e Rachel, suaves, pena que no capítulo seguinte elas se engalfinhem 🙂

Voltando pra cardiologia, afinal de contas a cardiologia poderá me salvar dessa miséria de vida, e bloggear, não.

I Feel Pretty / Unpretty

Glee

I feel Pretty/ Unpretty.

I wish could tie you up in my shoes
Make you feel unpretty too
I was told I was beautiful
But what does that mean to you
Look into the mirror who’s inside there
The one with the long hair
Same old me again today (yeah)

My outsides look cool
My insides are blue
Everytime I think I’m through
It’s because of you
I’ve tried different ways
But it’s all the same
At the end of the day
I have myself to blame
I’m just trippin’

[Chorus:]
You can buy your hair if it won’t grow
You can fix your nose if he says so
You can buy all the make up
That M.A.C. can make
But if you can’t look inside you
Find out who am I too
Be in the position to make me feel
So damn unpretty

I feel pretty,
Oh, so pretty,
I feel pretty and witty and bright!

Never insecure until I met you
Now I’m bein’ stupid
I used to be so cute to me
Just a little bit skinny
Why do I look to all these things
To keep you happy
Maybe get rid of you
And then I’ll get back to me (hey)

I feel pretty,
Oh, so pretty,
I feel pretty and witty and bright!
And I pity
Any girl who isn’t me tonight.

i feel pretty
but unpretty

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