Cheap talk

Conversas no salão de beleza são tão revigorantes, muitas vezes mais do que a mudança que recebemos no visual. Hoje foi minha primeira vez no Salão do Máskara, passo na porta desde que eu tinha uns 10 anos de idade, hoje, vinte e um anos depois resolvi entrar. Tive que esperar cerca de 30 minutos para ser atendido, fiquei vendo televisão e foleando a Caras de fevereiro de 2010. O rapaz que me atendeu logo de cara perguntou meu nome e se eu era daqui de BH mesmo, pois segundo ele eu tinha um jeito diferente de falar. Segundo ele eu converso de uma maneira mais articulada que o habitual, mesmo eu tendo apenas trocado algumas frases com ele. Well, disse que sou daqui e ele quis saber com o que trabalho. Falei que sou médico e ele perguntou se eu ainda estava na faculdade pois eu tinha cara de ser muito jovem para já ser médico. A melhor massagem no ego que poderia ter recebido nessa tarde, ele me deu 25, 26 anos, meia década a menos do o número de primaveras que eu já vivi.

Ele me conquistou com essa, logo eu que tinha cogitado ser cliente do salão vizinho, o Salão do Batman, serei agora fiel e minhas madeixas só serão aparadas onde foram hoje. Depois de discutirmos idade, trabalho e composição química da queratina, meu novo amigo soltou uma “você deve pegar todas!”. Não aguentei e tive que rir. Não sabia porque ele tirou essa conclusão e fiquei meio tenso. Não quis perguntar de cara, só disse que havia saído recentemente de um namoro de 8 anos e que eu estava bem tranquilo, que nunca fui de “pegar” muito. Ele confessou que namora há cinco anos e que em algumas ocasiões foi infiel com sua namorada. Bem, eu não confessei a ele meus pecados porque não me senti confortável para fazê-lo, mas dei uma dica: se você a ama não faça mais isso. Segundo ele após o casamento ele acha errado trair, antes disso, não. Discordei, eu já passei por isso de traição, e quem nunca teve isso, acreditem, não vale a pena.

Enfim perguntei a ele porque de achar que eu era um pegador. “Ah, você é grande, com essa tatuagem colorida no braço, médico. As minas devem pirar”. Pobre alma. Ele não notou que eu na verdade não faço muito esforço para as minas pirarem, e o meu público alvo costuma pirar num sentido não muito interessante para mim. Eu não me permito conversar assim com estranhos sobre intimidades, mas hoje abri exceção e perguntei a ele: mas se você, como eu, acredita em amor verdadeiro, em achar uma verdadeira parceira, mesmo que haja fidelidade e exclusividade só depois do casamento, que diferença faz fazer ou não a geral pirar? Acho que minha pergunta foi muito filosófica e ele só respondeu com um sorrisinho. Vou ao teatro rir um pouco.

Hoje já estudei, vi um filme bem bacana sobre o qual pretendo escrever depois e mais tarde tem um aniversário de quinze anos ao qual pretendo ir e dançar valsa com minha prima. Bem de leve minha vida. Ontem tive uma noite agitada, me diverti muito com dois amigos e confesso que fiquei muito bêbado. Hoje fiquei só no suco.

Tenham todos um sábado daqueles e que seus egos sejam massageados por estranhos!

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