Gare de l’Est, 17 de julho de 2011

São sete da manhã, estou saindo de Paris num trem em direção a Frankfurt, na Alemanha. Estou no meio de minhas férias, no fim dessa viagem que até o momento está sendo a melhor da minha vida. Não sei porque as outras não foram, mas essa o é porque eu finalmente estou apenas aproveitando os momentos, bem leve, sem calendários, cronogramas. Foi minha terceira vez em Paris mas a primeira vez que fiz realmente o que eu quis e fui ver o que me importava no momento. Egoísta, eu.

Paris é um marco na minha vida, foi a primeira cidade a despertar meu desejo de viajar para o exterior, eu tinha apenas quinze anos e desde então para mim o mundo é o meu jardim onde saio para brincar quando me é permitido, em todas as interpretações da palavra. Aprendi inglês, mas somente porque eu não tinha dinheiro para estudar francês, cujos conceitos básicos aprendi na quinta série com a professora mais fofa que já tive. No ensino médio o inglês era obrigatório, tive três professoras que eram aeromoças, uma delas me apresentou a banda The Cardigans, a outra Alanis Morissette e a ultima apresentou um boteco perto do campus da UFMG onde a cerveja era mais barata e geladinha. Ontem caminhei pela Champs Elises, até a Torre Eiffel. Lindo. Paris esta toda enfeitada, comemoraram a queda da Bastilha há 4 dias, e as flores estão explodindo em cores pelos jardins e parques da cidade. Londres é mais limpa e as pessoas mais gentis do que em Paris. Mas entre as minhas cidades prediletas é comum a ocorrência de lugares onde os locais são rudes, veja Nova York, onde já levei uma cusparada e ouvi tantos desaforos de garçonetes.

Vou terminar o passeio na Alemanha, como em 2009, quando Munique foi minha ultima parada em minha estreia na Europa. Coração financeiro da Europa continental, Frankfurt esta perto da fronteira com a França, o trem desde Paris leva quase quatro horas. Porque Frankfurt? Boa pergunta. Pura curiosidade, queria também passar por Bonn, Estrasburgo, Estocolmo, Bordeaux, Hamburgo. Mas dessa vez tive que escolher apenas uma, aleatoriamente entre as candidatas. Vou passar apenas um dia e meio, me disseram que o suficiente pra ver o mais interessante da cidade.

Estou me sentindo tão bem comigo mesmo. Passei por dias tão leves, cheios de sensações boas, vi tanta coisa bela, ouvi tanto sotaque diferente. Em Londres eu me perdi naquele metrô monstruoso, corri feito louco pelas ruas sempre iluminadas e tive medo de estar desperdiçando minha vida com as pessoas erradas. Na verdade com a pessoa errada. Eu. Caralho, eu sempre me pego pensando que estou me desperdiçando, que a vida é curta e tudo mais. Acho que faz parte do meu processo de evolução, achar que estou devagar demais e de repente dar uma sacudida na poeira e colocar o pé na estrada. Conheci muita gente interessante em Londres, fiquei em dois albergues diferentes, um no centro nervoso da capital e outro no subúrbio. Os australianos estão tomando Londres como os Canadenses estão fazendo com Berlim, nos dois albergues dividi quarto com australianos, sempre muito simpáticos e festeiros.

Fui assitir Wicked com duas australiana loiras altas e esguias e dias depois fui para a noite de Londres com um australiano com alma de artista e um italiano fofo até mandar parar. Acho que estou superando minha timidez ou então venho dividindo quarto com gente muito tirada que finalmente está me arrastando para fazer as coisas divertidas em bando. Conheci também em um tour guiado uma americana simpaticíssima que está vivendo na Alemanha, conversamos um pouco sobre as diferenças culturais em América e o velho continente, ela, como eu, tem uma visão mais nova do mundo. Nosso países sõa mais jovens, nossas histórias mais recentes, nossas igrejas menos empoeiradas. É diferente, não sei explicar, mas o europeu pensa diferente.

Morri de rir dos indianos que se vestem de Rainha e ficam dançando aquelas danças indianas em pontos turíscos, muito engraçado imaginar a Rainha fazendo todos aqueles movimentos de pelve e pescoço. Morri de raiva do metrô nas horas de rush, de onde sai todo aquele povo que lota a Oxford Circus de repente!? Parecia o posto de saúde ao mesm otempo o Show do U2, aquele tanto de gente se acotovelando, mas com a diferença de todos estarem muito bem vestidos e elegantes. O sol quase não mostra sua cara em Londres, os dias são bem claros, venta bastante mas sol mesmo a gente não vê. O custo de vida é mais alto do que em Paris ou NYC, mas vale cada centavo pois as coisas funcionam. Comprei um chip da operadora 3 (Three) e quase tive orgasmos múltplos. A internet no iPhone estava mais rápida que a NET ou Veloz lá em minha casa! e eles tem um pacote, All you can eat, que você usa até passar mal por uma semana pagando algo próximo de 20 reais. Adorei. Na França não achei algo parecido para turistas.

Em Paris foi tudo muito rápido e intenso como sempre. Finalmente conheci La Defense, vi Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II legendado num cinema super aconchegante, tomei um vinho com meus companheiros de albergue numa rua super boemia pertinho da Sacre Coeur e dei um pulinho no D’Orsay. Paris não me fez pensar na vida, universo e tudo mais, parece que em Paris está a vida. O tempo estava bom, um vento frio quase o tempo todo mas o sol brilhando forte. As ruas não estavam lotadas de turistas e consegui caminhar com tranquilidade. O albergue onde fiquei era uma pocilga, na verdade eu quis economizar e fiquei no quarto pocilga, o albegue em si era arrumadinho, muito perto da Torre Eiffel.

Ansioso para chegar em Frankfurt, estou lendo um guia sobre a cidade, muitos museus, muita história, muitos lugares históricos e comidas típicas para provar. Estou curioso com uma espécie de vinho de maçã, o Apfelwein, pois adoro vinho e sidra (#poorpeoplefeelings), e imagino que vou me embebedar com esse troço. Frankfurt é conhecida como a menor metrópole do mundo e é uma cidade autônoma, assim como Berlin. Não sei ao certo o que me aguarda, mas é desse sentimento que me alimento. Adoro o novo.

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