Entre mortos e feridos

Neste exato momento minha mãe e meu irmão mais novo estão lá no andar debaixo da casa tentando diagnosticar se o enorme rato que apareceu essa semana aqui em casa está vivo ou não. Pelo grito da minha mãe parece que não. Apolo e Vida passaram boa parta da noite de hoje perseguindo o pobre coitado, quebraram garrafas de cerveja, fizeram um buraco no armário da minha mãe e rasgaram sacolas de lixo. Uma zona. Ontem o rato apareceu pela primeira vez, minha mãe pegou nele sem querer enquanto fazia faxina na pia, não sei como ela foi capaz de fazer isso, mas fez um cafuné no bicho e em seguida deu um grito estridente. Eu morri de rir, ela queria que eu corresse atrás do bicho com uma vassoura. Não acho saudável conviver com um rato dentro de casa, mas não seria capaz de matá-lo de forma alguma. Outro grito, acho que meu irmão o pegou. Que sua alma descanse em paz nos bueiros do paraíso.

Quem quase morreu ontem foi minha tia Genecy, de susto, e eu, de rir. Há anos ela não vinha aqui em casa, acho que ela não conhecia o Apolo. Eu estava de folga, no meu quarto, Apolo dormindo do lado de fora, a porta aberta. Minha tia chegou, a ouvi conversando com minha mãe, e logo pediu para ir o banheiro, que fica ao lado do meu quarto. Apolo estava dormindo em sua posição mais clássica, a de calango morto no deserto escaldante, com as pernas pro alto, arreganhadas, rabo jogado pro lado e boca aberta com a língua pendente pro outro. Minha tia o avistou de longe e achou que era uma pelúcia e continuou caminhando em sua direção, mas, como ele sempre faz, ao ver alguém se aproximando ele saiu da posição e num pulo se pôs de pé correndo em disparada em direção a minha tia, para fazer festa. Ela deu um grito e correu dele, dizendo que achava que ”era uma pelúcia”, ”cruz credo”, ”pelo leite que mamei na minha mãe, tira esse cachorro”. Ela teve certeza de que Apolo é de verdade quando ele a alcançou e a cumprimentou da forma carinhosa que ele cumprimenta, abocanhando o antebraço da pessoa e o torcendo enquanto abana o rabo e faz cara de gatinho do Shrek.  Eu chorei de rir, minha tia é gordinha, não sei como ela conseguiu correr tanto.

E quem está morrendo de cansaço essa semana sou eu, ando estressado com o posto e o pior é que minhas férias estão longe de chegar. Semana que vem tem carnaval, espero descansar e esfriar um pouco a cabeça, meus pacientes estão me deixando louco, são muito irresponsáveis, não sabem se cuidar e ficam me enchendo o saco querendo que eu tenha solução para todas as mazelas de suas vidas. Pronto, desabafei. Estou sentindo que já é hora de parar com antidepressivo, a terapia ainda devo fazer por anos, mas de medicamento não preciso mais, hora de guardar essas muletas.

Agora vou brincar um pouco com minha afilhada que já está indo embora, minha cunhada estava com medo que ela respirasse o ar por onde o rato estava correndo e pegasse uma doença super-rara e fatal. É cada uma que a gente ouve.  Fiquei feliz ao saber que ela deixa a Izzy engatinhar no chão da casa, mesmo que seja somente após desinfecção do assoalho com álcool, desinfetante e um outro produto que ela não sabe me dizer qual. Já é uma evolução! Izzy está fofa, com uma bolha vermelha enorme no nariz, uma formiga a ferroou hoje pela manhã.

Entre mortos e feridos a vida segue. Boa noite, mundo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s