Toc-toc

como na canção, um dia você acorda fazendo amor com a parede.
Há há!
Sei que às vezes é difícil suportar o presente.
Então não fique contando as horas.
Passa uma, depois outra.
Você atravessa uma,
mas aí vem outra!
– Se abaixe! Ufa, essa foi por pouco.
Mas não se canse. Quer ajuda?
Vamos criar aqui um espaço para o desejo e a paixão.
Dentro de minha pele já existe um espaço.
Vazio.
Esperando pelo que já se foi e
pelo  que ainda está por vir.

Toc-toc!
Não precisa abrir,
deixo na soleira da porta um bilhete.
Não volto mais, não.
Se um dia você precisar de um carinho,
passe lá em casa.
Te sirvo carinho com doce de leite.

É, talvez tudo isso não passe mesmo
de um engano.
Bati na porta errada?
Não sei.
Mas eu sei que
as coisas concebidas pelo engano
são tão reais quanto as concebidas pela razão
e a necessidade.
E que você,
que um dia foi o todo,
acaba de perder uma parte.
E as paredes não têm partes.

Chega de seguir placas e protocolos:
Agora sejamos apenas nós dois,
as moléculas de oxigênio ao nosso redor
a estrada a nossa frente.
Feche os olhos.
não pare
ouça minha voz.
– Quer mais doce de leite?

O menino de lá
Junho de 2003

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