Eu e Lady Gaga – Parte 4 ou Conceitos e preconceitos

Se eu entrasse na caminhonete amarela da Beyoncé usando meu chapelão preto de funeral, por certo antes de morder seu sanduíche de salame, ela me olharia com aquele carão e diria: You’ve been a bad girl, a very, very, bad, bad girl, Fafá! – Mas ainda assim ela me daria uma mordida de seu sanduíche. Brincadeiras a parte, eu fui um mau garoto com algumas pessoas e me arrependo muito disso. Não acho que sou uma pessoa má, afinal eu adoro animais, especialmente cachorros, e minha avó sempre disse que alguém que gosta de bichos nunca é alguém totalmente perdido. Perfeito eu não sou, mas sei que minha essência não é ruim e posso provar isso.

Vivemos num mundo onde a luta contra o preconceito se tornou universal e até mesmo chata em muitos casos, até Monteiro Lobato foi censurado há algumas semanas por racismo em um clássico infantil. Concordo que o preconceito de qualquer tipo é intolerável, melhor, injustificável, mas alguns ativistas andam muito sensíveis ultimamente. Lutar contra preconceitos e mudar a atitude das pessoas é difícil, e quando o preconceito já virou um conceito enraizado, como é que fica?

Não posso me julgar vítima de preconceito se as pessoas não acreditam que eu sou bom, pois eu já fui muito irresponsável com os sentimentos dos outros. Dei motivos. Mas e se eu mudar? Como estender essa mudança à cabeça das pessoas e convencê-las, provar que eu sou eu mesmo, mas melhorado? Não é um caminho fácil, ninguém muda da noite para o dia, e eu definitivamente levei um tempo até assumir meus problemas e atuar encima deles para me melhorar e então poder me relacionar melhor com os outros.

Usando novamente o vídeo de Gaga com a Beyoncé, um espelho depois de quebrado não pode mais ser recuperado, mas ainda podemos ver os reflexos nos cacos. Profundo, han? Se os reflexos nos cacos são de coisas ruins, ih, danou-se, pois o que fica é só a parte ruim de um todo que se desfez. As pessoas e suas relações com os outros não são rígidas como um espelho, não gosto dessa comparação. Acho que existem diferentes tipos de mágoas, erros, alguns que nunca serão esquecidos ou resolvidos, mas ao meu ver são apenas manchas, que podem conviver com todo o restante da superfície brilhante do espelho, desde que não se dê a elas tanta importância.

Quero muito ter direito a segundas, terceiras, sextas chances. Nunca estive tão pronto para viver. Minha terapeuta insiste que minha relação com meus pais é a fonte de tudo, eu não concordo muito com ela, a mãe sempre leva a culpa. Claro que a relação tumultuada que levo com eles me atrapalha no resto da minha vida, mas não posso achar que eu não tenho papel ativo dentro de tudo que vivi e me tornei. Todos temos nossas dificuldades, nossas prioridades, nossos limites. E isso é importante, nos faz ricos, quando interagimos uns com os outros. Mesmo quando conflituosas, as relações trazem crescimento pessoal, mesmo quando acabam.

Por isso eu peço, imploro, choro e rogo: analisem bem antes de excluírem pessoas de suas vidas. Eu já fiz isso, me arrependo amargamente, não quero perder mais ninguém que eu amo. E que vocês que estão chateados comigo me deem um chance, vai? Perdoa eu?

PS: Eu e Lady Gaga 4 porque eu escrevi outros textos envolvendo a bizarra e intrigante cantora, mas não são publicáveis.

Para quem não conhece o vídeo:

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