Eu, meu irmão e nossos amores

Hoje uma das pessoas que mais gosto me chamou de trouxa. Adorei. Tenho ouvido só palavras doces de meus amigos nas últimas semanas e tem hora é bom levar uma assim na fuça. O porque d’eu ser trouxa: – Porque você tem tudo pra ser feliz e não é. Bem pela última vez que eu chequei eu ainda não tinha uma mobilete, não era amigo íntimo da Sacary Spice e nem tinha 18 milhões de euros na poupança. Brincadeira, a mobilete já me satisfaria.

Eu infelizmente sou cheio de preconceitos e sofro demais com eles. Ontem venci mais um: andei de motoca pela primeira vez na vida. E foi fantástico! Tudo bem, eu tremi a maior parte do tempo, ficava de olhos cerrados e dentes travados sempre que tinha uma curva, mas me senti tão livre, aquele vento todo, a velocidade, o IPVA baratinho. Fiquei extasiado. Eu e meu irmão fomos ao cinema do outro lado da cidade e pelo fato do tempo estar muito curto decidimos ir de moto, eu fiquei relutante, custei a colocar o capacete mas no final deu tudo certo. Minha mãe disse que eu queimaria minha perna no cano de descarga por que sou muito lerdo, mas nem queimei.

Há muitos meses eu não conversava tanto com meu irmão mais novo. Acabamos chegando bem cedo no shopping, estávamos atrasados para pegar os ingressos, mas o filme mesmo começaria em duas horas. Andamos pelas lojas e falamos de relacionamentos e arquitetura. Meu irmão tem apenas 22 anos mas tem mais vivencia amorosa do que eu. Uma vergonha. Eu só namorei uma vez na vida, ele já teve pelo menos 4 namoradas cujo relacionamento durou mais de seis meses!

Ao conversarmos, detectei nele os mesmos defeitos que eu tenho: ele não sabe cuidar, não sabe alimentar o amor e principalmente não sabe demonstrar que gosta. Ele ama loucamente mas não sabe dar mamadeira nem trocar a fralda da paixão, por isso ela morre de fome ou disenteria. Igualzinho a mim, no início da conversa achei que a namorada dele que fosse igual ao meu ex, mas logo percebi que nós é que éramos parecidos.

O assunto começou ainda no estacionamento, estávamos parando a moto e o celular dele chamou, era a namorada. Ela ficou brava por ele não tê-a avisado que estava indo ao cinema e brigou porque ele não tinha dado sinal de vida naquele dia. Ele disse que não tinha ligado porque eles se falariam a noite, ela brigou mais um pouco e ele desligou o telefone após uma despedida amarga. Meu comentário foi: – Ah, relacionamentos são complicados – . Ele disse que gosta demais da garota, que tem milhões de planos com ela mas não sabe lidar com as necessidades dela. Deja vu. Compartilhamos nossos sofrimentos.

Coloquei para ele do término de meu namoro, que ele ainda não tinha como certo. Disse a ele o porque do término, e foi tão bom compartilhar especificamente com ele, faleis dos meus erros, das repetições dos meus erros, de minhas mudanças, de minhas intenções. Até ouvi um sermão. E ele me ouviu na maior calma. Notei que ele ficou triste por mim, mas me consolou: – Mas você é muito legal, sô, fica assim não – .  Daí foi a vez dele compartilhar. Está namorando com uma garota um pouco mais velha, já formada na faculdade, acho que de publicidade,  seis meses de relacionamento, está apaixonado, não tem certeza se a ama mas quer muito investir na relação. Problema: ela está de mudança para o interior de Minas e meu irmão acha que por isso ela está muito insegura e cobrando muito dele. Segundo ele o combinado é de que eles continuem namorando e que sempre se encontrem, pelo menos 3 vezes ao mês, em BH ou no interior. Ele adorou a idéia. Planejaram passar o carnaval em casa para se aproveitarem mais, pois ela se muda logo depois do feriado.

Ele me disse que tem medo de investir no relacionamento e a distância fazer as coisas mudarem e ele sofrer. Disse que tinha sofrido muito com um dos seus términos porque amava a garota e ela queria ser apenas sua amiga. Fiquei comovido com ele, não sabia desse lado humano, terno dele para com as mulheres, achava que ele era apena um galinha. Me desculpe se você estiver lendo isso, mas era o que eu pensava, poxa. Fiquei sem saber o que dizer, mas o que eu sentia era que ele devia tentar, porque não, só se vive uma vez mesmo, pelo menos eu acho que só se vive uma vez, Lizaura ainda não me convenceu do contrário.

Nessa hora vi descendo a escada rolante perto de nós o meu ex, primeira vez que o vi na rua depois de tudo o que aconteceu. Eu estava falando algo, fiquei de boca aberta acompanhando ele descer a escada até a mesa onde eu e meu irmão estávamos. Eu o cumprimentei atônito, não conseguia nem falar, nem olhar para ele. Achei que fosse se assentar, mas comentou algo com meu irmão e saiu. Eu fiquei uns dois minutos atônito, meu irmão sem graça. Sacudi a cabeça e continuei o que estava falando. Foi muito ruim, ele está lindo, com um cara ótima, super magro. Fiquei feliz por ele mas levei pelo menos duas horas pra me recuperar. Não posso deixar de confessar que ao vê-lo de longe imaginei que ele tinha ido me resgatar, descer as escadas correndo me tomar em seus braços e me lascar um beijo apaixonado. Aff.

Já na fila pro filme falamos de arquitetura, ah, eu amo arquitetura e descobri que preciso viajar urgentemente com meu irmão para a Europa, vamos nos divertir demais, ou mesmo pros Estados Unidos. Para quem não sabe ele estuda engenharia civil e se forma no final desse ano.

O filme foi interessante, muito triste, mas gostei. Meu irmão também. Pegamos a moto e rapidinho já estava em casa de banho tomado debaixo do ventilador. Fiquei por muito tempo pensando na vida, nos meus erros, nas minhas falhas, em como sou feio, magro, desinteressante e dormi deprimido.

Hoje pela manhã eu não precisei falar nada, ao olhar para minha cara me disseram: – Você tem que deixar de ser trouxa. Vai ser feliz e para com essa cara. Olha a cara dele, fulana, vê se um homão desse merece ficar com uma cara assim?- Minha vontade foi de enfiar a cara num buraco, mas aceitei bem o comentário agressivo e tentei mudar meu semblante ao longo do dia.

Estou triste hoje, mas um triste confortável, eu diria. Não estou mais desesperado, o vazio continua, mas sinto que ele vai me acompanhar por um bom tempo, assim como meu interno preguiçoso, então estou convivendo com eles.

Vai passar.

Músic avelha mas me acompanha desde que a ouvi pela primeira vez, é o meu mantra. Para quem não conhece:

 

Hands – Jewel

PS: Sempre me arrepio ao ver esse vídeo, agora não foi diferente.

 

PS2: Boa noite mundo, and remember, we are never broken!

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