Round 1… Fight!

Tinha escrito um texto bem interessante para publicar hoje, mas dados os fatos mais recentes e o dia ímpar que tive, resolvi deixa-lo para amanhã.

Hoje eu terminei uma espécie de tarefa, desafio ou chame como quiser, sugerida pela minha terapeuta. – Passe cem horas sem telefonar, sem contato, e se no final desse tempo você estiver se sentindo bem, ligue para ele – foi o que ela me disse, quase que profeticamente em voz etérea. Ela me propôs isso há semanas, mas só ha alguns dias assumi que o exercício poderia ser interessante. O cronômetro foi disparado no domingo a tarde e hoje pela manhã eu já estava ansioso, pois no final da tarde, no badalar das 17:00 as duras cem horas expirariam.

Meus amigos que sabiam do desafio acompanharam meu comportamento durante a experiência e em sua enorme maioria me pediram para não ligar, independente de meu estado emocional. Eu não falei muito de mim hoje no trabalho, estou cansado de ser o bebê chorão que tem de ser consolado diariamente por todos. Cansei de me olharem com cara de dó. Por sorte minha terapeuta extraoficial, Suzana, a pediatra, não estava no centro de saúde hoje, sei que ela me deixaria louco com suas colocações filosóficas e convincentes.

Meu dia foi excelente dentro do possível. Uma paciente que nem era minha, eu a atendi numa correria logo de manhã, o centro de saúde estava cheio, só eu de médico, chegou perto de mim, me abraçou e disse que eu sou o melhor médico que aquele posto já teve e me agradeceu por ajuda-la com sua dor renal. Eu não costumo abraçar meus pacientes. Me senti a Cristina Yang, sem saber se eu a abraçava de volta, se dava um tapinha no ombro ou me esquivava. Sim, ainda tenho que aprender a lidar com certas demonstrações de carinho, I get it. E para completar minha última paciente do dia, ou a vigésima sexta, uma gestante de 39 semanas e 5 dias, ufa!, disse que não poderia ter tido um pré-natal melhor, que eu sou um excelente médico. Meu ego estava inflado. Como comentei em alguns posts aí ao longo da semana, minha autoestima está se recuperando em ritmo de crescimento chinês com risco de superaquecimento e inflação. Vou desvalorizar a moeda interferindo na taxa de câmbio para manter um crescimento estável. Piada à la Miriam Leitão.

O que quero dizer é que o desafio da terapeuta estava virtualmente cumprido. Eu sinto uma falta mortal de meu ex, mas aprendi a conviver com a falta e estou entendendo que vou sobreviver a longo prazo sem ele. Ponto para mim. O meu medo todo era que eu estivesse me sentindo tão bem nos últimos dias pelo fato de saber que as cem horas estavam se esgotando e que logo logo eu falaria com ele. Por isso tive de me colocar a prova e telefonei.

Hoje almocei no shopping com colegas e amigos de trabalho. Discutimos filmes de Clint Eastwood e Jim Carrey. Comi um espaguete de frango, tomei uma limonada gelada e de sobremesa um picolé Talento de Avelã. Ri freneticamente mesmo das piadas insossas e voltei ao trabalho com a alma leve e a barriga estufada. A primeira paciente da tarde faltou, daí eu e Vanilde ficamos assistindo no YouTube vídeos do pessoal da Terça Insana. Adoro.

Mas eu ia dizendo que fiz o telefonema. Liguei porque realmente estava com muita saudade, mas queria saber dele se havia repensado nossa relação. Não que eu não me interessasse pelo restante das coisas de sua vida, mas eu tinha um propósito. Ele não havia repensado, ou havia e não tinha mudado de ideia, e ainda ficou irritado comigo. A ligação foi curta e objetiva, tive medo de desmoronar ao desligar o telefone. Mas não aconteceu. Fiquei extremamente triste e levei algumas horas para me recompor, mas consegui manter meu foco.

É cedo para falar em superação, muito cedo, mas achei um caminho seguro. Aos poucos vou retomando minha rotina, redescobrindo o prazer nas coisas. Voltei a planejar e não faltam ideias. O ano mal começou e tenho viagens, festivais de música, férias, congressos, provas de corrida, cursos. Um novo universo pela frente. Sei que tudo pode mudar se ele me ligar e nos de ruma chance, mas encaro isso agora como uma possibilidade remota e não como minha única opção.

Agora a pouco voltando da academia ouvi Johnny Cash, I love you because, e me derreti. Cafonérrimo, mas quem tiver com paciência ouça a música e/ou leia a letra, é muito guti-guti.

I love you because, Johnny Cash

I love you because you understand dear
Every little thing I try to do
Your always there to lend a helping hand dear
But most of all I love you cause you’re you

No matter what may be the style or season
I know your love will always see me through
I love you for a hundred- thousand reasons
But most of all I love you cause you’re you

I love you because my heart is lighter
Every time I’m walking by your side
I love you because the future’s brighter
The glow to happiness you’ve opened wide

No matter what the world may say about me
I know your heart will always be true
I love you for the way you never doubt me
But most of all I love you cause you’re you

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