El retorno de la madre e Gleeeee

Depois de tanta bordoada que eu levei ontem, hoje tive um dia tranquilo, até agora. Minha mãe voltou de viagem, passou quase dez dias em Cabo Frio, voltou preta, ou seja, não usou protetor solar. Não falo mais nada. Eu estava achando tão bom ela estar viajando, a casa fica tão tranquila sem ela aqui, os cachorros podem ficar mais a vontade, mas quando a vi notei que estava morrendo de saudades. Ela é muito difícil, marrenta, mas eu a amo muito e não tem como negar. Pela manhã ela me preparou um café da manhã daqueles, com direito a vitamina de abacate e suco de laranja com acerola, mas eu não tinha dito a ela que não estava com o menor apetite, há dias.

Quando ela notou que eu não estava comendo ficou de pé ao meu lado e perguntou: – Estou te achando triste demais, meu filho, o que houve? Eu respondi a verdade, que estava terminado o meu namoro e que eu estava sofrendo. Ela continuou: – Ainda por isso? Mas já tem dois meses? Pára, isso passa meu filho, coisa da vida, você é tão novo. Não me dei o trabalho de responder, fiquei com medo de chorar de novo, nessa altura do campeonato ela já estava fazendo carinho na minha cabeça e me beijando. – Homem tem muito no mundo, ela insistiu em completar.

Fui pro trabalho e como de praxe nas últimas semanas tinha uma comitiva para me receber. Quando vi aquele povo no meu consultório quis chorar de novo. Queria me afogar no trabalho, sem ter tempo nem pra comer ou ir ao banheiro, mas eles estavam todos ali ávidos por notícias. – Não tem nada de novo, gente. Vai todo mundo trabalhar, cada um pro seu setor, vamos, vamos!  – foi o que eu disse, todos saíram da sala me olhando com rabo de olho.

Vanilde me vigiou até que fiquei sozinho no consultório sem nenhum paciente para me cercar e saber das novidades. Ao ouvir o que eu tinha de novo ela se tornou a última a desistir de meu namoro. Contei pra ela dos meus sentimentos novos, que estou começando a gostar mais de mim, que estou superando o fato de ter sido falho na minha última relação e que acho que isso não é o fim do mundo. Expus que muito das reclamações do outro são reflexos de carências/problemas dele mesmo, internos, e que nem tudo pelo que eu me julgava culpado era mesmo minha responsabilidade. Verdade ou não é o que estou sentindo, verdade ou não é o que está me sustentando.

A Vanilde me entende, uma das poucas pessoas que me entende, e notei que ela ficou feliz por mim e me disse: – Então é isso, você está ficando livre. Fique sozinho mesmo, se curta e quando o tempo chegar você conhece outra pessoa, volta pro seu amado. Ela ainda completou que eu tenho que ficar esperto pois estou ficando bom demais e não devo ser exigente em demasia com os outros. Eu tenho essa necessidade de apoio do outro, mesmo que não mude minha postura, é bom ouvir de alguém que gosta de você que você está no caminho certo.

Apesar de toda essa fase de aceitação hoje eu quase liguei e implorei por mais uma chance. Peguei o celular umas cinco vezes, coisa que não fazia há dias. Entrei no MSN e vi que em um determinado momento ele estava online, minha barriga gelou, minhas pernas bambearam, cheguei a abrir uma janela de bate-papo e a fechei sem digitar nada.  Resisti, mas me destruí. Inventei uma desculpa no trabalho e não voltei a tarde, fui pra casa e dormi até as 17:00, quando Vida me acordou com sede. Me troquei e fui malhar, o que me fez um bem. Me senti bonito hoje, gostoso, desejável. Acho que isso é bom. Senti isso para mim, não para os outros, não quero ser desejável pra ninguém por um bom tempo, mas senti minha autoestima florescendo, tipo um lírio que renasce depois da queima no Cerrado.

Agora estou em casa estudando diabetes esperando o horário do cinema que combinei com minhas amigas. Girl’s night comigo no meio. Vamos ver o filme da Angelina Jolie, O Turista. Adoro essa atriz, tem uma presença em cena que hipnotiza. Acho que comecei a gostar dela quando deu uma de doida em Garota, interrompida. Amo. Estou passando muito tempo com elas, Bárbara e Lizaura, e todos os três estão em momentos bem complicados no que diz respeito a vida amorosa. Não vou expô-las, elas que criem seus blogs, já sugeri, mas nos divertimos muito e nos apoiamos falando de nossos problemas.

Última coisa. Descobri porque gosto tanto de Glee. Não são só as músicas, os excelentes profissionais, atores, produtores, direção, os galãs, as dancinhas, o humor. É catarse. Sim, olhando bem existem seriados mais interessantes, mais envolventes, mas que não me permitem sofrer com as dificuldades pelas quais passam os personagens ou ficar com o coração na boca quando eles vivem situações de estresse ou alegria e realização. Tipo, me identifico muito mais com eles do que com os personagens de . LOL. Falando sério, apesar de meus trinta anos ainda me sinto um adolescente em muitos aspectos, principalmente nos emocionais. Melhor Glee que Malhação, não acham?

 

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