Um dia de cada vez

Talvez ontem tenha sido o pior dia da minha vida, mas hoje começou de uma forma que pode facilmente ganhar essa posição. Acordei com uma amiga ligando para saber notícias de minha vida amorosa, pode? Se estivesse tudo bem comigo acho que eu faria uma festa com ela, ela daria pulinhos do lado de lá enquanto comentava dos detalhes e eu daria pulinhos do lado de cá. Mas as notícias eram péssimas e eu mal consegui inventar uma desculpa pra desligar logo o telefone.

Apesar de eu tentar fazer coisas pra me distrair me falta energia, não consigo pensar em começar nada novo estando sozinho, sinto que não dou conta e que é melhor eu esperar para começar qualquer coisa. Mas esperar o que? Já me foi dito que não espere, que não sonhe, que não implore, que não insista e eu não caio na real. Já ouvi que eu fui ruim em todos os sentidos e que mudar não adianta nessa altura do campeonato, e ainda acho que há um jeito. Odeio pressionar quem eu amo, sabendo que está ferido por minha causa, já prometi que não pressionarei mais, mas é quase impossível.

Dessa vez nós brigamos e o namoro terminou de uma maneira que me pegou de surpresa, sempre que brigávamos eu tinha feito algo terrível, mas dessa vez não. Eu estava me achando o melhor namorado do mundo, pois estava sentindo que tudo que o outro não gostava em mim eu estava trabalhando e mudando. Mas mesmo assim acabou. Fiquei cerca de um mês atônito, chorava, queria morrer, mas não tinha vontade de falar com ele, não entendia o que estava acontecendo, queria que ele fosse feliz e arrumasse uma pessoa legal. Mas isso mudou e eu fiquei desesperado, fui a casa dele, interrompi um encontro romântico, chorei, me humilhei e só piorei minha situação.

Nosso relacionamento sempre teve altos e baixos, sempre brigávamos muito, mas era diferente. Agora parece que a mágoa é tão grande que o amor ficou em segundo, terceiro plano. Eu não tenho armas com as quais lutar, tudo o que tenho são promessas, compromisso de ser diferente, mas isso não é garantia de nada. Me sinto impotente, incapaz, desumano até.

O antidepressivo, é claro, não está me ajudando em quase nada. Hoje achei que teria um ataque cardíaco na cama, meu corpo parecia tremer, me senti um usuário de crack em síndrome de abstinência, eu suava, chorava, me debatia. Que droga é isso, amor? Minha terapeuta e o psiquiatra e meus amigos falam que eu tenho que externalizar os meus sentimentos, que enquanto eu não fizer isso vou sofrer. Eu concordo, mas é tão difícil falar sobre tudo o que sinto, me sinto tão culpado por tudo, tão inútil, que quando começo a falar parece que eu estou me desfazendo.

Um dia de cada vez, parece fácil, mas não. O mês de janeiro parece não acabar nunca, se arrasta, me arrasta junto, pra longe de quem eu amo e tanto magoei.

Chega de chorar, por agora. Vou colocar comida pros cachorros que é melhor.

 

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