Preso

Minha maior responsabilidade ultimamente são os meus cachorros. Como estou ficando muito, muito tempo em casa nos últimos dois meses eu passo esse tempo quase todo trancado com eles dentro do quarto e me surpreendo como eles são pacientes comigo. Minha família está toda irritada com eles, eu tenho que mudar a situação até que eu consiga ir morar sozinho com os dois. Apolo, o Golden Retriever, é cheio de energia e sempre que quer sair do quarto pega alguma coisa minha, uma meia, um tênis, e trás até a mim, fazendo aquela carinha de manha. Ele tem trazido tanta coisa nos últimos dias, mas eu não tenho forças pra sair, daí ele sobe na cama e deita comigo. No chão ao redor da minha cama existe uma pilha de meias, tênis, sapatos e camisetas que Apolo carrega e eu não me dou ao trabalho de devolver pro lugar. A Vida, uma mestiça adorável, é menor, menos enérgica, mais parecida comigo. Por ela passaríamos mesmo o dia todo dormindo, mas ela também adora passear, só não toma iniciativa. Apolo me faz lembrar meu ex, a Vida a mim mesmo.

Agora eu consegui me levantar, já são quase cinco da tarde e eu não fiz nem comi nada hoje. Os cachorros comeram pela manhã e agora estão comendo de novo. Vida não deixa o Apolo chegar perto da vasilha de ração até que ela tenha se satisfeito. Tadinho, fica pacientemente esperando ela se entediar de mascar para chegar sua vez. Apolo é um gentleman. Vou tomar um copo de leite com café e ver se acordo um pouco desse torpor.

Eu não consigo nem ver os filmes que tenho aqui em casa em DVD ou blu-ray. Porque? Vejo Fox ou Sony ou TNT o dia inteiro, vez ou outra um filme na HBO. Comecei a ver seriados que eu não assistia, acompanhar notícias que não me interessariam, ler no jornal reportagens que outrora não me chamariam a atenção. E eu não estou fazendo isso conscientemente. Quando estou no trabalho por exemplo eu planejo chegar em casa, trocar de roupas, passear com os cachorros e voltar e ver o filme X que comprei e nunca nem abri. Chego em casa e minha primeira atitude é tirar a roupa e ir dormir, de preferência até o dia seguinte. Claro que Apolo e Vida não deixam, ficam fazendo festa, me arranhando, Apolo me arrastando pelo braço. Passo uns minutos com eles e me entrego nos braços de Morfeu.

Daí eu durmo, geralmente deixo a TV ligada, prefiro sonhar com o que ouço da TV do que os sonhos que ando tendo dom meu ex. Geralmente acordo com muita fome e calor depois de algumas horas, espontaneamente ou porque alguém, geralmente o ex, me chama no MSN ou me telefona. Quando ele me liga parece que minha bateria se recarrega, meu sorriso se abre, até minha pele fica sedosa. Mas vamos conversando, conversando até um ponto que fico pior do que antes porque ele não me dá esperança nenhuma de reatar o namoro. Triste, né? Há cerca de 5 dias ele deixou de fazer contato, o que impediu que eu colocasse em prática o plano maquiavélico da minha nova amiga pediatra. Um dia falo desse plano. Eu também tenho evitado ao máximo contato com ele e tenho obtido algum sucesso nos últimos dias.

Minha vontade era de dormir direto, direto, ou então trabalhar mais, no meu local de serviço atual, não em novos lugares pois não estou querendo mais novidades no meu dia-a-dia.  Até o meu signo do zodíaco foi modificado. Hoje mesmo recebi um telefonema de uma clínica onde eu queria trabalhar há meses, mas nem atendi o celular, a clínica fica na direção onde mora meu ex! Todos os caminhos levam ao ex, certo? Parece que sim, todos os caminhos e pensamentos.

Minha libido está zerada há meses. Mas eu comecei há alguns dias a ter sonhos e pensamentos pecaminosos envolvendo meu ex. O sexo era sempre tão bom… Assunto pra adultos. Sinto falta do toque do cheiro, de tudo. Falta dele precisar de mim pra alguma coisa, de ser útil, necessário. Mas ao mesmo tempo luto contra esses sentimentos, penso nas coisas ruins em mim e nele, o que não estava funcionando, as coisas duras que infelizmente, e merecidamente, eu ouvi dele. Dramático.

Sinto que estou começando a digerir a ideia de ficar sozinho por um tempo e a ideia de nunca mais voltar com ele. Palavras que eu li ontem, de amigos e do próprio, me fizeram ter um novo choque de realidade. Parece que eu estou vendo o fim do sofrimento, lá na frente, e dormindo muito estou chegando até ele. Parece que é mesmo muita coisa disfuncional num relacionamento só, abriram meus olhos para isso. Insisto que se dependesse de mim acharíamos uma saída, mas como não depende, estou aceitando o meu novo destino.

Os cachorros comeram enquanto eu escrevia. É bom vê-los satisfeitos. Vou tomar um banho e tentar sair para correr agora no início da noite, liberar umas endorfinas.

 

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