Procuro por um amor que goste de cachorros, Glee, política, Macy Grey, dormir até meio dia nos dias de folga, Talento de avelã, Clint Eastwood e Nova York

O tempo vai passando e a gente vai mesmo ficando mais exigente. Com tudo. Recordo-me de um Fábio com 20 anos de idade, que acabava de iniciar-se na jornada da vida a dois. Bastava naquela época que rolasse um assunto, um beijo bom e pronto, um futuro relacionamento podia estar começando ali. Nas redes sociais da época existia uma espécie de check-list bem precário, geralmente com algumas características físicas e preferências pessoais, onde você poderia selecionar as pessoas e começar a conversar. Existiam também os bate-papos, que persistem, onde o check-list não era mais completo, mas podia-se conversar um pouco, quando conversar era algo que as pessoas tinham em comum. E o relacionamento ia começando, devagar, sem muito preconceito.

Hoje é diferente, tudo isso ainda existe, mas pelo menos pra mim não funciona. Para alguém se lançar a candidato a namorado preciso mais que um flerte e um bom beijo.  O título do post é uma brincadeira, claro, mas com um grande fundo de verdade. Com o tempo e as experiências que vivemos parece que vamos nos tornando mais seletivos, menos tolerantes as diferenças de um potencial parceiro. O que há alguns anos podia ser um detalhe, como, por exemplo, crença religiosa ou fé, com o passar do tempo pode se tornar característica fundamental ou intolerável no outro.  Não me imagino saindo com uma pessoa que curta balada, eu não gosto e facilmente descartaria alguém que me relatasse gostar, mesmo sabendo de outras características que me atraíssem. E isso é ruim.

Contraditório, pois com o passar o tempo nossas listas do que é necessário, dispensável ou tolerável vai aumentando e fica cada vez mais difícil encontrar alguém que se encaixe no perfil que criamos. O que fazer então? Não criar esses padrões, é óbvio. Claro, cada um de nós vai se sentir atraído por determinado tipo de pessoa num primeiro momento e vamos descobrindo as camadas dessa pessoa, ao passo que iremos, então, nos apaixonando, ou não. Não tem jeito, tem de ser assim.  E o ingrediente essencial é paciência, com você e com o outro. Coisa que confesso não tenho muita.

Dia desses, exprimido com duas amigas, uma velha de casa e uma novinha em folha, no banco de trás de um carro, discutíamos a possibilidade ou não de um de um de nós namorarmos alguém analfabeto. Polêmico, I know. Eu num primeiro momento achei um absurdo, nunca namoraria alguém que não soubesse ler nem escrever, pelo menos em duas línguas. Brincadeira, a parte de duas línguas. Como eu iria discutir um livro, um filme mais complexo, viajar para Chicago, com alguém que não soubesse ler? Minha amiga de velhos tempos concordou comigo de imediato, até que a mais jovem de nós expôs sua opinião: e se vocês ensinassem essa pessoa a ler? Ela disse na ocasião que achou extremamente preconceituosa nossa posição. Fiquei sem graça e juro que pensei em seguida que realmente poderia ser algo interessante, ajudar essa pessoa analfabeta a entrar no universo das letras. Mas daí veio a pergunta, interna: onde eu conheceria uma pessoa analfabeta com intuito de namorar? Remotas as chances tendo em vista os meios que uso para conhecer alguém, basicamente internet (triste, mas verdade). Fica aqui a pulga atrás da orelha.

Ouvi recentemente algo interessante de alguém muito próximo, sobre a posição de uma das pessoas dentro do relacionamento a dois, de esperar pelo desenvolvimento do outro e fiquei intrigado. Ninguém deve mesmo esperar pelo outro, a não ser que essa espera valha a pena. No caso do meu objetivo de companheiro ser alguém que queira ter filhos, por exemplo, e a pessoa com quem estou atualmente não quer isso, é plausível esperar pelo outro mudar de ideia? Não sei. Há outras coisas que devem ser colocadas em jogo, até mesmo a espontaneidade da mudança. Mesmo porque mudar é algo que acontece com todos o tempo todo, independente da nossa vontade.

Lembrei-me agora do filme O amor é cego, de  um personagem que namorava garotas lindas mas se afastava delas por terem dedinho do pé torto ou coisa do tipo. Pobre coitado só descobriu o amor quando achou alguém tão defeituoso quanto ele. É disso que preciso. Alguém não com as características boas que eu julgo serem importantes, mas com os defeitos que eu tolere, que eu saiba conviver com. Afinal todos temos características boas, explícitas ou não, basta saber procurar, e querer.

Duro caminho que tenho pela frente. Estou me reconstruindo, me preparando para outra jornada e tenho medo do que vou encontrar. Sou novo, me sinto tipo o New Fiesta, o mesmo, mas com tudo diferente, mesmo que muitas vezes eu não passe de um fusca. Esse ano que começou é, segundo a astrologia, o início de um novo ciclo para mim, ciclo que começou no final de 2010. Não que eu estivesse procurando por esse novo ciclo, mas ele veio, que nem os ciclos menstruais nas meninas. Triste. Mas temos que tirar disso o melhor, bem, no meu caso, ciclos menstruais não costumam ter algo de melhor, a não ser seu fim.

Não tenho um check-list para candidatos, mas tenho um checklist das coisas que quero fazer nesse ano que podem me levar a ser feliz. Sozinho ou não.

Então, se alguém que está lendo gostar de cachorros, Glee, política, Macy Grey, dormir até meio dia nos dias de folga, Talento de avelã, Clint Eastwood e Nova York, me add.

Ótima semana pra todos!

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2 comentários sobre “Procuro por um amor que goste de cachorros, Glee, política, Macy Grey, dormir até meio dia nos dias de folga, Talento de avelã, Clint Eastwood e Nova York

  1. Rsrsrsrs. É engraçado, porque as vezes a pessoa tem um “curriculo” perfeito mas nao aperta nenhum dos nossos botõezinhos, e um outro que não preenche os requisitos mínimos deixa nosso coração piscando… como entender.. não sei…
    beijos e boa sorte

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