Mudar

Mudar, em todos os sentidos e direções, é sempre muito difícil e eu acabo de me dar conta de que a gente não muda pelos outros, só por nós mesmos, e isso me entristece. Se bem que só posso falar por mim, quem sou eu para querer generalizar algo que se passa dentro de mim, um entre os bilhões de homo sapiens e alguns australopithecus que transitam por aí nessa nave de lama e rocha. Por anos tentei mudar pelos outros, ser quem eu não era, ser quem eu queria ser, para os outros. Desde novinho faço isso, vivo uma mentira, não completa, claro que não, não sou assim tão vazio de características minhas, mas em grande parte do tempo eu não sabia dizer não, para mim e para os outros, e isso me trouxe sérias consequências em longo prazo.

Nunca vi em mim a necessidade de mudar por que não tentava me ver pelos olhos dos outros, então se eu achava que tinha de mudar era por eles, e não porque eu achava que tinha. Hoje sei que preciso em muitos momentos me neutralizar frente o outro e deixa-lo ser, para que eu conviva com ele em simbiose, sem querer embutir nele meus valores ou que ele entenda o que é certo ou errado do meu ponto de vista. Sei que preciso me afirmar em outros momentos, que não devo agir passivamente e ter medo de me mostrar como sou e perder o outro. Entendi finalmente que o que tenho dentro de mim é muito bom para que eu mantenha trancado só para mim, aprendi que eu não preciso falar apenas daquilo que os outros estão falando só para agradar e não ser excluído, posso ter minha vez e voz.

No que diz respeito a relações amorosas, meus deuses, como eu sofri. Desde o primeiro namorico até o recém-terminado namoro de quase sete anos, olhando pra trás, vejo um androide no meu lugar, um surrogate, que tinha características minhas e atitudes que agora nesse meu momento de iluminação eu não consigo sequer entender, quem dirá me justificar. Eu sempre vi em quem me amava uma ameaça, uma ameaça a minha plenitude, por eu não saber me impor como indivíduo eu temia que o outro instalasse em mim uma filial dele mesmo. E por isso sempre fui arredio, esquivo, incompleto dentro da relação. Eu queria sempre fazer elogios, carinho ou surpreender, mas ao invés disso saia de minha boca sarcasmo, ironia, deboche, mal humor. E não era falta de amor, não, sei bem o que é amor e senti dor de tanto amar, enquanto estava junto da pessoa amada e também quando separado. Meu jeito de amar que era faltoso.

Levaram 30 anos mas eu finalmente entendi. Eu quis e precisei mudar, por isso estou diferente. Para quem convive comigo vai ser interessante, mas muito mais para mim. Nunca achei que eu fosse o umbigo do mundo, agora tenho certeza de que não sou. Agora me resta ir por aí atrás de um amor feinho, para que o tempo o embeleze, não quero um belo amor que fique caquético com o tempo por causa d aminha atitude, mas um que cresça e floresça com a minha atuação ativa e afirmativa.

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