É que a televisão me deixou burro, muito burro demais

Televisão é mesmo uma das maiores invenções de todos os tempos e com certeza é uma das quais mais modificou nossa maneira de ver e entender o mundo. Em minhas memórias mais primordiais ela está lá, de tubo, em preto e branco, sinal muito ruim associado a uma antena fajuta e lã de aço para melhorar o sinal. Naquela época a importância desse aparelho em minha vida era pequena e com o passar do tempo essa condição se modificou. Quem decidia pra mim o quanto a TV era boa ou ruim e quando ver ou não era minha mãe.

Durante toda minha adolescência eu tinha uma rotina muito previsível para um jovem da minha idade na minha época: escola pela manhã, almoço, TV o resto do dia e lição de casa nos intervalos. Era algo compulsivo, que só piorou com a chegada da TV a cabo na minha vizinhança. Foi um alvoroço, milhões de canais disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, com tudo o que uma família podia querer quando o assunto é entretenimento. Novelas eu amava, assisti assiduamente até o segundo ano de faculdade, acho que a partir daí elas ficaram monótonas, ou eu simplesmente notei que elas sempre o foram. Desde então minha relação com a TV tem sido mais amena,  e na verdade o que hoje vejo na TV eu obtenho em sua maior parte da internet ou compro em DVD. Não tenho mais tempo pros horário  que estipulam para que eu assista o que me interessa.

Hoje estou em casa, como o mundo pra explorar, dono do controle remoto, pós Natal, assistindo TV desde o momento que acordei e sofrendo muito com isso. Estranho como me identifico com os dramas dos personagens e isso me faz refletir sobre minhas atitudes e escolhas. Na maioria das vezes sofro, vejo que não estou aproveitando meu potencial e que o meu comportamento parece padronizado dentro da sociedade, nem nos meus defeitos sou original. Vejo as relações amorosas dos personagens, nos diversos casais identifico meus traços, traços do relacionamento amoroso que tive, único, aos 30 anos de vida. Isso é muito estranho, e filosoficamente me faz sentir um zero a esquerda.

Um casal recém-separado que tenta ser amigo, mas concluem, ou pelo menos uma das partes conclui, que é mais fácil se odiarem. Já no outro casal em crise um sofre e chora ao descobrir que seu ex o superou e deu continuidade em sua vida. O outro casal se separa porque não sabe para onde estão caminhando, juntos? Muito triste, e muito aplicável em meu caso. Acho que se tivesse assistido ao que assisti em um momento quando eu estivesse menos sensitivo, com a pessoa que eu amo ao meu lado,  eu nem notaria as nuances, mas hoje eu parecia estar querendo aprender uma fórmula, intencionava pela fórmula de como amar e fazer dar certo, mas aprendi mesmo é como fazer dar errado.

Chorei como nunca, projetei na morte de personagens as minhas perdas, as minhas falhas, os meus desejos inibidos e encontrei pela voz deles as palavras que eu sempre quis dizer e nunca tive coragem. As pessoas são como mosaicos, como aquelas imagens no caleidoscópio, de cada ângulo, de cada forma que você olha elas se mostram de uma forma. É preciso saber por onde olhar e quando.

Todo mundo sofre por amor, e como um dos personagens citou hoje na TV, não devemos sofrer por perder uma Cristina, um Alex ou um Hunt, haverá muitas Cristinas, Alexes e Hunts em nossas vidas e é isso. A vida continua, a banda continua tocando e se você ficar parado o mundo passa por cima de você com todas as Cristinas, Alexes e Hunts.  Não é que as pessoas são descartáveis, e a pessoa que você ama de verdade você pode nunca mais vai deixar de amar, mas parece que você tem que saber o tempo de deixar essa pessoa ir, mesmo que isso pareça o fim do mundo. Mas como deixar ir a pessoa que você ama assim, porque acabou, porque um ou os dois acham? Espero que eles ensinem isso melhor na próxima temporada, estou ansioso.

 

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