Here it comes again.

Sempre quis ter um diário, desde muito pequeno, quando aprendi a escrever. Achava fascinante ver que alguns amigos, a maioria mais velhos, tinham disciplina e assunto suficientes para religiosamente se assentarem a preencher páginas e páginas a respeito daquilo que os havia ocorrido ao longo do dia, seus medos, descobertas e expectativas. Adorava quando eles me pediam pra ler suas anotações, eu viva então com eles suas experiências e me sentia extasiado.

Minha mãe me disse que menino da minha idade não usava agenda e me comprou a mais simples que tinha na papelaria da Dona Elza, nem agenda era, era um caderno disfarçado. Eu tinha oito anos na época e confesso que não durou muito minha empreitada. Primeiro porque vi que o que acontecia comigo era sempre a mesma coisa, dia após dia, era sempre café da manhã, escola, almoço, brincar na rua à tarde, banho, dever de casa, dormir e, no dia seguinte, tudo se repetia. Nada de interessante, nada que me empolgasse ou pudesse empolgar os meus amigos. Aos oito anos de idade eu ainda não sabia enxergar minha fortuna. E, segundo, eu odiava aquele caderno azul com os dizeres Agenda Escolar na capa, era um insulto, afinal a agenda era pra ser minha, nada que ver com escola.

Na segunda tentativa eu já era adolescente, iniciei o registro do meu dia-a-dia na tarde em que ganhei meu primeiro computador, em fevereiro de 1996, usando um editor de textos com corretor ortográfico e contador de palavras. Achei o máximo, estipulei para mim mesmo um número mínimo de palavras e parágrafos que deveriam ser escritos por dia. Dessa vez fui mais longe, escrevi por quase dois meses, quando um software malicioso, vulgo vírus, me fez perder tudo. Dessa vez eu fiquei triste, tinha anotações interessantes e eu já sabia aproveitar da minha felicidade clandestina nessa fase da vida. Fiquei desanimado e acabei não reiniciando o projeto, uma pena, pois aquela foi uma das fazes mais ricas da minha curta existência.

Essa é minha terceira e derradeira tentativa. E porque acho que dessa vez irei adiante? Não sei, mas sinto que dessa vez é a necessidade. Eu mantenho aquele desejo infantil de registro, para mim e para aqueles que gostam de mim. Entendo finalmente que não sou bom em me expressar e essa urgência dentro de mim por escrever é mesmo uma forma de tentar compensar o universo que escondo aqui dentro de mim. Sinto me agoniado, sufocado com tanta coisa dentro de mim e eu não conseguir compartilhar, sinto que me passo por alguém tão sem ter o que dizer, mas não é verdade.

Quero registrar minhas impressões dos detalhes, porque no frigir dos ovos a vida é mesmo um círculo, ou melhor ainda, uma espiral, e da rotina eu não conseguirei me livrar, mesmo que eu ganhe os cem milhões na loteria daqui a duas semanas. Percebo que o adoecer da minha rotina, o excesso de trabalho, o pouco tempo com os amigos e as desilusões pelas quais passo estão me fazendo perder o interesse nesse mundo. E não quero que isso aconteça. Escrever nesse momento, mais que registro, será resgate de mim mesmo. Aprendi que não devo criar um diário da forma como planejei das outras vezes, depois de conhecer Borges num seminário na FAFICH vi que é impossível mesmo fazer o registro de tudo o que se vive, não quero chegar ao ponto de só ter para registrar o ato de registrar.

Pois bem. Já participei como convidado de um blog, me diverti demais na época escrevendo e lendo textos cômicos, em sua maioria paródias da vida real usando como fundo enredos de filmes, desenhos animados e delírios de jovens adultos com espírito de crianças. Mas me considero novato nessa área e não sei se blog é o melhor formato para ser usado para o que eu quero. Pensei num livro, mas não tenho gabarito pra isso. Orkut, Facebook, Twitter e afins me irritam ultimamente. Muito aberto e impessoal. Acho que no blog posso criar meu cantinho. Acho.

São benvindos aqui todos os meus amigos, os curiosos, as pessoas que fizeram parte do meu passado e as que podem fazer parte do meu futuro. Quero treinar bastante minha capacidade de síntese, não é meu forte, quando começo a escrever parece que abro uma torneirinha aqui dentro que não se fecha com facilidade. Já tenho tanto material salvo pronto pra ser publicado, mas não sei se o utilizarei, quero me adaptar a esse novo formato.

Grande abraço e prometo posts em muito breve e com frequência.

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