não volte para um ex.

isso vai acontecer. você vai se entreter, investir ou se apaixonar por alguém que faz você se sentir como se fosse o escolhido. isso acontece com frequência. você encontra uma pessoa, você a conhece, os sentimentos começam a tomar todo o seu coração e você começa a imaginar um futuro com essa pessoa. isso acontece com os melhores de nós. as coisas começam a mudar, esse sentimento de segurança começa a desaparecer. com o caminhar do relacionamento, você se vê lutando para se manter flutuando em um barco que está afundando lentamente. você tampa os buracos com negação. você cobre esses buracos com mentiras. dizendo a si mesmo que está tudo bem, você inventa desculpas pelo modo como a pessoa te trata. você começa a se perder porque está mais preocupado em manter uma pessoa que parece não se importar mais em te manter. isso aconteceu com você antes, possivelmente uma vez, mais provavelmente duas vezes. você dá tudo de si e ainda assim essa pessoa faz com que você se sinta insuficiente. você luta mais um pouco, e luta mais até perceber que é o único lutando.

você fica por causa do tempo investido. você fica por causa da energia que você gastou. você fica porque se apega ao potencial dele em ser a pessoa que ele prometeu ser. você fica porque acredita que ele vai ser tudo que você merece. você quer todas essas coisas. você quer amor, quer segurança, quer paixão, quer que ele seja atencioso na forma como ele te trata, no entanto, você chega a um ponto em que descobre que está procurando as coisas certas na pessoa errada. sim, há bons momentos, boas lembranças, alguns aqui e ali, mas tudo em que você consegue pensar é como está se sentindo magoado. tudo em que você consegue pensar é em quantas vezes ele te machucou, e você se assentava e esperava que ele te destruísse mais uma vez. isso não é jeito de se viver, você está literalmente morrendo, enterrado vivo em um túmulo que se tornou seu relacionamento.

terminou, acabou. você finalmente cria coragem suficiente para se afastar e/ou às vezes a pessoa que você está segurando decide se afastar de você para encontrar alguém para usar e, ainda assim, isso é feito de uma forma que faz com que você questione o seu próprio valor. é uma coisa terrível de se ver. sentir que você não é mais bom o suficiente para a pessoa que fingiu que você era tudo apenas um dia atrás, mas apenas na tentativa de conseguir o que ele queria de você. você sabe disso mas ainda vive essa dor lá dentro, que faz você se sentir como se nunca fosse bom o suficiente.

meus exes fizeram isso comigo, eu fiz isso com eles. ele me machucou, ele me usou, me quebrou de formas que você nunca acreditaria. Eu perdi o meu valor, tentando encontrar esperança na ideia de que, de alguma forma, nós resolveríamos tudo. Eu perdi minha auto-estima tentando cuidar de alguém que nunca se importou comigo. Eu encontrarei o amor mais tarde, em alguém que me entenderá e cuidará de mim. eu encontrarei alguém companheiro, honesto com seus sentimentos, parceiro nas minhas dificuldades e verdadeiro no que ele me propuser. eu encontrarei minha alma gêmea. eu encontrei aquele amor único porque eu estou disposto a deixar ir quem escolheu me machucar.

quando você volta para alguém que o maltratou, você está se privando de uma oportunidade de estar com alguém que sempre levará seus sentimentos em consideração. se eu voltar para o meu ex, eu nunca encontrarei o amor que eu mereço. não volte para as coisas que não mais merecem sua energia emocional. exes são às vezes uma grande distração das coisas que nós realmente merecemos na vida.

por favor, não volte …

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Todos os carnavais

Fabio's hidden place

Já era quase meio dia e o suor misturado com suas lágrimas derretia toda a fantasia de papel crepom que a mãe levara a manhã inteira preparando. E ela tinha sido categórica, “se nos perdermos vá para perto do chafariz que eu te encontrarei lá”. Mas ele descobrira, logo depois de fazer o trato com a mãe, que não queria ser encontrado. Na verdade soltara a mão de sua irmã mais velha de propósito quando ela de súbito se distraíra com um marinheiro descamisado descendo a ladeira com uma garrafa de bebida nas mãos. Passaram-se pelo menos dez minutos até que todos que ele conhecia desaparecessem na multidão, que seguia uma banda de marchinhas politicamente incorretas.

“Porque um rapazinho tão elegante está chorando em pleno carnaval?” – perguntou-lhe uma senhora vestida de bailarina erótica tentando arrumar o capacete de papel que se desfazia na cabeça do menino. Ele não chorava porque estava…

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Eu quero ___________ .

Há um ditado popular que diz que “tudo que vai volta, então cuidado como que atiras”. Eu, descrente que só eu mesmo, nunca acreditei muito nisso, cético demais, orgulhoso demais, egoísta demais. Todo ano prometemos pra nós mesmos e pra quem convier que seremos diferentes, aprimorados, mais serenos, mais ambiciosos sem sermos gananciosos. Comigo nunca foi diferente e, apesar de ainda estarmos em janeiro, tenho me agarrado a idéia de fazer de 2018 o meu ano de introspecção e projeção: quero ser uma coisa por dentro e deixar que os outros sintam isso. 

Ao longo das minhas décadas de vida sempre me deparei com pessoas que me julgavam mal por não me conhecerem de verdade, já me chamaram de arrogante, de metido, de infantil, de pessimista, de vagabundo, de preguiçoso, de pior pesadelo, de estúpido, de monstro. Mas também de fofo, de inteligente, de surpreendentemente lindo, de perseverante, de sonhador, de amor da minha vida, de pai, de irmão, de companheiro, de lutador. Hoje acho que não merecia nada disso, nenhum desses adjetivos ou predicativos. E olha que só da primeira lista eu sei que faço jus a uns três dele, mas não no momento em que os ouvi. Quando eu me achava a pessoa mais terna e pura do mundo fui chamado de monstro. Quando estava mal e deprimido me julgavam preguiçoso. E por aí vai. 

Egoísta. Eu sempre fui uma pessoa muito egoísta, desde os primórdios até o dia da minha morte eu serei, está impregnado em mim. Todos somos, instinto de sobrevivência talvez, por ter quatro irmãos e ter que disputar a atenção e o investimento de tempo e afeto dos meus pais quem sabe, mas algo em mim faz com que eu seja mais do que a média. Sempre ouvi isso dos meus ex-namorados, tentei ser diferente, quando percebi que um deles também era egoísta tentei me justificar, mas o que sobrou no final das contas é que cada um foi pro seu lado e o que poderia ser uma linda história de amor acabou precocemente, depois de 4 anos. Joguei com egoísmo, recebi o que merecia. 

Para justificar esse comportamento egoísta eu usei minha timidez (sou tímido demais para isso), minha dita erudição (sou culto demais para aquilo), uso minha falta de tempo, minha alergia a multidão. A verdade é que eu na maioria das vezes não liguei para o que os outros pensavam, desejavam, fiz o que quiz sem me preocupar com as consequências, pois no auge do meu egoísmo pensava que não precisava mesmo de ninguém para viver/sobreviver. Eu me envergonho muito de assumir isso, fui omisso com meus amores, meus amigos, meus familiares, meus cães. Choro e me arrepio ao me ver assim, monstro, mas talvez seja o momento de ver se consigo ser diferente disso. 

Quem eu deixei me conhecer de verdade sabe que eu nunca fui ambicioso, e eu sempre vi isso como uma qualidade. Meu pai sempre me cobrou ser ambicioso e eu desprezava essa possibilidade. Só que eu deixei de ambicionar um relacionamento saudável e duradouro, deixei de ambicionar momentos agradáveis com os que amo, aquelas férias inesquecíveis com o namorado e/ou os amigos. Deixei de ter ambição pelo básico que faz a vida ser interessante: ser uma pessoa legal para atrair pessoas legais e assim ser feliz, quem sabe pra sempre. Eu passei a não me preocupar com nada que viesse dos outros, elogios, criticas, ameaças, propostas. Eu era senhor de mim mesmo, não precisava de nada nem de ninguém. Nisso fui me afastando de quem   quer que fosse que me julgasse, me analisasse ou confrontasse as minhas verdades. 

Críticas construtivas deixei virar mágoas, conselhos debaixo de um pé de árvore deixei virar ofensas. Não tive ambição o bastante para me tornar alguém melhor, para ouvir e crescer, ouvir e me justificar de repente, preferi me fechar no meu casulo. Nossa maior riqueza são as relações saudáveis que criamos e sustentamos como outros, com seus altos e baixos, sem isso somos pequenos barcos solitários a deriva na tempestade sem fim. 

Percebo hoje que sempre me foi mais cômodo desistir das pessoas e de situações do que lutar por elas. Abrir mão, deixar ir, virar as costas e fingir que estava tudo bem. Meus amigos, meus amores, como me arrependo hoje de ver o quanto eu fui fraco e achava que estava sendo superior a tudo e a todos ao simplesmente deixar as coisas como estavam e seguir minha vida. Lei do menor esforço, triste conclusão a que chego nesse momento. Quero muito ter novas oportunidades, com pessoas novas, e as pessoas que deixei pra trás, sei que corro risco de repetir meus erros, mas estou comprometido a não pegar mais o caminho mais fácil, enfrentar os pedregulhos que aparecem e não dar de ombros frente ao primeiro percalço que me aparecer. 

Essa noite sonhei muito com pessoas que deixei passar pela minha vida. Sonhei que estava na terapia e a psicóloga me pedira pra listar traços em mim que eu aprendi com as pessoas que me rodeiam. Listei o fato de pedir pipoca metade doce e metade salgada, aprendi com meu primeiro namorado, achava a idéia bizarra, mas agora só peço assim quando vou ao cinema. Também estava lá a mania que adquiri de levar garrafa de água para o quarto a noite e beber no bico da mesma, eu preferia dormir com sede e tinha nojo de beber direto da garrafa, mas meu último amor me ensinou que isso era legal. Minha mãe é a que mais me deixou cheio de manias e coisinhas, na lista coloquei o fato de falar alto ao telefone, mesmo que esteja em ambiente que me exija falar bem discretamente. E por ai foi, a lista era enorme, tinha coisas dos meus irmãos e dos meus professores, o jeito de espirrar de um tio, etc e etc. 

Acordei angustiado, pensando que eu sou mesmo uma colcha de retalhos, que os outros também o são e que eu estou com medo dos tipos de retalho que deixei nos outros. Não sou uma pessoa ruim em minha essência, mas assumo que tenho sido uma pessoa no mínimo ingrata, ao não assumir que, bem ou mal, estou onde estou em muito por causa das pessoas que passaram por mim, que deixaram pedacinhos, palavras, gestos, retalhos, que me sustentaram, que me impulsionaram, me lapidaram. Não sou senhor de mim, tenho que ser senhor do que me tornei, talvez. Senhor de merda.

Queria muito ser mais simples, mais humilde, mais disposto a curtir o carnaval, menos preguiçoso, queria morar perto dos meus amigos e familiares, queria não ter vergonha de falar ao telefone, queria ser mais carinhoso e sinestésico, queria falar mais “eu te amo”, queria prestar mais atenção nas criticas que recebo, queria aproveitar mais o silêncio e sofrer menos com o barulho ensurdecedor das verdades da vida. 

Queria ter lançado mais coisas boas aí pelo mundo, para que agora eu estivesse recebendo o mesmo de volta. Queria ter sido mais terno, mais zeloso, mais presente. Queria ter sido mais eu e menos a projeção de mim que criei para que o mundo não me atingisse. Eu tinha medo que as pessoas não me amassem pelo que eu era e no final eu me tornei algo quase impossível de se amar. 

Por um 2018 diferente. 

Em amor

Como se mede e como se deveria medir um ano? Quantidade de minutos? De meses? De sorrisos? De grana acumulada? De imposto pago? Resolvi que quero passar a medir os anos pela quantidade de amor que eu senti/recebi. Sim, e o parâmetro será 2017. Amor recebido e doado. Amor em formato de carinho, silêncio, berros, sexo, abraços, beijos, lágrimas, empurrões e cheiros no cangote, palavras ternas, xingamentos, suspiros e desabafos, compreensão e indiferença. Tudo isso entrará no balanço, um ano bom se diferirá de um ano ruim quando a balança pender pro lado do amor que vivi em 2017, e que foi muito.

E amor não tem que ser sempre bom, entenda-se. Analisando friamente esse ano foi o em que fui mais triste, mas uma tristeza construtiva, reflexiva. Sempre soube que eu não precisava ser feliz o tempo inteiro mas eu me preocupava demais em estar triste a maior parte do tempo. Como pode haver amor no meio de tanta tristeza, eu pensava.  Peito aberto, pronto pra um murro de ternura ou um afago de indiferença, foi assim que eu atravessei 2017.

E não falo do amor bíblico, carnal, platônico, religioso ou edipiano. Falo de todos esses e outros. O amor que sinto por um dia de céu azul e vento frio no rosto. O amor que sinto quando chego em casa com vontade de chutar deus e de repente me derreto com o sorriso de minha cadela chorona. O amor que posso sentir por homem que quer dividir a vida comigo e o que sinto por uma pessoa que vi jogar uma casca de banana na lixeira dia desses. Tudo. Resolvi que se a tristeza está mesmo instalada aqui eu preciso estar aberto para o amor que resolver respingar em mim.

Não vou contar meus anos pelos quilos que perdi ou ganhei, pelos shows que assisti nem pelos dias de trabalho que faltam para entrar de férias. Nem pelos filmes que revi pra tentar sentir algo, nem muito menos pelas vezes que uma música antiga me fez chorar. Mas pela intensidade em que amei isso tudo, que parei o que estava fazendo pra sentir um cheiro bom, ou ler um texto bonito.

Partiu: medir a vida em amor. Por que do jeito que se mede por aí, parecia mesmo é que de ano em ano eu estava me perdendo.

Sobre um homem que era estrela

E lá ia ele, um grande homem de pele acobreada, rosto taciturno, cabelos pretos de fios grossos com salpicados de grisalho, ombros curvados para frente, anatomicamente alterados ao longo dos anos para protegê-lo das pessoas que se atrevessem a invadir seu espaço pessoal. Quem de longe observava aquele caminhar compassado e descompromissado em direção a universidade não deixava de reparar na beleza e elegância do rapaz que parecia não estar ciente da curiosidade que despertava por onde passava. Ele andava como quem não queria nada, como quem já fosse dono de tudo.

Parou num cruzamento e enquanto esperava pela sua oportunidade de atravessar a rua foi abordado por uma menina com roupas sujas, cabelos soltos e desarrumados, ela trazia em suas mãos uma caixa de chicletes e anunciou que cada um deles custava uma ninharia de dinheiro e que se ele comprasse três unidades ela lhe daria um enorme desconto. Ele pensou, retorceu a boca e deu de ombros, apenas para ajudá-la levou consigo meia dúzia de chicletes que provavelmente seriam distribuídos entre seus colegas de departamento.

Quem o conhecia o achava estranho de uma maneira admirável, os que não, e desejavam conhecê-lo, o temiam pois ninguém se sentia seguro o bastante para iniciar uma conversa com aquele homem que de quase tudo sabia e que quase nada temia. Também por isso, ele tinha poucos amigos e isso não o impedia de vez ou outra riscar de seu caderninho nomes de pessoas com quem ele não mais se importava. Ele era dono de si mesmo, é assim que as pessoas falavam dele cochichando ao vê-lo passar, “um dos poucos moradores dessa cidade que tem um lindo futuro garantido, não importa se houver piora da crise econômica ou um ataque nuclear norte-coreano”. Era sabido. Era o que pensavam os passantes.

O que acontecia de verdade dentro da cabeça e do peito daquele homem ninguém entendia, nem mesmo ele. Certa feita médicos da região o reviraram do avesso para entender aquela estranheza inebriante, prescreveram drogas, colheram tubos e tubos de sangue, o espetaram com aparelhos e agulhas e o fizeram falar “trinta e três” inúmeras vezes na vã esperança de que um de seus pulmões lhes revelasse o segredo de toda aquela atraente anormalidade.

Na escola ele se entediava e conseguia convencer seus professores de que o conhecimento que eles partilhavam era obsoleto e questionável. Sonhava que seria astronauta e que quando desbravasse os limites do universo, voltaria pra casa para tomar um banho quente e jogar videogame. Na faculdade corrigia seus mestres e mexia com o coração dos colegas, causava inquietação por onde passava, por sua timidez indiferente e sensual intelecto. Amadureceu antes do tempo dos outros, se desencantou com o sistema, se reinventou e continuou sem se sentir pertencente ao mundo que o rodeava.

Naquele dia ele caminhava de mochila nas costas, como quem já tinha conquistado o mundo e não sabia o que fazer com ele. Como um cão que corre atrás do próprio rabo e que quando finalmente consegue alcançá-lo fica sem saber qual o próximo passo. Ele sempre teve cuidado com o que desejava, nunca desejou muito, acreditava ter aprendido isso com a avó, sempre conseguiu mais do que planejava e por vezes se via de mãos cheias e paralisadas. Chegou ao seu destino, que não o era.

Abriu a mochila lentamente, tirou de lá seu laptop, o pôs sobre e a mesa. Ao lado seu telefone celular e os fones de ouvido. Olhou ao redor e viu que estava sozinho numa sala que deveria estar cheia de mentes inquietas. Ajeitou seus óculos no rosto, garantiu que estava confortável na cadeira e começou a alimentar planilhas e bancos de dados com informações que o fariam, em muito breve, conquistar novamente o mundo, um novo, que ele esperava que o completaria então, que o faria descansar dessa jornada incessante por algo que ele não sabia o que era, mas que estava por aí, a distância de um suspiro, esperando pra ser descoberto.

Dizem por aí que ele sempre achou o que procurava, e o que não procurava, se encantava e precisava sempre de mais, não por não saber o que queria, mas porque ele queria demais. O que muita gente acredita é que o encanto que ele causava era atração que todos os corpos e energias do universo sofriam pelo enorme vazio que ele trazia dentro de si (sim, quase como um enorme buraco negro que surge após a bela morte de uma estrela). Mas é só o que dizem. Vai saber.

Era isso.

 

35 das coisas

Como mostrar para alguém que você o ama

  1. Aprenda a fazer panquecas para ele
  2. Escreva cartas
  3. Mande as musicas que você curte pra ele.
  4. Fique tímido perto dele
  5. Seja extrovertido perto dele.
  6. Cante para ele.
  7. Deixe-o adotar seu filho canino.
  8. Faça-o assistir a todos os seus filmes favoritos
  9. Leia para ele passagens dos seus livros favoritos
  10. “estou com saudade”, “eu te amo”
  11. Faça para ele um presente com suas próprias mãos.
  12. Dê a ele chocolates.
  13. Beije-o.
  14. Ligue para ele pra dizer que você leu um lindo poema
  15. Troque receitas com ele, mesmo que não saiba cozinhar.
  16. Aprenda a cozinha pra ele.
  17. Leve-o aos seus lugares favoritos.
  18. Bagunce o cabelo dele e o beije em seguida.
  19. Ame-o.

 

Como mostrar para alguém que você NÃO o ama

  1. Fale mal do jeito dele se vestir.
  2. Bata nele.
  3. Reclame da forma como ele come.
  4. Nunca peça desculpas se o magoar.
  5. O magoe com frequência.
  6. Mostre para ele que existem pessoas mais legais do que ele no mundo.
  7. O compare com os seus pais.
  8. Faça-o sentir-se culpado por ser ele mesmo.
  9. “hoje não quero te ver”, “tanto faz”
  10. Brigue com ele se ele tentar te fazer uma surpresa agradável.
  11. Ao invés de ajudá-lo, critique-o.
  12. Implique com a voz dele.
  13. Ande longe dele quando estiverem na rua.
  14. Faça suas coisas como se ele não existisse.
  15. Se esqueça das coisas que são importantes pra ele.
  16. Lembre-o sempre que possível dos erros que ele cometeu.

Amor da minha vida

Belo Horizonte, 27 de agosto de 2017

Amor da minha vida,

Antes de começarmos gostaria de fazer alguns pedidos. A saber:

Primeiro – Venha devagarinho e se instale num canto do meu coração que se encontre vazio, nada de empurrar meus cães do canto deles, nem queira mexer nos outros dois cantos, um deles ocupado pelas minhas coisas de mongolóide nerd e o outro pelos meus amigos e familiares. Meu coração é quase um cubo, oito cantos, escolha o seu e se aloje, espaço não falta, vou te deixar me ajudar a preencher os outros cantos com o passar dos anos. Prometo te levar a lua, às estrelas e ao cinema, pelo menos duas vezes por mês. Só num canto você não vai ficar.

Segundo – Traga-me sempre alimentos saborosos. E não só para o corpo, para a alma. Entendo como alimentos saborosos: estórias que sua avó te contava quando você era criança, suas marcas de bexiga, um livro que te fez suspirar, um sorriso que você guardou pra mim o dia todo. Inclua aí chocolate meio amargo, torta de maçã e sorvete de flocos, e pronto.

Terceiro – “Seja você, mesmo que seja estranho”. Na hora de te escolher fui criterioso e se você passou pelo crivo deite e relaxe. Cresça comigo, evolua no que você julgar necessário. Estarei ao seu lado pra te empurrar pra cima quando estiver subindo, e se você descer um degrau te darei a mão para erguê-lo novamente, se essa for a sua vontade. Não tenha pressa, não precisa vir pronto.

Quarto – Peça desculpas quando você fizer algo de que não se orgulha, mas nunca peça desculpas quando você puder dizer obrigado no lugar. “Desculpa por te fazer perder o filme por causa da minha dor de cabeça”deverá sempre ser substituído por um “obrigado por ter ficado e cuidado de mim”.

Quinto – Não sei nada sobre o amor. Aprendi muito sobre a vida, o universo e tudo mais das outras vezes em que amei, mas sobre o amor em si, sobre ele, nada. Então ignore todas as minhas demandas e faça o que você julgar conveniente em cada momento que passarmos juntos.

Sexto – Entenda que eu nasci em 1980 e já estou mais perto dos 50 que dos 20 anos. Mas meus joelhos ainda aguentam muita coisa, minha retina ainda não está cansada e acho que a maioria das coisas que eu tenho que aprender nessa vida eu ainda não aprendi. Se um dia eu soar como um adolescente rebelde, ou me comportar como uma criança sonhadora, não se assuste, prometo ser o homem dos seus sonhos concomitantemente.

Sétimo – Não faça de mim a sua vida, não traga-me um pedestal. Quero estar ao seu lado, ao lado da bagagem que você vai trazer consigo. Nunca acima, nunca abaixo. Venha e me ame até fazer chover e trovoar, mas saiba viver sem mim. Sinta uma estranha admiração pelo meu comportamento exótico e prometo te amar até o fim dos dias. Não quero te deixar jamais, mas estarei pronto para o dia em que você disser que não se sente confortável com o carinho que te faço no queixo. Jane Austen escreveu que ninguém jamais seria capaz de amar mais de uma vez na vida, te digo que ela mentia.

Pedidos simples e que podem ser atendidos ao longo do prazo de uma vida. A não observação desses ítens pode levar a uma vida ainda melhor do que o esperado, vai saber. Lista sujeita a alteração sem aviso prévio.